Ela foi embora. Eu disse isso em voz alta mais de uma vez. Como se repetir fosse ajudar a entender, como se em algum momento, a frase fosse fazer sentido. Mas não fazia. Porque não era só sobre ela ter ido embora, era sobre o que isso causava em mim. De novo. O apartamento estava silencioso demais. Eu andava de um lado para o outro sem perceber. Passava a mão pelo cabelo, parava, voltava. O celular na mão. Nada. Nenhuma mensagem, nenhuma explicação, nenhum "vamos conversar" ou “me espera”. Soltei uma risada baixa. — Claro… — Minha voz saiu seca. — Claro que não. Encostei na parede por um segundo. Fechei os olhos, e tudo voltou. O terraço, o quase, a forma como ela me olhou. Como se estivesse ali, como se não fosse embora. Meu peito apertou forte. — Você fez isso de novo… — A frase s

