Pov Lauren
" O mistério da existência humana não reside apenas em permanecer vivo, mas em encontrar algo por que valha a pena viver"
Camila, o nome dela rodou minha cabeça a noite toda. Eu não consegui dormir direito. Se dormi 3 horas essa noite foi muito, essa é a média nesses 4 dias. Acho que uma hora ou outra vou apagar de cansaço.
Olhei pela janela vendo o dia amanhecer, aqui era lindo era pra ser um lugar de inspiração mas eu só conseguia pensar em duas coisas: Camila e remédio.
Talvez eu deva escrever sobre isso, peguei meu caderno e uma caneta, me sentei no chão de madeira do quarto, com o caderno no colo, olhei pras montanhas, eu não tinha inspiração pra escrever nada, sobre nada. Eu não tinha motivo.
Mas eu já reconheci que tenho um problema coisa que eu nunca tinha feito, talvez esse seja uma inspiração pra compor, meu vício e a necessidade de ser perfeita pras 112 milhões de pessoas que me seguem no total nas minhas redes sociais, eu tinha que ser perfeita pra eles, inspirar eles. Mas eu sou humana e eu caio. Sempre.
Coloquei a caneta no papel, senti minha mão trêmula novamente, suspirei isso não vai passar nunca? Comecei a escrever.
" Eu posso segurar minha respiração
Eu posso morder minha língua
Eu posso ficar acordada por dias
Se é isso que você quer
Ser sua número um
Eu posso fingir um sorriso
Eu posso forçar uma risada
Eu posso dançar e atuar
Se é isso o que você pede"
Olhei satisfeita pro papel e peguei o violão, dei alguns acordes tentando achar um bom ritmo pra música enquanto eu cantava, não poderia ser rápido, tinha que ser suave.
Eu estava tão entretida na música por tanto tempo que me assustei quando alguém bateu na porta e abriu.
- Lauren - olhei pra porta e vi Maria que sorria pra mim - O café está pronto criança - falou, nem percebi que já tinha se passado tanto tempo assim.
- Obrigada Maria daqui a pouco eu desço - falei ela assentiu, saiu fechando a porta.
Guardei meu caderno e violão satisfeita com a música que eu estava fazendo. Tomei um banho rápido, o espelho estava embaçado do vapor quente do banho passei a mão no vidro pra poder limpar e ver meu rosto.
Eu tinha olheiras embaixo dos olhos, meu rosto mostrava que eu estava cansada. Olhei pra gaveta onde eu tinha colocado o recipiente redondo onde estava o remédio, só um e eu iria dormir como um anjo.
Respirei fundo lutando contra minha vontade, me olhei no espelho vendo o quão patética eu me tornei e sorri pra mim mesma, mas não era um sorriso feliz e sim de frustação comigo mesma, me veio na mente a multidão me aplaudindo e eu balancei a cabeça.
Mesmo depois da overdose muitos falaram que foi um acidente, que eu não tinha traços de uma pessoa com depressão e ansiedade. Era apenas uma fase que iria passar. Eles não queriam ver quem eu sou mas eu sei quem eu sou e o que faço. Nada foi um acidente, eu fiz porque eu queria fazer.
Tentei disfarçar um pouco das minhas olheiras e cara cansada com a maquiagem. Vesti uma roupa de frio confortável e uma touca, eu gostava das toucas, desci pra tomar café da manhã, encontrei as meninas na mesa já comendo.
- Bom dia - falei pra elas que sorriram pra mim.
- Bom dia Lauren - falou Vero.
- Bom dia Lauren, conseguiu descansar um pouco? - perguntou Normani.
- Dormi o mesmo que nas noites que passou - falei, Normani suspirou.
- Isso é r**m - ela disse enquanto eu comia uma torrada.
- Isso, que é r**m - falei esticando minha mão que estava trêmula.
- Sabíamos que iria ser r**m no começo - falou Vero - Mas estamos aqui pra te ajudar - falou.
- Vai ficar pior ainda - falei, elas assentiram.
- E eu quero que você fale pra gente quando ficar pior de verdade - falou Normani.
Apenas assenti não falando mais nada, depois que eu terminei de tomar café minha mãe me ligou pra saber como eu estava. Ela era professora e não podia largar o ano letivo pra vir aqui. Mas no final do ano ela vira, daqui uma semana o mês de novembro começara então provavelmente eu iria passar o final do ano aqui.
Decidimos dar uma volta na cidade hoje era Sexta. Chamei Maria pra vir com a gente também, o dia hoje estava nublado, um vento frio vindo do oceano cortava o ar deixando tudo mais frio ainda, Vero poderia ter escolhido uma ilha deserta.
