“Às vezes, ir embora não é fugir, é a única forma de não continuar errando.” Eu não dormi nem por um segundo. Fiquei deitada olhando pro teto, sentindo o corpo cansado, mas a mente completamente acordada. Cada vez que fechava os olhos, era como se voltasse pro mesmo lugar. O terraço, a proximidade, o quase. O que não aconteceu, mas que de alguma forma, parecia ter acontecido mesmo assim. Passei a mão pelo rosto, soltando o ar devagar. Aquilo não podia continuar. Não daquele jeito, não comigo ali. Porque dessa vez eu sabia exatamente o que estava fazendo. E isso era o mais perigoso de tudo. — Você está estranha desde ontem. A voz da Ari veio atrás de mim, suave, mas direta. Eu não respondi de imediato. Estava sentada na beira da cama, o celular nas mãos, olhando para a tela apagada co

