O estampido do tiro reverberou nos azulejos da cozinha. O corpo de Mattia cedeu para a frente. O baque do rosto dele contra o piso de cerâmica branca soou oco. Uma poça vermelha e espessa começou a se expandir a partir da cabeça dele, contornando o rejunte do chão. Eu não fechei os olhos. Não abri a boca para gritar. O som ao meu redor sumiu, substituído por um zumbido contínuo. O ar não entrava e não saía dos meus pulmões. O meu corpo não me pertencia mais. O homem de Palermo estava morto aos meus pés. Alessio abaixou a mão. Ele não olhou para mim. Guardou a pistola no coldre sob o paletó com movimentos mecânicos. — Peguem o corpo — a voz do meu pai soou distante, como se viesse de trás de um vidro grosso. — Joguem em qualquer rua escura desta cidade. Eu não quero os meus homens cava

