Vitor narrando O morro parecia mais escuro naquela noite. O ar tava pesado, sufocante. Eu desci feito um louco, com o peito rasgando e a cabeça fervendo. O coração batendo tão forte que parecia que ia explodir. Não pensei em nada. Só sabia que precisava ver a Luiza. Precisava olhar na cara dela e falar que não era o que ela tava pensando. Meus pés me levaram direto pra casa do Bigode. Se ela não tava na casa dela, só podia estar lá. Parei em frente à porta e bati com força. — LUÍZA! — gritei, socando a madeira. — ABRE ESSA p***a, VAI! Nada. Bati de novo, mais forte. — LUÍZA, p***a! NÃO FAZ ISSO COMIGO! A porta abriu com um estrondo e quem apareceu foi o Bigode, o olhar pesado, frio. Ele me encarou de cima a baixo. — Que p***a é essa, Vitor? Eu tava sem fôlego, o suor escorrendo

