William narrando A subida pro morro foi no gás, os motores dos carros rugindo alto na ladeira. O Bruno tava no porta-malas, amarrado feito um porco pronto pro abate. O Victor vinha logo atrás, o rosto fechado, a mão firme no volante. No rádio, a voz do Terror soava clara, mas carregada de ódio. — William, já tão chegando? Não quero esse desgraçado respirando mais que o necessário. — Segura aí, Terror. A gente tá quase na boca. Prepara a salinha, porque hoje vai ser dia de festa. O carro balançava nas curvas apertadas e cheias de buraco. O cheiro de óleo queimado misturado com poeira invadia meu nariz. Meu coração tava a mil, meu peito pulsando forte. O morro tava silencioso demais, um silêncio que só acontece quando algo grande tá prestes a rolar. Quando chegamos na boca, os moleques

