Depois de nos despedirmos da Emilly e Joana, sentamos na área externa da casa, próximo a piscina e terminamos de beber o espumante de vinho trazido pela Blanc.
- A noite foi muito agradável. Gostei do cardápio da Lívia, estava delicioso e me deixou ansiosa para as nossas férias no Brasil.
Disse a Paola sorridente. Ela parecia bem leve depois de algumas taças de vinho.
- Foi uma noite agradável. E o jantar foi surpreendente. A Blanc parece ter aproveitado também. Imagino que a Lívia conheça o gosto dela. Só eu que percebi uns olhares entre elas?
Perguntei e a Paola riu.
- A Joana parece ser uma pessoa compulsiva por flerte, ou não percebeu que ela estava fazendo isso com a Duquesa e com nós duas também.
Especulou me despertando atenção.
- Como assim com nós duas? Eu notei que ela é o tipo que gosta de jogar charme, mas fez ou disse algo a você que eu deva saber?
Perguntei olhando para ela que novamente riu.
- Cariño, eu acredito que a Joana gostaria de dormir com nós duas ao mesmo tempo.
Falou me fazendo abrir os olhos com espanto.
- Ela tem sangue Italiano. Estava morando na Itália há pouco tempo, deve ser esse o estilo de vida que ela afirmou querer preservar.
A ruiva especulou falando com naturalidade.
- Estou me sentindo muito inocente diante dessas suas insinuações. A Blanc é uma depravada?
Brinquei com ela que riu.
- Essa é uma definição pesada. Pelo que conheço da Emilly, dificilmente ela se associaria a uma pessoa depravada. Porém, com toda certeza, esse estilo de vida que ela diz querer manter tem a ver com as mulheres.
Ressaltou a Paola e eu não discordei. A Blanc tinha um jeito de falar e de olhar ousado demais.
- Essa mulher vai dirigir um enorme patrimônio. Se nós duas trabalhamos muito, ela vai ter duas vezes mais responsabilidades, no mínimo.
Observou a ruiva antes de solver mais um pouco do vinho.
- Por falar em responsabilidade, enquanto ao que o Casillas sugeriu. Pensou a respeito?
Olhei bem para ela que se remexeu na poltrona para ficar mais confortável.
- Em alguns dias saímos de férias. Depois tem o desfile de lançamento e por isso prefiro deixar essa decisão mais para frente. Ainda não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas e você Cariño. Tem sua opinião?
Perguntou me olhando e analisando e dessa vez quem se ajeitou na poltrona fui eu.
- Confesso que quando o Casillas fez a sugestão dele me soou um pouco machista de início.
- Você anda pragmática demais graças a Emilly.
Ela brincou comigo.
- Se quer saber ele citou a mãe dele, que cuidava do lar e dos filhos.
Afirmei e ela riu bastante.
- Fico preocupada com o Casillas se ele pensar assim. Vai ser difícil encontrar uma esposa.
Ela disse rindo e eu não resisti rindo também. A verdade é que o vinho estava nos fazendo rir.
Levantando-se e colocando a taça em cima de uma mesa entre nós, ela caminhou na minha direção e veio se sentar em meu colo.
- Devíamos aproveitar que ainda é cedo e namorar um pouco.
Sugeriu afagando meus cabelos e me encarando fixamente.
- Com você me olhando assim eu não penso duas vezes minha ruiva.
Sorri para ela que suavemente beijou meus lábios.
- Tem uma coisa que eu quero fazer antes de irmos para o quarto.
Disse misteriosa.
-Posso saber o que é?
- Quero ver se tem mais daquele sorvete de tapioca. Fiquei desejando provar nos seus lábios.
Afirmou maliciosa, mordendo o lábio inferior e me provocando.
- Espero que ainda tenha.
Desejei imaginando o que ela faria comigo.
Rindo como duas bobas levemente empolgadas pelo vinho, invadimos a cozinha da nossa casa sorrateiramente e encontramos o sorvete de tapioca em uma boa quantidade.
- Agora sim ele terá um sabor bem brasileiro.
Garantiu com um sorriso arteiro que me fez rir animada.
Abracei-a pela cintura e fiquei a olhando colocar o sorvete na boca, lambuzando-se e sendo a mesma menina apaixonada por doces que ela sempre foi.
- Quero provar esse sabor brasileiro com toques da Europa.
Pedi entrando na brincadeira dela que ficou me olhando e esperando que eu a beijasse.
De olhos bem abertos, vidrados nos seus, me aproximei e toquei seus lábios com a ponta da língua, deslizando por sua boca lambuzada pelo sorvete. A sensação era gelada e quente ao mesmo tempo. Essas brincadeirinhas da Paola sempre me deixavam excitada.
- Você é uma delícia minha ruiva!
Sussurrei antes de beijá-la com desejo. Encaixando nossos lábios e encostando minha língua na dela. Sentia o sabor do vinho e do sorvete misturados ao sabor natural do beijo dela.
Ela se afastou um pouco e me lambuzou com um sorvete.
- Minha vez.