Fomos até o centro da cidade onde hoje estava rolando uma feirinha, as pessoas por onde passávamos ficava nos olhando, éramos de fora, mas ninguém veio até agora tirar fotos comigo e isso era ótimo. Eu podia me sentir normal novamente, andando pelas ruas sem estar cercada de pessoas tirando fotos minha.
Parei em uma barraquinha onde tinha vários colares e brincos feitos a mão, tinha algumas pedras bonitas também. Comprei um colar que tinha uma pedra azul fininha, segundo a moça da barraca era uma pedra da lua verdadeira que foi achada no mar.
Maria comprou peixe e mariscos frescos pra fazer o almoço, Vero comprou um livro pra ela e Normani não comprou nada, ela estava mais interessada no celular, ela vivia com ele, não se separava dele nem pra dormir.
Voltamos pra casa perto das 11h subi direto pro meu quarto porque eu não estava me sentindo bem, meu coração estava acelerado, eu estava suando no frio, tirei o casaco e me sentei na cama tentando respirar.
- Lauren - olhei pra Normani que já estava na minha frente - O que está sentindo? - perguntou.
- Falta de ar, estou suando frio, estou me sentindo tonta - falei, ela suspirou.
- Crise de abstinência - falou, assenti - Só posso ficar aqui com você te dando força, não tem muito o que eu passa fazer, você vai ter que passar por isso durante umas semanas - falou.
- Eu sei - falei fechando os olhos tentando buscar o ar - Vou me sentir melhor se você não fica aqui me vendo sofrer - falei, ela suspirou.
- Qualquer coisa, você me chama - falou e saiu do quarto.
Sofri por mais de 30 minutos com a crise de abstinência, ela passou depois de vomitar o café que eu tinha comido mais cedo, eu estava me sentindo cansada, minha boca seca. Eu só queria que essas merdas passassem, eu só queria dormir.
Depois de tomar um banho rápido, vesti roupas quentes e minha touca que no momento era minha melhor amiga, olhei pro armário no banheiro de novo e sai rápido da li. Peguei meu caderno e desci as escadas.
- Tá melhor? - perguntou Vero.
- Depois de vomitar o café, melhorei - falei com deboche por causa da situação que eu me encontrava.
- Essa merda - falou Vero.
- Vou dar um volta - falei abrindo a porta.
- Você precisa comer e se você passar m*l de novo? - falou Normani.
- Meu estômago tá r**m, e eu ainda estou passando m*l, é um estado que não passa, vou ter que conviver com isso algum tempo - falei.
- Se você se sentir m*l é só ligar - falou Normani, concordei com a cabeça.
Andei pelas ruas de Sitka sem saber bem pra onde ir com meu caderno na mão, no fim eu estava dentro do café onde Camila trabalhava, tinha algumas pessoas por lá. Vi a loira atendendo uma mesa, a outra mais baixinha estava atrás do balcão e não vi Camila, entrei e me sentei no fundo com meu caderno.
- Sonhos? - aquela voz falou me tirando do meu transe.
Olhei pro lado e Camila estava com um pequeno caderno na mão e um sorriso no rosto, eu estava tão distraída que nem tinha visto ela chegar.
- O que? - perguntei confusa ela sorriu mais.
- Sonhos - falou e apontou pro meu caderno, olhei e revirei os olhos, eu nem tinha percebido que tinha escrito isso nele - O que tem eles? - perguntou.
- Não sei, não fazem mais tanto sentido agora - falei ela ergueu uma sobrancelha.
- Como não? Sonhos é o que dá sentindo a vida - falou dei de ombros.
- Eu já realizei todos que eu queria - falei ela fez uma careta que eu achei fofa.
- Isso não é possível, não tem nada que você não sonhe ou que queira? - perguntou, dei de ombros.
- Não sei, tudo que eu queria ter ou fazer eu tenho e fiz, então não sei se tenho mais sonhos pra realizar - falei, ela ficou pensativa.
- Não sei se isso é r**m ou bom - falou, sorri torto - Se uma pessoa não tem sonhos pelo que ela vive? - me questionou, realmente pelo que eu vivo? Eu não sei.
- E você? Quais são seus sonhos? - perguntei, tirando o foco de mim, ela abriu um lindo sorriso.
- Quero me formar em Medicina, ter meu próprio consultório e uma família - falou, sorri.
- São bons sonhos - falei, ela assentiu.
- Quer alguma coisa? - perguntou, eu não queria porque meu estômago estava r**m mas eu não ficaria aqui sem consumir nada.
