VIOLET THOMPSON

3159 Palavras
— Não moço, por favor! Eu vou com você, mas não faz nada com ele, por favor! — Implorei inutilmente pela vida de Victor, não sabendo que após o estranho estar comigo sobre suas posses ele iria atirar em meu amigo, não poupando a mim. O tiro... A tortura… Deixei-me ser levada, depois de tudo, me deixei ser consumida! Anos após anos sofri para me sustentar e não sucumbir. Anos após anos, lutei sem algum motivo maior... Talvez eu ainda não tivesse aceitado a minha situação, talvez eu houvesse pensado que era apenas uma fase e meus pais iriam me amar de novo e me buscar. Mas ele não veio. — Por favor, para! — minha voz saiu fraca enquanto o homem a minha frente retirava as minhas roupas. — P-por f-favor... — senti sendo violada, senti minha vida sendo destruída. O amargo em minha boca, a garganta seca tremores por todo o corpo. — Oh! Se teu namoradinho não vier, talvez eu faça de você minha p*****a oficial! Que b****a apertada!! — ele não parava, ele me machucava. E eu sentia nojo, sentia a necessidade de sumir dali e por alguma razão infundada poder dar um fim a todo o sofrimento! — Por f... — meu rosto virou num tapa forte, a ardência tomou conta da bochecha esquerda. Vi o homem careca de olhos fechados e suspirando pesado no canto da sala. — Calada v***a! Mulher foi feita para servir e com você não será diferente! — ele queria me quebrar e estava conseguindo. Ele se levantou me largando no chão, pegou o celular que ficava sem parar de cima de uma mesa e sorriu de lado ao atender a chamada. — Estamos ficando sem paciência doutorzinho! — escuto um resmungar rouco saindo do alto-falante, as lágrimas rolaram e não consegui ser forte o suficiente para não chorar. — Dalamon... — Já tenho o que você precisa. Estou indo ai, me dê mais tempo! — senti meu coração acelerar enquanto segurava minhas pernas contra meu corpo, o homem faz sinal para o careca me pegar e me encolhi ainda mais. Medo. Era ele! Dalamon não havia desistido de mim. O esperei por muito tempo, queria que ele viesse e enfrentasse toda a minha raiva! Queria tanto que alguém lutasse por mim, mesmo eu não permitindo... Ele havia errado tanto ao invadir minha vida, ao ter tocado em meu corpo sem minha total permissão... Por ter sido meu primeiro amor. — O acordo mudou me arrume um carro e deixe-o do lado de fora. Quero que os documentos estejam no porta-luvas, caso o contrário ela morrerá. Senti meu corpo ser elevado do chão por braços fortes. Segurei minhas roupas com força enquanto não tinha coragem de abrir meus olhos — Não se preocupe moça, vai dar tudo certo. — a voz grave do homem que me carregava saiu suave e um tanto tranquilizadora, mas não o suficiente para meu coração quebrado. Ele me deixa no cômodo vazio, aproveito para me vestir. Talvez eu possa sair dessa, eu preciso lutar de alguma forma, pois sinto que Dalamon está lutando por mim. Caminhei lentamente até a porta e girei a maçaneta apenas constatando que estava trancada. Uma lágrima caiu de meus olhos enquanto senti meu mudo ruir. Minhas esperanças estavam por um fio e minha alma sendo tomada por uma enorme angústia esmagando todos os sentimentos, apenas o medo sobressaia aos outros. Apenas o medo. Minutos que pareciam eternidade, não sabia exatamente o que fazer quando a porta se abriu e o homem careca me tirou dali, me fez andar por todo o prédio até ser notado à saída e de costas para mim o meu agressor estava parado ao lado de fora. — Dalamon... Ele estava lá, era ele! Seus olhos me analisam de cima a baixo de forma lenta, notei alívio em sua expressão ao saber que parcialmente eu estava bem. Bem apenas por fora, porque por dentro tudo começou a apodrecer aos poucos... — Trouxe os documentos? — ele diz de forma ameaçadora, notei que Dalamon ficou atento a todos os movimentos ao seu redor. — Perdoe- me... — a voz atrás de mim me fez tremer e em seguida senti um cano encostar-se a minha cabeça e minhas pernas serem obrigadas a se movimentarem. — Está no porta-luvas. — meu agressor passa seu braço em volta de mim me fazendo ter náuseas. — Está tudo aqui chefe. — o careca sai do carro com os documentos. Dalamon ficou tenso e senti a mão em minha cintura aumentar o aperto. — Trouxe alguém com você? — gritei em desespero quando senti meus cabelos ser puxados para trás. Fui empurrada até o carro preto e jogada