Disse antes de percorrer meus lábios com a ponta de sua língua e finalizar o passeio com um beijo caloroso, excitante, que me deixou sem fôlego.
- Vamos continuar no quarto?
Perguntei rindo de nós duas naquele clima no meio da cozinha.
- Nunca fizemos amor na cozinha.
Disse divertindo-se e eu abri os olhos a encarando.
- Está brincando?
Perguntei a fazendo rir.
- Estou, mas adorei o jeito que você ficou espantada e ao mesmo tempo disposta.
Afirmou rindo de mim.
- Faço tudo que você quiser Paola. Sabe que não resisto a você minha ruiva gostosa!
Declarei sem hesitar.
- Me persegue então... Como se fossemos desconhecidas e você quisesse muito me fazer sua!
Sugeriu antes de sair andando lentamente e olhando para trás para conferir se eu tinha entendido a brincadeira. Parte interessante da nossa relação era mantermos o sexo como se fossemos eternas namoradas.
Ela andou pelos corredores enquanto eu a espreitava. Olhando e cercando-a. Sorrindo ela fugia, fazendo charme e me provocando.
Ao entrar no quarto ela deixou a porta entreaberta. Eu fiquei a observando pela f***a da porta, vigiando-a em silêncio, então ela começou a se despir e fazia isso acariciando o próprio corpo, fingindo estar sozinha e sentindo-se assistida. Esperei que ela ficasse completamente nua para entrar no quarto e trancar a porta. Ela fingiu tentar escapar e eu lhe segurei em meus braços.
- O que vai fazer comigo?
Perguntou sorrindo libidinosamente.
- Vou fazer você gozar!
Afirmei antes de atirá-la na cama e me colocar entre suas pernas, levando meus lábios ao seu sexo e passando minha língua com vontade nele. Ela gemeu baixinho. Contendo-se para não fazer muito barulho e agarrando os lençóis da cama. Mantive minha posição entre suas pernas e percorri seu sexo com a ponta da língua, dando atenção aos lugares mais sensíveis dela. Conhecia a Paola bem o suficiente para saber quando aumentar e diminuir o ritmo das lambidas, ela sorria e gemia ao mesmo tempo. Estava se divertindo com a brincadeira e isso me deixava ainda mais excitada. Sentia meu sexo molhado e quando ela gozou por pouco eu não fiz o mesmo. A excitação da ruiva era a minha também. Deixava meu coração acelerado e o corpo arrepiado. Ela sorriu me olhando e chamou por mim.
- Tira a roupa Nay!
Pediu ofegante e eu atendi seu pedido imediatamente.
- Quero sentir você.
Ela disse me fazendo entender sua intenção.
Coloquei minhas pernas encaixadas nas suas, sentindo seu sexo em minha coxa e a coxa dela em meu sexo. Abracei-a sorrindo e ela me puxou para um beijo gostoso, invadindo minha boca com sua língua, procurando pela minha e percorrendo minhas costas com a ponta dos seus dedos, me arranhando de leve. Apertamo-nos como se fossemos capazes de entrar uma na outra. Meu sexo pulsava ao sentir o contato molhado do dela.
Agarradas, quentes, gemíamos, trocávamos beijos deliciosos, provocávamos uma à outra rindo, nos encarando e voltando a beijar. Começamos a sussurrar declaração e eu sentia meu peito queimando tamanha intensidade do meu amor por ela, e ao sentir seu corpo igualmente quente, sabia que o peito dela também ardia. Existia uma aura de amor ao nosso redor, era impossível enxergar, mas era facilmente sentida. Continuamos namorando até um novo clímax entre nós duas acontecer. Derramei-me de prazer como se fosse nossa primeira noite juntas e em seguida ela também se derramou em um novo e a julgar por seu gemido, ainda mais intenso orgasmo.
- Fazer amor com você é a melhor coisa do mundo!
Afirmei me recuperando e ela sorriu me olhando nos olhos.
- Estava prestes a falar a mesma coisa.
Disse sorridente.
- Gosto do jeito que adere as minhas sugestões de brincadeira Cariño.
Afirmou mordendo o próprio lábio com um sorriso safado.
- Só se eu fosse uma tola pra perder toda diversão. Você tem sempre as melhores ideias.
Elogiei e ela riu empolgada.
- Se fosse outro dia iria sugerir que continuássemos no banheiro, mas está ficando tarde e amanhã preciso levantar cedo. Tenho uma reunião com algumas costureiras do ateliê principal.
Disse ela levantando-se depois de me beijar o rosto.
- Algum problema ou só rotina mesmo?
Perguntei demonstrando interesse.
- Apenas rotina. Preciso ver o andamento do trabalho delas. Saber o que está acontecendo no ateliê e se precisam de mais recursos para entregar tudo dentro do prazo.
- Você não deveria delegar essa função de controle à outra pessoa minha ruiva?
Perguntei estranhando.
- Sabe que gosto de acompanhar de perto o que acontece no ateliê.
Disse ela, que me pareceu um tanto controladora demais.
