Capitulo 21

617 Palavras

Ele ofegava pesado, puxando o ar pela boca, a mão tremendo de ódio puro e impotência, o suor pingando grosso da testa e caindo na gola da farda. A respiração dele era um chiado patético. A humilhação de ser peitado de frente, sem filtro, desmascarado e reduzido a lixo pela própria irmã caçula no meio da própria sala, dentro da própria delegacia, destruía e pisoteava o que ainda sobrava da masculinidade de papel machê dele. Ele sabia lá no fundo, e eu também sabia, que ele nunca ia atirar. Eu não tinha medo dele. Nunca tive, nem quando a gente dividia o mesmo teto. A covardia dele sempre foi óbvia e fedorenta pra mim, desde a época de moleque. Com um rosnado alto, engasgado e frustrado, como um cachorro castrado que late mas não morde, ele abaixou a arma. Puxou a trava e bateu a pistola no

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