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❀19.02.2008, Terça-feira.❀
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No alto dos meus quinze anos o que mais poderia resolver os meus problemas com o meu padrasto i****a*?
Sim, um belo de um emprego. Ter a minha própria grana me dará algum tipo de autonomia e o cretino* do Carlo não poderá mais ficar azucrinando as minhas ideias dizendo que eu sou um poço de gastos para a minha mãe (apesar dele não entender -- ou parecer que não quer entender -- que o dinheiro que a minha mãe recebe é da aposentadoria do meu falecido pai).
Nossa, eu fico revoltada com esse cara. Ele poderia desaparecer das nossas vidas.
Eu acho que preciso escrever de novo sobre as coisas que aconteceram no passado que me levaram a ter esse rancor* todo pelo meu padrasto, mas só de pensar e relembrar as circunstâncias eu sinto vontade de pegar uma arma* e fazer algo bem f**o* com ele. Coitada da mamãe.
Bem, por falar em emprego, quando cheguei em casa hoje, mamãe me disse que ligaram do supermercado onde eu pretendo conseguir uma vaga como operadora de caixa. Meio período, das quatro e meia da tarde até as dez e meia da noite, de segunda a sexta. Um salário razoável.
"Tem certeza, filha? Não vai atrapalhar os seus estudos?"
"Não, nãe, relaxa. Aí eu vou poder me livrar do falatório do Carlo. Sabe que não suporto quando ele começa encher o meu saco" Eu disse enquanto comia um pedaço de pão caseiro que ela havia feito.
Mamãe sabe que eu amo chegar em casa e sentir o cheiro do fermento do pão assando e depois passar uma quantidade gigante de manteiga e ver derretendo na massa do pão.
"Eu levo e te busco no trabalho, então"
"Buscar eu aceito, agora, levar não vai rolar, não. Eu estou em um programa extracurricular na escola e vai ficar em cima da hora. Devo ir direto para o trabalho, caso eu seja selecionada"
"E será, Susan. Pelo que o gerente do supermercado disse por telefone, é até para você levar os documentos, e se tudo estiver certo, começa ainda amanha"
"Deus te ouça, mãe. Deus te ouça. Agora me fala, que horas o Carlo chega?"
"Só depois das oito. Por que?"
'Por que preciso usar o MSN um bom tempo sem ser incomodada e ele inventa de fazer ligações bem quando estou logada, aí eu preciso parar o que estou fazendo e eu tenho uma tarefa do colégio hoje em grupo"
Em casa tem só uma linha de telefone. Internet discada: ou você faz ligações, ou usa a internet. Será que algum dia vão inventar algo mais tecnológico?
"Vai em paz, ele deve demorar"
Eu sempre achava aquelas desculpas do Carlo estranhas. O que fazia ate tarde d anoite que a gente não pdia saber?
"Ele nunca te fala o que faz após o trabalho, mãe?"
"Ah, Susan, coisa dele. Eu não pergunto tudo" Mamãe enrolava o fio do liquidificador na parte debaixo e colocava de volta no lugar de sempre: em cima da geladeira.
Ela fica incomodada sempre que eu tento colocá-la contra a parede com relação* ao meu padrasto.
"Só você mesma para dar colher de chá para esse cara depois de tudo o que ele fez"
"Susan, vá fazer a sua tarefa, Você sabe que nunca compensa discutir por essas coisas"
"É, nunca vale mesmo! Valeu, vou lá. O pão tava ótimo, sua f**a*"
Eu carinhosamente chamo a minha mãe de f**a*. Não lembro quando isso começou, mas é sempre assim.
"Por nada, f**a* do meu coração"
Dei um beijo nela e fui para o quarto.
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❀19.02.2008, Terça-feira.❀
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Já passa da uma da tarde e nada do Lobo Hacker aparecer com aquela cara de playboy do d***o* que ele tem. Definitivamente irritante.
E pior que eu não quero me estressar hoje, preciso estar física e mentalmente bem para a entrevista de emprego com o gerente do supermercado. E não, eu não vou permitir de jeito maneira que aquele imundo* me atrapalhe nisso também. Otto Hacker não vai me prejudicar mais de uma vez, é uma promessa pessoal.
Eu consegui ler todo um capítulo de geografia e a palavra "tundra" (um tipo de vegetação) ecoa pelas minhas ideias. As vezes eu erguia os olhos rapidamente ao ouvir a porta da biblioteca sendo aberta, mas era outra pessoa, não o Lobo.
Bem, já deu meia hora, vou até o diretor e dizer que o "queridinho" dele (só qe não) simplesmente c***u* para a tutoria. Não deu as caras. E será ótimo, vou chegar adiantada para a entrevista de emprego.