- Paola, o ateliê tem um gerente para se preocupar com essas coisas. Se eu parasse meu trabalho gerindo os projetos de evento com uma visão macro, para gerenciar as tarefas, que são parte de uma visão micro, perderia muito tempo. Está exagerando um pouco não?
Perguntei preocupada que ela estivesse tomando responsabilidade demais para si.
- Cariño, o ateliê sempre terá toda minha atenção. Posso ser a diretora da grife, mas sou a responsável por quase todos os projetos feitos no ateliê. E não vamos falar de trabalho a essa hora. Vamos tomar um banho e dormir, tudo bem por você?
- Está bem. Mas ainda não concordo com o seu foco exagerado.
Retruquei e ela me puxou da cama para irmos tomar banho, o que fizemos com certa pressa devido ao adiantar do horário.
Abracei seu corpo assim que nos deitamos e ela se aninhou em meus braços.
- Boa noite minha ruiva!
Sussurrei antes de apagar a luz na cabeceira da nossa cama.
- Boa noite Cariño! Amo você!
Ela sussurrou de volta.
- Amo você Paola!
Declarei também antes de relaxar com um sorriso nos lábios e dormir sentindo o perfume dos cabelos dela, aroma que me trazia um aconchego.
- Estou de saída Cariño. Se puder vá ao centro almoçar comigo hoje, leve a Gabi.
Ela sussurrou ao se despedir beijando meu rosto. Sonolenta eu apenas mudei de posição e voltei a dormir tranquilamente. Ainda estava cansada das semanas que passei em Nova York. O trabalho no novo escritório não tinha sido nada simples. A responsável por ele estava mais para irresponsável, além de ser uma menina sinuosa e potencialmente problemática. Estava certa de que a Emilly voltaria a pedir que fosse visitar o escritório e colocar tudo em ordem e essas viagens estavam começando a ficar difíceis, ainda mais sabendo que a Paola andava assoberbada demais ao acumular a função de mãe com a responsabilidade de dirigir a grife.
Mesmo cansada minha mente havia despertado, então optei por me levantar, tomar um café e ir para o escritório terminar meu relatório do último evento para apresentar a Duquesa. Estava tão concentrada que por um momento esqueci-me da proposta da Paola, por sorte ela havia falado com a Lilian que me lembrou a tempo.
Deixei de lado o trabalho e passei na escola da Gabi, que ficou novamente feliz a me ver.
- Vamos almoçar com a mamãe perto do trabalho dela hoje.
Falei olhando para a ruivinha mais linda do mundo, que estava levemente assanhada como se tivesse brincando com os coleguinhas.
- Estou com fome.
Disse ela.
- O que você quer comer?
Perguntei.
- Quero doce.
Disse me fazendo rir. Só podia ser mesmo filha da Paola.
- Você vai comer na sobremesa. Sua mãe também ama doce. Por isso vamos escolher o mais gostoso, pra que vocês duas fiquem felizes, está bem?
Perguntei sorrindo para ela que sorriu animada.
- Está bem mamãe.
Concordou me olhando nos olhos e me fazendo derreter de amores. Não havia nada mais incrível, para mim, que o olhar sorridente da minha pequena ruiva e o da mãe dela.
Segui dirigindo até o escritório da Paola que estava nos aguardando para almoçar.
- Como foi à reunião Paola, tudo ao seu agrado?
Perguntei assim que nos encontramos e ela sorriu, dando a entender que estava tudo certo.
- Tudo como deve ser. E como está a minha princesa, com fome?
Perguntou segurando a Gabi no colo.
- Quero doce mãe.
Insistiu a menina.
- Ela é muito sua filha.
Declarei rindo da situação.
- Vamos começar pelo doce?
Perguntou de um jeito que me soou estranho.
- Só por curiosidade, é isso que vocês fazem quando não estou por perto?
Perguntei olhando a Paola que abriu os olhos denunciando o próprio crime.
- Algumas vezes começamos pela sobremesa.
Disse ela ficando com a face corada.
- Mas comem tudo depois?
Perguntei olhando para a Gabi que acenou a cabeço garantindo que sim.
- Claro que sim Cariño. Só dividimos umas torrijas antes.
Disse se referindo a uma espécie de rabanada espanhola.
- Umas?
Perguntei olhando bem para ela que riu.
- Hoje dividiremos as três.
Sugeriu sorrindo como uma menina sapeca e eu preferi não ser a chata que estraga os planos das duas, por isso concordei.
- Sobremesa antes do almoço?
Perguntei a Paola, falando baixo, assim que entramos no carro.
- Vai ver que é uma bobagem Cariño. É divertido! A nossa princesa adora esses momentos.
Afirmou sorrindo e pelo brilho em seu olhar eu tive certeza de que era um momento em que as duas se divertiam, uma espécie de ritual de cumplicidade mãe e filha, o que achei lindo.
- Amo vocês!
Declarei e ela sorriu.
- Amo vocês!
Disse a Gabriela que demonstrou estar prestando atenção na nossa conversa.
Olhei para ela pelo retrovisor e ela sorriu com uma cara linda de menina esperta.
- Também amamos você princesa!
A Paola se virou para olhar para ela e aquela mesma aura de amor agora estava no carro.