Capítulo 6

1403 Palavras
Alessia Narrando... Observei a Malu saindo, e voltei a sentar no sofá, sentindo o cansaço batendo no meu corpo, tirei meu mocassim dos pés, e deitei naquele sofá macio, muito melhor do que os do convento, acabei pegando no sono ali mesmo. Acordo no susto ouvindo buzina, levanto em um pulo, calço meu mocassim e sigo pro banheiro jogar uma água no rosto, a pessoa do outro lado, não para de buzinar de forma nenhuma, está desesperado em um nível sem explicação, ajeito minha carapuça e saio da casa, indo diretamente pro portão, onde assim que abro, já vejo um carro parado, senti um arrepio percorrer por todo meu corpo, assim que vejo um homem alto, tatuado, todo posturado com um olhar frio, confesso que dê primeiro momento, eu fiquei sem graça, digo até mesmo com vergonha, mas assim que ele abriu a boca, eu senti uma irritação pela forma que ele me confrontou, não costumo reagir assim, mas ele me deixou nervosa, seu olhar sobre mim me incomodou muito, deixando um conflito no meu peito. Ele entrou no carro e saiu cantando pneu, entrei novamente pra casa, sentindo uma sensação estranha, não era algo que realmente me agradasse, suspiro fundo, pela primeira vez sinto um calor, me deixando bastante confusa. O olhar daquele homem sobre mim, me deixou perturbada, nunca senti isso na vida, não sei se foi por causa que nunca tinha visto um homem assim, do porte dele. n**o com a cabeça de imediato e dobro os meus joelhos ali no chão mesmo, junto as minhas mãos e começo a orar pros pensamentos estranhos sumirem da minha mente. Horas Depois.. Eu levanto do chão, sentindo meus joelhos doendo, mas eu precisava fazer essa oração de horas, porque eu sentia que naquele momento, algo no meu coração estava errado, diferente de agora, porque estou sentindo uma paz dentro de mim, mas não tô conseguindo tirar aquele olhar da minha cabeça, isso não está certo, e eu não estou compreendendo, preciso ocupar a mente, ainda bem que amanhã já começa as aulas e finalmente vou ter algo pra me distrair, vai ser bom poder ajudar as crianças do morro, eu não tenho formação de professora, mas eu sei muita coisa, lá no convento, as freiras faziam oficina pra ajudar " as crianças necessitadas ", então eu sempre escolhia a parte de ensinar, era tão bom ver aqueles olhinhos brilhando, um olhar de esperança, aquilo ali aquecia o meu coração de uma forma, vai ser muito bom poder estar aqui ajudando, sei que a esse momento, as freiras devem estar me crucificando muito por ter fugido do convento, mas eu já sentia que ali não era o meu lugar, eu não queria continuar lá, por toda minha vida eu vivi da forma que elas queriam, como se eu fosse um fantoche nas mãos delas, principalmente da madre, ditavam o que eu tinha ou não fazer, nunca questionei, mas também, eu não era feliz, todas as freiras se reuniam com a madre, um lugar que eu não podia ir, segundo elas, eu sempre me perguntava o porque elas não me levavam, afinal se fosse uma obra como falavam que era, eu podia participar porque também sou freira, mas elas sempre vinham com uma desculpa, dizendo que não era o meu momento, que na hora certa eu iria poder fazer o mesmo que elas, isso me gerou uma certa curiosidade, então em uma madrugada chuvosa, eu resolvi esperar elas irem pra onde elas se encontram do lado de fora do convento, eu levantei da cama, e resolvi sondar o que tanto elas faziam, quando de fato eu vi o que era, saí correndo e voltei pro quarto com aquela imagem gravada na minha mente, todas elas fazendo ritual satânico, aquilo confundiu toda a minha mente, eu fiz uma oração e me cobri quase até a cabeça, mas eu não consegui dormi naquela noite, tanto que eu dividia o quarto com a madre, e cada passo que eu ouvia ela dando, antes de chegar no quarto, cantarolando, eu me arrepiava toda, sentia um medo horrível, e quando ela entrou no quarto, eu