"E?????" o diretor nem se levantou da cadeira, apenas ficou me encarando com os olhos astutos dele.
"Eu estou dizendo que Otto Hacker sumiu"
"Já o procurou pelo colégio, Susan?"
Eu o olhei desconfiada. O que o diretor estava insinuando? Eu não sou babá daquele cara.
"Não prcurei. Deveria?" procurei segurar meu tom de ironia. Parecia óbvio que a resposta era 'não".
"Sim, minha cara. Essa é a função do tutor, ser uma sombra, principalmente daqueles que estão no programa por conta de uma detenção, o que é o caso do Otto Hacker. Ele deve estar fazendo algo de errado agora e você não está vendo"
"Isso não me parece justo, diretor. Ele já é grandinho"
O diretor suspirou pondo os óculos e voltando a mexer em uns papéis sobre a mesa, como se sinalizasse de modo não verbal que o meu tempo na sala dele havia acabado.
"Nada nessa vida é justo. E peço que se atente ao Otto Hacker, ele é a maior preocupação. Se falhar, serei obrigado a desligá-la desse projeto, Susan" o diretor nem me olhou, apenas ficou observando a tela do computador velho dele e clicando no mouse.
É isso! Se eu for desligada desse programa, Otto Hacker terá o caminho livre para fazer picadinho de mim e dar um chute no meu traseiro* para bem longe desse colégio que eu lutei muito para conseguir entrar.
Vamos procurar aquele cretino* nesse colégio. Ele via vir de todo jeito.
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❀19.02.2008, terça-feira.❀
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18:31 h
Por que, Deus? Por que?
Eu fiz a minha saga de sair pelo colégio procurando aquele cara que não quer saber de nada com nada na vida. Sim, eu sou uma babá de um marmanjo daquele tamanho.
Eu procurei perto do vestiário na quadra de educação física, no refeitório, na biblioteca novamente. Desci par a o jardim do primeiro piso, depois subi para o jardim de inverno atrás da biblioteca (e me repudiei por ser burra* a esse ponto, afinal, poderia ter ido ali primeiro, sem ter descido).
Até que ouvi um som de funk vindo de uma pequena sala perto da cantina identificada com os dizeres "GREMIO ESTUDANTIL". A porta estava entreaberta e alguns garotos jogavam sinuca, gritavam as vezes. De relance vi uma menina e quando fiquei perto o suficiente, eu tive certeza de quem eram: as garotas do Squad das burras.
Katrina estava vestida com roupa de animadora de torcida em tons de amarelo, azul e branco (não vou me delongar descrevdno isso, obrigada!). O cabelo preso em um r**o* de cavalo no topo da cabeça. Batia palmas eufórica conforme alguma coisa ali dentro ocorria e acho que tinha a ver com o jogo que acontecia na mesa de bilhar.
Tina, a ruiva, e Sasha, a baixinha, estavam logo ao lado mexendo nos celulares BlackBerry que custam um rim. Estavam mascando chiclete de uma maneira que doeu até a minha mandíbula. Também vestiam roupas de animadoras de torcida e tinham os cabelos presos iguais a líder delas (Katrina).
Ah, não, ele só pode estar ali, como vou até esse covil* sem me sentir humilhada?
Pensa na sua bolsa nesse colégio, Susan. Dane-se essa gente rica e mimada. Vai. Só vai.
Eu estufei o peito* de ar e fui.
Assim que cheguei a porta, Tina estourou uma bola de chiclete rosa que fazia e ficou me e olhando dos pés a cabeça, sem entender o que eu fazia ali. Depois foi a vez de Sasha. As duas cochicharam e em seguida. Tina, a que estava ao lado de Katrina (ainda distraída com o jogo) avisou a líder sobre mim. Katrina olhou rapidamente e sorriu com desdém.
As três começaram a falar entre si, rirem, e depois olharem na minha direção. Riam de mim.Piranhas*. Vou rezar para que nenhuma delas fique grávida ou pegue uma DST antes do fim do ensino médio.
Agora eu já estou aqui, bora lá, Susan.
Dito e feito, o pilantra* era um dos jogadores na mesa de bilhar. Ao lado dele uma long neck.
Cerveja.
Será que Otto Hacker não aprende?
"Com licença" eu me esgueirava por entre aqueles alunos e juro que senti cheiro de baseado*. Sim, eu conheço esse cheiro desde nova, pois o meu vizinho da casa ao lado era uma chaminé. Ele chegou a ser preso uma vez, porque plantava a e**a.
