Capítulo 6

961 Palavras
Alexander      Inferno! Minha cabeça doía e meu estômago revirava.  Levantei lentamente do sofá e olhei em volta. Que horas seriam? Tentei focar no relógio da parede. Marcava 13:00h. Apoiei a cabeça nas mãos e tentei me lembrar dos últimos acontecimentos. Eu tinha atendido a porta pela manhã para a moça que viera fazer a limpeza, mas onde ela estava? Já teria ido embora? Olhei ao redor e vi que tudo estava bagunçado do mesmo jeito de sempre. Talvez a mulher tivesse desistido e ido embora. Era o que eu esperava. Não queria ninguém ali bisbilhotando minha vida. Levantei e subi as escadas em direção ao meu quarto. O que era aquele cheiro horrível? Espirrei duas vezes e quando abrir a porta do quarto parei sem acreditar no que via na minha frente. O chão brilhava e cheirava a perfume. Olhei lentamente todos os detalhes. Não tinha roupas espalhadas pelo chão e nem restos de comida sobre a mesa. A cama estava forrada com uma colcha azul e as cortinas foram retiradas das janelas. Fui até o banheiro e tudo estava devidamente arrumado e limpo. Tinha que admitir que estava bem melhor que antes. Melhor? Não. Estava assustadoramente melhor. Tomei um longo banho e vesti um moletom que encontrei na bagunça do meu armário. Ainda bem que a maluca não tinha mexido nas minhas coisas. Odiava que tirassem minhas coisas do lugar. Desci novamente as escadas em direção à cozinha em busca de algo para comer. Precisava restabelecer minhas forças depois da bebedeira da noite anterior. Parei na porta da cozinha surpreso com a cena em minha frente. A mesa estava posta com um prato, copo e algumas tigelas cobertas com um pano de prato. Me aproximei devagar e descobri as travessas. Salada, arroz, feijão e um tipo de carne assada meio queimada. Ouvi um barulho vindo da área de serviço e alguém praguejar - Merda! Fui até lá e ela estava ajoelhada tentando juntar os pegadores de roupa espalhados pelo chão. - Ei, moça? Ela não ouviu. Estava com fones de ouvido e continuou na tarefa de juntar os pegadores. Fiquei ali esperando ela notar minha presença. Ela virou e ao me ver deu um grito de susto e derrubou tudo de novo. Que loucura era aquela? Minha mãe tinha contratado uma menina menor de idade para trabalhar ali. Ela estava louca? - Oi, acordou? - Eu... desculpe pela recepção. Ela começou a juntar os pegadores de novo de joelhos no chão. - Tudo bem... a casa é sua. Observei bem a garota. Tinha cabelos escuros presos em um coque desarrumado e um corpo bem feito a mostra pela calça legging e uma camiseta regata. O rosto era bonito e parecia não ter mais que dezessete anos. O que aquela menina queria trabalhando como faxineira? Lógico que ele não ia aceitá-la ali. - Termine e venha cá, precisamos conversar. Esperei ela aparecer na cozinha e cruzei os braços observando-a. - Como veio parar aqui? Vi que ela estava meio sem jeito olhando para meu peito a mostra sem camisa. - Desculpe por estar sem camisa, achei que não tinha ninguém aqui. - Tudo bem ... eu ... fiz alguma coisa para o senhor almoçar. Sua mãe falou que tenho de cozinhar também. - Minha mãe falou uma coisa, mas eu vou dizer outra. Não quero meninas menores de idade trabalhando na minha casa, portanto, termine e pode ir embora. Vou pagar seu dia e tudo certo. Ela pareceu muito assustada e se aproximou agitada. Ela fez uma cara meio assustada. - Não! Não sou menor de idade não, tenho 20 anos. Por favor eu preciso desse emprego. Espera! vou te mostrar meu documento. Ela já revirava a bolsa nervosa e puxou uma carteira de identidade colocando-a em minhas mãos. Eu olhei devagar os dados e a foto dela. Jade Maele Sobral, natural de Salvador, nascida em 09 de janeiro de 1999, ou seja, ela ia fazer 20 e um anos. A foto, no entanto era bastante diferente da garota a sua frente, exceto pelos olhos que não tinha como se confundir. Ela tinha olhos grandes e bem clarinhos meio acinzentados e os cílios eram enormes dando um ar meio selvagem e a boca grande de lábios cheios eram um ponto de destaque no rosto dela. - O que aconteceu com seus cabelos? Ela desviou os olhos. - Nada. Precisei mudar a cor. - Precisou ou quis mudar? - Não importa, tive que mudar. - Onde estão seus pais? Ela demorou alguns minutos para responder - Em casa. Eu tive que dar uma risadinha meio irônica. - Garota, perguntei onde estão seus pais que deixaram você arrumar um serviço de faxineira quando devia estar na faculdade estudando. - Não temos dinheiro para isso agora, portanto preciso trabalhar. Respirei cansado. Aquela menina parecia disposta a travar uma queda de braços comigo ali, para permanecer naquele serviço. Talvez ela realmente precisasse. Levantei as mãos em sinal de desistência. - Depois eu vejo isso, agora posso comer alguma coisa, senão vou desmaiar aqui. Ela abriu um largo sorriso. - Vou poder continuar trabalhando então? - Veremos, agora me deixe comer. Depois eu decido isso. Ela correu e descobriu os pratos e pegou uma jarra de suco na geladeira. - Pronto, tudo aqui. Chame se precisar. - Não vai comer? Ela riu meio sem jeito. - Claro que eu já almocei, morreria de fome se esperasse o senhor sair daquele sofá. Desculpe, mas seu estado era muito r**m. Quase liguei para pedir ajuda. - Não se preocupe, estou acostumado. - Mas eu não. Ele parecia inquieto -Pode sair? Não gosto de comer com ninguém me observando. - Tudo bem. Ela correu para a área de serviço e eu fiquei ali meio pensativo.  Eu hein, garota doida!
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