fechei os olhos e fingi estar dormindo, ela fez as coisas dela e eu senti ela sentando na ponta da minha cama, pensei em encolher meu corpo, mas ela saberia que eu estava acordada se eu fizesse isso, então eu continuei paradinha ali, senti suas mãos descer pelo meu corpo e ela sussurrou algo baixinho, não consegui entender, mas logo ela levantou com tudo e foi deitar na cama dela, eu agradeci mentalmente por ela ter se afastado, senti maldade nela. Aquela madrugada pra mim foi a mais longa, no outro dia ter que acordar e fingir que nada aconteceu, foi muito difícil, mas agi normal até chegar o momento de ir pras ruas a noite, pra entregar algumas quentinhas pros moradores de rua, a única coisa que eu pensei em fazer foi colocar umas peças íntimas e de dormi naquela pequena malinha, eu estava disposta a fugir, eu não queria pagar pra ver o que poderia acontecer comigo, caso eu continuasse ali. Quando a madre me perguntou sobre a malinha, eu inventei uma desculpa no momento e mesmo desconfiando ela deixou quieto, saímos pra rua a noite, era tudo ou nada, eu tinha a chance de tentar fugir e conseguir, ou tentar e ser pega, mas eu estava tão determinada a conseguir que não pensei em nenhuma consequência depois, caso eu não conseguisse, mas graças a Deus que colocou uma moça no meu caminho, porque quando eu corri, as freiras correram atrás e elas eram boas, quase me alçaram, mas aí uma moça parou o carro com tudo e abriu a porta pra eu entrar, não pensei duas vezes e entrei no carro dela, eu caí na besteira de olhar pela janela e só tive a visão da madre me encarando, apontando o dedo pra mim e negando com a cabeça, senti um arrepio todinho, mas já estava longe delas, então eu não precisava temer. Depois eu pedi pra moça me deixar na rodoviária, porque eu iria dar um jeito de ir embora, agradeci muito ela e disse que esperava um dia poder retribuir a sua ajuda, ela foi um amor de pessoa comigo, até me ofereceu o dinheiro da passagem, mas eu neguei, falei que não precisava porque as freiras não pagam passagem, então eu estava tranquila, mas mesmo assim ela fez com que eu pegasse pra comer alguma coisa, então eu peguei só pra não passar fome, ela me deixou ali na rodoviária, eu comprei um salgado e suco, me alimentei e peguei o ônibus, o meu destino sempre foi o rio de janeiro, e eu consegui, agora é só rezar pra que as freiras nunca me encontrem, se não eu nem sei o que vai ser de mim, elas são severas no castigo, me deixariam ajoelhada nas pedras por uns três dias brincando, não sei como eu nunca tinha percebido antes o quanto elas são malucas, mas agora eu quero esquecer, e nada melhor do que recomeçar a minha vida aqui no Rio. Sou tirada dos meus pensamentos mais uma vez, só que agora é pela campainha, penso em não abrir, mas vai que seja a Malu, não posso agir dessa forma com ela, então eu sigo pra fora novamente, assim que eu saio do lado de fora, eu vejo o mesmo moço que estava na barreira e falou com a Malu, o tal diäbo. Diäbo — E aí irmã, tranquila? Malu pediu pra trazer essas paradas pra tu, Jae _____ fala gesticulando com as mãos e me entregando a sacola — Obrigada, Deus lhe abençoe... ______ digo agradecida e ele concorda manjando com a cabeça Diäbo — Fé pra tu, mas tarde um dos crias vão trazer compras pra tu, não se assusta não Jae ______ fala e eu concordo mais uma vez. Ele da as costas, sobe na moto e acelera saindo das minhas vistas, volto pra dentro da casa e sento no sofá, abro todas as sacolas e vejo que são hábitos novinhos e cheirosos, sinto meu coração se aquecendo, agora sim vai dar tudo certo, como tem que ser... CONTÍNUA... 500 COMENTÁRIOS PRO PRÓXIMO ( lembrando que eu tô atualizando todos meus livros hoje meninas, então pode ser que vocês batam a meta, e demore um pouco para sair o capítulo, mas vai sair bebês.. )
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