Mas eu era tutora daquele cara que se divertia com a sinuca. Eu era repsonsavel por tirá-lo dali.
"Preciso que me acompanhe, Otto Hacker"
Ele bateu com a ponta do taco em uma das bolas e acertou o buraco em cheio. A minha voz foi engolida pelos gritos dos torcedores dele.
Patético!!!
"Não vê que eu estou jogando, ratinha?"
"Estou. Mas preciamos ir para a biblioteca. Até as três da tarde você tem tutoria, ou detenção, para ser mais clara e refrescar as suas ideias"
Ele tomou um gole da cerveja e olhou para mim apoiado sobre o taco.
Aos poucos as pessoas paravam para me olhar. Eu sentia olhares de todas as partes.
"Tutoria não é apenas sobre estudo. Eu sei como funciona. Há milhares de outras coisas que podem ser feitas nesse período"
"Mas precisamos estudar" eu disse irritada.
"Não. VOCÊ precisa" Ele aponto em minha direção "Eu não. Agora arranje um lugar por aí e me deixe jogar em paz."
"Otto, está falando sério?" eu disse, mas ele já me dava as costas para fazer a sua jogada após o oponente cobrá-lo.
"Estou, ratinha. Ou pareço brincar?" Otto fechava um dos olhos mirando a bola especifica. Outro acerto. Maldito*, ele era bom naquilo.
Olhei ao redor. O Saquad das burras ria de mim, eu sabia. Vadias* sebosas.
Eu não acreditava que Otto Hacker também iria atrapalhar os meus estudos. Mas quer saber? Eu não ia deitar para aquele moleque mimado dos infernos*.
Eu simplesmente fui até o menino com a caixa de som onde tocava um barulho insuportável de funk e mostrei o meu crachá de tutora assinado pelo diretor (sim, era uma espécie de carteirada o que fiz ali, um minipoder que eu tenho em mãos).
"Eu estou confiscando essa caixa. Vamos tocar algo mais decente"
Então fui até o computador do menino e selecionei Beethoven, música clássica seria ótimo par inspirar o "Lobinho' em suas jogadas de sinuca.
"O que essa maluca está fazendo?" Essa era a voz irritante a Katrina.
Eles ainda não haviam visto nada. Quando estou com ódio eu sou capaz de cometer um crime*. Se Ootto Hacker não queria estudar na biblioteca, eu iria estudar bem ali, na mesa de bilhar.
E foi assim, cantarolando a melodia de Beethoven, que fui até a mesa de sinuca , joguei a minha mochila lá e espalhei todos os meus livros pela mesa. Fui retriando bola bola por bola da mesa e devolvendo as cestas. Todo mundo me olhava e vaiava. Otto parecia chocado com a minha coragem.
Quando Tina, a ruiva do Saquad das burras, tentou interferir, eu puxei o meu crachá para ela e deixe a centimetros do nariz de porca dela.
"Acho que se tentar encostar em mim, querida, vai ter problemas com a direção".
Ela engoliu as próprias palavras e olhou para Katrina que deu de ombros e mandou ela voltar.
"Saia já da mesa. Estamos jogando" Otto não esperava por aquela. Eu estava me divertindo com a cara ele.
O que ele pensou? Que eu iria assentir feito uma cadelinha?
Não msmo, rugi!
"Infelizmente e não posso sair daqui, queridinho... E ah" eu desci rapidamente da mesa, peguei a cerveja da mão dele e entornei na pia que havia ao lado de um sofá "Nada de bebidas, querido. E fique tranquilo, que essa vou deixar passar. Na próxima eu notifico a direção a respeito desse seu comportamento de alcóolatra mirim" disse sorrindo para ele.
Aos poucos as vaias foram diminuindo e as pessoas saiam da sala do gremio, restando apenas o Saquad das burras, Otto e eu ali dentro.
"Benzinho, vai deixar essa bera brega falar assim com você?" Disse Katrina ficando ao lado de Otto.
Isso serviu para inflamá-lo ainda mais. E eu atava nem aí: fiquei de braços cruzados de frente a para o Lobo, que quase rosnava.
"Não, não vou deixar assim coisa nenhuma. Você vai ver quem manda aqui, ratinha"
Tudo aconteceu muito rápido. Otto Hacker me pegou pela cintura e suspendeu o meu peso sobre o ombro dele, como se u fosse um saco de batatas.
"Me solte, seu i*****l*. ME SOLTAAAAAAA"
Eu dava socos no ombro dele, mas o que doía era minha mão. Parecia que eu estava batendo* em pedras.
"Vou te dar uma lição, ratinha que nunca mais vai se esquecer. Você mexeu com Otto Hacker, o Lobo"