O outono chegou a Messina esfriando o vento que soprava do estreito. As folhas das árvores no jardim da Villa Marino ganharam tons de cobre e começaram a cair, forrando o cascalho do pátio com uma camada seca. Novembro se aproximava. Os meses haviam passado em um borrão na minha mente. Eu funcionava no automático. Acordava, vestia as minhas roupas de gola alta, acompanhava as minhas irmãs nas refeições e ia à missa aos domingos. Mastigava a comida sem sentir o sabor de nada. Caminhava pelos corredores sem alterar a expressão. A filha rebelde havia sumido. O que sobrou de mim era uma casca oca. Alessio via a minha quietude como o resultado de um arrependimento divino. Ele elogiava a minha obediência nos jantares, alheio ao fato de que não havia mais vida dentro de mim para gerar qualquer