- Um café, e alguma coisa pra acompanhar pode escolher, confio no seu julgamento - falei ela deu um sorriso e assentiu.
Camila era uma pessoa boa, tinha sonhos até que comuns, ela poderia realizar todos. Eu não tenho sonhos, não mais. O meu sonho era cantar e da uma vida boa pra minha família, consegui fazer os dois. Viajar o mundo, ganhar um Grammy e me apresentar na Times Square, também já realizei todos. Então eu não tinha sonhos, me livrar do meu vício talvez seja um sonho mas eu coloco mais como meta.
Não demorou muito e Camila trouxe o que eu pedi e um prato cheio de bolachinhas de maisena, ela falou que a mãe da Ally que fez, eu não sabia quem era Ally mas a mãe dela era boa porque as bolachinhas eram ótimas.
Pov Camila
" Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo"
Ela estava lá, sentada escrevendo no caderno dela distraída e eu i****a vendo ela lá sozinha. Ela falou que não tem mais sonhos, não sei se isso é bom. Uma pessoa sem sonhos vive pelo que?
- Camila - olhei assustada pra Dinah que me olhava com um sorriso no rosto - Lauren tá ali a tanto tempo, ela precisa de uma amiga - falou batendo no meu ombro.
- Acho que ela tá compondo, tá escrevendo concentrada, não quero atrapalhar - falei, Dinah ficou pensativa.
- Será que ela e as amigas gostariam de ir a uma festa? - perguntou, ergui uma sobrancelha.
- Bar do Sam? - perguntei Dinah sorriu.
- Convida ela, se ela for a morena também vai - disse piscando pra mim, revirei os olhos.
- Entendi, tudo pela morena né? - perguntei ela sorriu.
- Se você quer manter sua virgindade até o casamento não posso fazer nada mas eu quero me divertir - ela disse, balançei a cabeça.
- Não quero manter virgindade nenhuma só acho que o Austin e a Luma não eram o que eu buscava - falei, Dinah deu de ombros.
- Ok, tanto faz. Convida a artista, você tá caidinha por ela - falou.
- Não to não - falei.
- Tá sim - falou Ally que eu nem reparei que estava ouvindo tudo.
- Até você Ally? - perguntei ela sorriu.
- Convida, elas precisam se divertir também, Lauren parece gostar daqui - falou Ally.
- Pra esta aqui a 3 horas tem que gostar - disse Dinah me fazendo rir.
Acho que Lauren estava tão concentrada em seu mundo que nem viu o tempo passar. Não seria r**m chamar ela pra ir em uma festa. Ela deve estava entediada.
Continuei fazendo minhas coisas, o café estava vazio, exceto por uma pessoa. Uma hora eu vi a Lauren se aproximar da mesa que eu estava limpando, ela se encostou na mesa cruzando os braços, e sorriu de lado.
- Pensei no que você falou sobre sonhos - ela começou, encarei seus olhos extremamente verdes - Acho que é por isso que estou aqui, porque parei de sonhar - falou, quão horrível é pra uma pessoa não ter sonhos?
- E porque parou de sonhar? - perguntei, ela deu de ombros.
- Não sei, ainda estou trabalhando nisso - falou, ela estava quebrada de todas as formas e isso era visível.
- Quando descobrir você me fala - falei, ela assentiu.
- Tenho que ir, Normani já me ligou algumas vezes - ela disse olhando pro celular - Quanto devo? - perguntou, ela tinha tomado um café e comido algumas bolachas não era muito.
- 20 dólares - falei ela assentiu e tirou do bolso uma nota de 50 e colocou na mesa - O troco é a gorjeta belo bom atendimento, ótimo café e deliciosas bolachinhas, agradeça a mãe da Ally - falou me fazendo rir.
- Obrigada. Vou falar a Patrícia - falei, ela me deu um sorriso torto.
- A gente se vê por aí - falou e começou a andar.
- Lauren - falei ela se virou e me olhou - Tá afim de ir a uma festa amanhã? - perguntei ela ergueu uma sobrancelha.
- O que vamos comemorar? - perguntou, sorri.
- A vida - falei, ela sorriu.
- Preciso comemorar minha segunda chance, ainda não tive a honra de fazer - falou Lauren.
- Bar do Sam, as 22h, boa bebida, música e gente divertida - falei ela assentiu.
- Obrigada pelo convite, estarei lá - falou sorri.
Ela saiu do café e eu fiquei sorrindo como uma i****a. Talvez eu esteja obcecada em desvendar o mistério que era Lauren Jauregui.