Capítulo 11: Aurora

1030 Palavras
A luz amarelada do abajur sobre a mesa de carvalho parecia incendiar as bordas dos livros contábeis, mas nada ardia tanto quanto o lugar onde a boca de Mattia me tocava. Eu estava sentada sobre os registros de exportação do meu pai, sentindo o papel áspero e frio amassar sob minhas nádegas nuas, enquanto as mãos de Mattia prendiam minhas coxas com uma força que prometia hematomas, cores roxas que eu desejava. Eu nunca imaginei que a língua de um homem pudesse ser tão precisa, tão devastadoramente habilidosa. Era a minha primeira vez sentindo aquilo. Cada movimento dele era uma invasão de calor que subia pela minha espinha, desmanchando qualquer resquício da "Santuzza" que Alessio Marino tentou criar. Eu não era mais uma filha obediente; eu era uma mulher sendo devorada pelo d***o no coração da fortaleza de Deus. Gemi baixo, a cabeça pendendo para trás, meus dedos enterrados nos cabelos escuros dele, puxando-o com uma fome que eu não sabia que possuía. O prazer era uma onda violenta e rítmica que me fazia tremer da ponta dos pés à raiz dos cabelos. Quando o orgasmo finalmente me atingiu, foi como uma pequena morte. O mundo se dissolveu no contraste entre a maciez da boca dele e a rigidez da mesa sob meu corpo. Gozei sem conseguir conter um choro abafado de satisfação, sentindo o pulsar da minha flor contra os lábios dele. Recuperei o fôlego enquanto ele se levantava, limpando o canto da boca com o polegar. O olhar que ele me lançou era de posse pura. Aquele desgraçado não deixaria outro homem tocar em mim, e eu queria que fosse assim enquanto vivêssemos. Sem hesitar, eu deslizei da mesa. Meus joelhos cederam por um segundo, mas eu me apoiei nele. Eu queria retribuir. Queria sentir o gosto do homem que atravessou a ilha por causa de um carimbo de batom, uma b****a desenhada em uma folha de papel. Ajoelhei-me no tapete persa do escritório. Com as mãos trêmulas, abri o cinto dele e liberei sua ereção. Era massiva, quente e latejante sob a luz fraca. Comecei a masturbá-lo, sentindo o couro da pele dele contra a palma da minha mão, antes de envolver a cabeça do seu m****o com a minha boca. Mattia soltou um rosnado baixo, suas mãos descendo imediatamente para a minha nuca. Ele não foi gentil. Ele nunca seria. Seus dedos se fecharam nos meus cabelos loiros, e ele começou a empurrar, guiando-me para aceitar mais dele do que minha garganta parecia suportar. Eu engasguei. O ar faltou e uma tosse involuntária me forçou a me afastar por um segundo. Olhei para cima, com os olhos lacrimejando pelo esforço, e vi Mattia me observando com uma intensidade sombria. — Sentiu vontade de vomitar? — Ele perguntou, a voz mais rouca do que o normal. — Não — respondi com uma audácia que o fez sorrir de canto. — Então de novo. Mais devagar. Deixe-me entrar. Ele guiou minha cabeça novamente. Desta vez, relaxei a garganta, deixando que ele me preenchesse por completo. Era uma sensação de invasão absoluta; o p*u dele ocupava cada espaço, bloqueando minha respiração e lembrando-me de que ele era o meu dono naquele momento. Fiquei ali, sentindo o pulso da vida dele no fundo da minha garganta, até que a falta de ar se tornou insuportável. Tirei-o da boca, ofegante, uma linha de saliva conectando nossos corpos. — Está perto de gozar? — Perguntei, limpando o rosto. — Não — ele disse, ajeitando a postura, embora os olhos estivessem dilatados. — Você vai precisar usar mais do que a boca para me fazer chegar lá, santinha. E não temos tempo agora. O estalo de realidade me atingiu. Olhei para o relógio na parede e depois para a porta trancada. O tempo estava correndo contra nós. Alessio poderia terminar suas orações ou o que quer que estivesse fazendo a qualquer momento. Levantei-me rapidamente, ajeitando a saia do meu vestido de linho e escondendo a evidência da minha nudez sob o tecido. Caminhei até a jarra de cristal com as mãos ainda trêmulas e servi a água no copo de Mattia, um disfarce perfeito para a minha presença ali. Ele se sentou na cadeira, recompondo a máscara de Sottocapo focado nos livros contábeis, enquanto eu destrancava a porta com o maior cuidado possível. Girei a maçaneta e abri. O coração parou. Meu pai estava parado no corredor, a poucos centímetros de mim. Seu rosto era uma máscara de solenidade, as mãos entrelaçadas nas costas. — Aurora — ele disse, sua voz ecoando no corredor de pedra. — Papai — respondi, forçando um tom de voz calmo que eu não sentia. — Eu já estava de saída após garantir que o Signor Santoro tivesse água fresca para o trabalho. Alessio olhou para dentro do escritório, por cima do meu ombro. Mattia não levantou a cabeça; ele estava imerso em uma planilha, a imagem da diligência. — Não o atrapalhe mais, Aurora. O Sottocapo tem uma tarefa séria e o tempo de Romeo Rossi é precioso. Vá para o seu quarto. — Sim, papai. Boa noite. Ele apenas assentiu e me dispensou com um gesto de mão. Caminhei pelo corredor, sentindo o peso do olhar dele nas minhas costas. Cada passo parecia uma eternidade. Ao dobrar o corredor em direção à escadaria das meninas, dei de cara com Beatrice. Ela estava encostada na parede, envolta em um xale escuro, observando-me com uma desaprovação que beirava o nojo. Beatrice não disse uma palavra, mas seus olhos focaram na minha boca e depois na barra do meu vestido levemente amassada. Eu não parei. Não dei a ela a satisfação de uma explicação ou de uma desculpa. Passei por ela como se fosse um fantasma e entrei no meu quarto, fechando a porta com um suspiro que saiu como um riso nervoso. Sentei-me na cama, sentindo o latejar entre minhas pernas e o gosto de Mattia ainda persistindo na minha língua. Olhei para o meu reflexo no espelho e sorri. Alessio Marino acreditava que estava protegendo sua fortaleza, mas ele não percebia que o d***o já se encontrava sob o seu teto, e eu estava nas mãos dele.
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