de qualquer forma na parte de trás. — Droga! NÃO MERDA! — ouço os gritos de Dalamon e em seguida o carro saindo em disparada ao som de tiros acertando a lataria. O carro corre e em todos os momentos me mantive com os olhos fechados e encolhidos no banco traseiro. Pouco tempo depois meu corpo é sacolejado, os vidros do carro se quebram e sinto meu corpo cair com força na água. Tentei lutar com todas as minhas forças, mas os esforços estavam sendo inúteis e meu corpo cansado, comecei a aceitar o fim de tudo. Fechei meus olhos para poder nunca mais abri-los. * * * Meus olhos se abrem lentamente, minha cabeça doía de forma que eu não conseguia manter meus olhos abertos. Sinto que meu corpo se movimentava na água do rio, mas havia braços me segurando. — Fique acordada, irei te levar para um hospital. — a voz grossa ecoava em minha mente enquanto tentei focar no rosto do homem que me carregava para fora do rio. Fechei meus olhos tentando suportar a pressão no corpo e na cabeça. Abro-os sentindo meu corpo sacolejar, tento de novo focar meu olhar, mas nada do que o vazio, imagens torcidas. Fechei os novamente. — Está tudo bem? Fale comigo... Fique acordada! — a mesma figura e a mesma voz tentaram me comunicar. Senti ser colocada em cima de algo e ser locomovida, flashes de luz passavam pelas minhas pálpebras e algumas pessoas conversavam junto com a voz masculina. — Onde a encontrou senhor? — uma voz feminina, meu corpo sacolejou. — Na beira do rio... — perdi o foco e novamente fechei os olhos. — Dr. a paciente já havia sido operada. — não conseguia abrir meus olhos. — Deixe-me ver... — forcei meus olhos abrir de novo, por alguns segundos ficaram abertos e fecharam novamente. — Doutor, a paciente está com os batimentos acelerados. — Está convulsionando! Prepare o tubo de oxigênio, precisamos induzir. — senti meu nariz arder como se eu estivesse respirando água, ao mesmo tempo meu corpo se debatia na medida em que o vômito passava pelos meus aparelhos digestivos. — Rápido! Estamos a perdendo! — aos poucos me senti sem ar, sem motivo algum ao quê me agarrar. — Doutor, os pulsos estão ficando fracos. — Preparem 2/6 de Adrenalina. — as vozes ficavam cada vez mais baixas, senti minha essência esvair-se e aos poucos se tornar um nada. Paz. *** — Filha? Você está aqui minha filha? — Mamãe? É você mamãe? — senti meu corpo sacolejar e uma eletricidade percorrer por tudo. Ouvi risadas de uma garotinha de cabelos negros que corria livre por um campo. Linda! Talvez com seus cinco anos. Seus olhos azuis reluzentes eram perfeitos e ela dançava e rodopiava descalça sobre a grama molhada. Seu sorriso era encantador! — Oi. — ela parou em minha frente, sorridente. — Oi. — respondi confusa. — Você é feliz? — ela segurou em minha mão e nós duas sentamos sobre a grama. — Talvez. — eu era feliz? Um dia eu fui feliz, antes de meus pais me largarem a sorte, eu era... — No que está pensando? — olho para a garotinha e ela segurava seu ursinho rosa. Não me assustei por ela saber meu nome, bom acho que temos muito em comum. — Na vida. Ela é complicada... — sorri sentindo o amargo subir até minha boca. — Hum. — ela continuava a brincar com o ursinho. - Sabe a vida nunca foi fácil. Suspirei, por ela ser tão pequena, sabia de coisas que só eu poderia saber... Talvez ela seja eu mesma. — Quer ver uma coisa legal? — ela me puxou para levantar e a segui até o balanço também da cor rosa. Uma borboleta azul pousa nos cabelos dela e fico admirando-a balançar e a borboleta não voar, como se fosse apenas uns enfeites de cabelo. — Será que meus pais me amam? — sou surpreendida com ela quase chorando. Tentei encontrar alguma resposta, mas não havia nada além de se consolar. — Eu não sei... — bufo chutando umas pedras sobre a areia. — É que eles sempre brigam quando pensam que estou dormindo. — Bom adultos brigam o tempo todo. -—dou de ombros, sentindo um frio percorrer todo o meu corpo. Meus pais também brigavam pela casa, às vezes eu ficava quieta no canto do quarto com as mãos nos ouvidos. — Ei! -— olho para o balanço vazio e procuro pela menina. — Onde você foi parar?! — meu peito se aperta com uma sensação r**m. Ando pelo campo inteiro até chegar a uma estrada deserta. Sigo-a sentindo que algo estava errado. — Tem alguém ai? — novamente a sensação de estar em perigo, um aperto no coração. Viro as costas para olhar o campo de longe, ao voltar para frente noto uma cabana velha e abandonada. — Filha? É você? — escuto a voz ecoar de dentro da casa e os gritos da garotinha ao fundo pedindo socorro. — Não! — corri até a casa, entrei nela não vendo nada além de poeira e móveis quebrados. Andei pela casa ainda ouvindo a garotinha chorar. — Filha? É você? — minha mãe gritava desesperada. Subi as escadas as pressas, dou de frente para um corredor escuro e no final havia uma porta aberta. Meus passos se tornaram cautelosos, a garotinha havia parado de chorar e eu apenas sentia meu coração bater. Lento e calmo... Meu medo reagindo nos poros e eriçando os pelos do meu corpo, fazendo com que meu coração batesse mais lento. Calmo e lentamente... Meus pés rangendo ao pisar no piso de madeira, minhas pernas trêmulas, minha respiração calma. Aos poucos me aproximava, aos gradualmente, meu corpo ficava mais sem controle. O suor frio já se encontrava presente em minha coluna quando encostei minha mão na maçaneta... — Olá? Tem alguém... A garotinha estava pendurada pelos pés. Em sua boca saia um líquido vermelho, seus olhos estavam abertos minando lágrimas. — Não! — Filha é você? — a voz que antes era de minha mãe, agora é de meu pai, e se tornava mais perto, junto a passos de fora do cômodo. — Desculpa Violet. — a garotinha gemeu fechando os olhos. — Não consegui evitar... Ele está vindo... — senti minha garganta queimar, os lábios secarem. — De quem você está falando? — Por que ela estava aqui? Por que estou aqui? Por que não consigo me lembrar de mais nada? Ou de ter chego neste lugar? Tudo está fugindo de mim. — Achei você! — era meu pai! Ele estava sujo de sangue, seus olhos fundos e negros. Seu rosto magro e o corpo ressequido, ele segurava uma faca e sorria macabro para mim. — Fu…ja! — a garotinha disse dando seu último suspiro, o homem que era meu pai distorcido acerta a faca em meu peito. Cai no chão tentando estancar o sangue que jorrava do ferimento. — Está feito. — ele riu de forma fria, enquanto me via desfalecer aos seus pés. Meu corpo amolece e minha visão se apaga. * * * Um barulho alto e constante alcançou os ouvidos de toda a equipe médica de dentro da sala de cirurgia. O cirurgião e a médica auxiliar ficaram atentos no monitor, precisavam de certa forma, prosseguir com a cirurgia. A paciente chegou e u estado crítico e seu coração parecia estar em colapso. — Doutor, estamos perdendo ela!! — a cirurgiã auxiliar monitora a tela com a linha totalmente reta e ao mesmo tempo o alarde de que uma parada cardíaca havia se começado. Ele teria que ser rápido em suas decisões, cada segundo conta, a cada instante, tudo depende do tempo. A vida e decisões erradas podem desencadear grandes consequências, médico precisa utilizar de seus conhecimentos e de suas habilidades de forma precisa. — Injete ⅔ de epinefrina na veia da paciente. – instantes depois, foi feito o que lhe foi dito, enquanto o médico tentava de todas as formas reanimarem a paciente que por um milagre, havia sobrevivido na queda da ponte. Agora, ela corria sérios perigos. — Não está funcionando doutor! — a mulher diz assim que não nota nem se quer uma batida fraca no monitor. — Aumente a dose para ¾ de epinefrina e mantém o ritmo da bomba. — Sem reação doutor. — ela diz após analisar o monitor cardíaco. — Droga, você pegue o desfibrilador. — O doutor preparava seus instrumentos sobre a mesa de ferro, ele havia acabado de operá-la para tentar corrigir uma obstrução na válvula direita. — Rápido! — Aqui doutor. — um rapaz igualmente vestido de verde aparece com o objeto em um carrinho com rodinhas. — Aumente a voltagem para cem... — ele dá a ordem enquanto a ajudante segurava um balão de oxigênio e bombeava manualmente conforme a contagem de descargas elétricas sobre o corpo já pálido. — Ok, diminuem para 90. — o corpo sacoleja sobre a mesa de cirurgia e nenhuma reação ocorria. — Continue bombeando... — Mais uma dose de ⅜ de epinefrina. — e nada. O tempo se passava lentamente e a cada segundo sem pulsação, menores são as chances de sobrevivência. Violet realmente estava morrendo. *** Abro lentamente meus olhos, a primeira coisa que vejo são paredes brancas, uma pequena janela fechada e ao lado esquerdo uma porta verde. Havia algo, como um barulho repetitivo e irritante. — Oi. — a voz grave veio do lado direito e ao focar meus olhos, notei um homem barbudo e cabeludo me encarando. Ele tinha um porte de lutador, com uma cicatriz no lado esquerdo de seu rosto. Assustador! Porém, bonito. — Oi. — respondo sentindo minha garganta seca. Ele se levanta e eu me encolhi. — Calma, vou só avisar o doutor que você acordou. — seus olhos, mesmo que perigosos, de alguma forma, conseguiam demonstrar confiança. — S-Sim. — consegui responder sentindo toda a garganta doer, ele sai pela porta a minha frente. Olho para meu corpo e vejo fios no meu b***o, levo as mãos ao meu rosto e sinto que há pequenos canos nas laterais dele que seguiam até meu nariz. Tento lembrar algo, mas nada me vem a cabeça. Nem mesmo meu próprio nome. Quem sou eu? A porta se abre e dela entram o homem barbudo mais outro todo de branco. — Bom dia Srtª, sou o doutor Agnes. Como se sente? — ele vem em minha direção, enquanto o outro se manteve de pé perto da porta. — Sinto-me bem, mas também sinto que está faltando algo... – Confesso que estou muito assustada. Acordei em um hospital sem saber de quase nada sobre mim. — Hum. Certo! — ele anota algo em uma prancheta. — Pode me dizer seu nome? Meu nome? Meu... Nome. Pensei um pouco tentando me lembrar de alguma coisa vagueei meus olhos pelo quarto me perdendo no olhar do homem parado na porta. — Eu... Não sei. — respondo em uma lufada de ar. O homem na porta se mexe inquieto, suspira e se aproxima. — Sabe pelo menos de onde você veio? Sua família? Algum parente... — ele diz e noto sua impaciência ao tom grave. — Não. — respondo ao tentar forçar minha mente. A sensação era horrível! Como se... Pertencesse a um lugar, mas ao mesmo tempo a lugar algum. Minha cabeça está apenas, vazia. — Droga! — ele xinga e o médico me direciona um sorriso sutil. — É normal algo desse tipo acontecer, você poderia ter sequelas piores, não poder andar, falar, comer sozinha, entre outros. — Moça, eu te achei sobre a beira do rio East... – o homem barbudo diz e fico sem o que responder. — É. Teve muitas sorte Srta. — o médico fala se distanciando. O rio? Lembro apenas de ter caído na água, memórias torcidas começam a surgir! Uma batida de carro... Meu grito e em fim, a escuridão! — E-eu não me lembro. — respondo apreensiva. Pela primeira impressão ele pode ser um cara confiável, mas ainda assim mantenho minhas dúvidas. Ele suspira. — Bom, acho que não temos mais nada a fazer. — o doutor diz com um leve sorriso no rosto, parecia convicto no que estava falando. — Você precisa se lembrar de aos poucos, talvez precise de uma assistência Social. E quando perceber, já terá sua vida normal de volta. — Espera. O que aconteceu comigo? — analisei todos os fios em meu corpo ligados às máquinas do lado direito. — Precisamos fazer uma operação simples em seu coração. Ele estava apresentando uma deformação no ventríloquo direito, utilizamos um cateter para desobstruir uma artéria. — o médico fala, senti um leve cansaço. Fechei os olhos e respirei fundo. — Sr. Greco, deixarei este receituário. Ela precisará tomar alguns analgésicos para dor e antibióticos, para a imunidade baixa a paciente pode começar uma alimentação mais saudável e pequenas caminhadas. — Ok. — o ouço responder pegando o papel amarelo. — Ela só terá algumas restrições e recomendações quanto à higienização da incisão, irei dar a alta pela tarde. Uma enfermeira virá para retirar o aparelho respiratório. E assim ele sai pela porta, me deixando sobre os olhares do tal Greco. — Então, não se lembra de mesmo de nada? — ele senta sobre a poltrona ao lado da minha cama. — Não. — respondo apreensiva. — Podemos começar então. Chamo-me Ricardo. — ele estende a mão e retribuo o cumprimento. — Eu não sei o meu nome. — respondo sentindo o vazio me consumir. — Eu não me lembro de nada! Uma lágrima cai de meus olhos e sinto uma mão a enxugando de meu rosto. Greco estava bem perto de mim, fazendo meu constrangimento aparecer como vermelhidão em minhas faces. — Ei, você pode recomeçar. Está bem? Que tal um nome novo que você goste? — Amélia. — respondo, era um nome familiar para mim, o único que eu sentia fazer parte de mim e achei que seria um ótimo nome. — Amélia? — concordei com a cabeça e ele sorriu satisfeito. — Lindo nome. — Então, neste caso... bem- vinda de volta ao mundo Amélia!
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