Capítulo 6

678 Palavras
 "Fingir que vivemos não nos torna vivos" (System Of a Down) Responsabilidades era tudo o que eu detestava, e ver a incansável luta dos meus pais para colocar isso em minhas mãos era cansativo. Ser filho único tinha lá seus benefícios, mais na maioria das vezes me sentia só. Eu sou capitão do time de futebol americano da escola, isso também me rende muitos benefícios, mais também é tão vazio quanto. Festas, bebedeira e ser b****a fazem parte do meu dia a dia, e não, eu não me orgulho dessa pessoa que me tornei. Sentar na janela do meu quarto virou uma rotina, observo os carros passando na rua e o sol se pondo ao longe, mais o que mais gosto é de observar Arabela. Ela é linda, mais se veste estranho e bem, isso meio que acaba com minha reputação, por isso a ignoro na maioria das vezes e só falo o necessário com ela. Assim com eu, Bela parece ter algum tipo de aversão a mim, por mais que ela me olhe daquele jeito bobo e de menina apaixonada. Mais ela também é dona de uma personalidade que Meu Deus! Ela não dá o braço a torcer e tenta me ignorar o maximo que pode. Desde o dia que nos beijamos, ou melhor, eu a beijei, nos não tocamos no assunto, mais eu me lembro de cada detalhe. Eu não tava tão bêbado assim, só queria ter a chance de beijar ela. Babaca! Após o treino, fui direto pra casa, provavelmente meus pais estarão me esperando, hoje teria alga coisa importante, mais eu não me recordo o que era. Depois de algumas horas finalmente saímos todos de casa, e bem, ainda não sei onde estou indo e nem me importo em perguntar. — Você ta calado demais - ouço a voz da minha mãe do meu lado — Tô cansado apenas - sorrio de lado e ela parece se convencer. Ao ver o restaurante de decoração rústica, diferente dos quais costumo frequentar, olho os pais de Arabela sentados mais a frente, Arabela porém não está na mesa, me desanimo e fecho a cara. Depois de alguns minutos conversando, descubro que Arabela foi ao cinema com a melhor amiga. Passos meia hora e dou uma desculpa esfarrapada pra sair dali, ligo pro Edu e dou o endereço da nossa noitada hoje. Sorrio com o pensamento e me apresso até o local. Edu estranhou o convite pro cinema, mais ao da de cara com a Eleonor parece ter mudado de ideia. Arabela estava ao seu lado, ao me ver mostrou surpresa e logo desviou o olhar, voltando para a fila. Ficamos na mesma seção, nas poltronas 6, 7, 8 e 9, no início foi estranho, visto que nós quatro vivíamos em grupos totalmente diferentes. No saída do shopping ofereço a carona pra Arabela e Eleonor, sendo que deixaria Elle primeiro e depois o Edu e finalmente ficaria a sós com Arabela. —O que você ta pretendendo com tudo isso? - me assusto com a pergunta repentina de Bel ao meu lado — Eu não entendi sua pergunta - minto — Você sabe - ela aperta os lábios e continua - Você ta tentando se aproximar de mim, e pode parecer loucura mais é verdade — Eu só fui ao cinema Arabela, não estou te perseguindo - falo sem encara-la e vejo ela se mexer no banco do carro. Chegamos rápido, antes de Bela ameaçar sair do carro eu a paro tocando em seu braço. Ela me encara confusa e como se nada mais fizesse sentido eu a beijo de novo, igual o dia do banheiro, mais agora sem pressa. Ela gosta do beijo por que nos separamos por falta de ar. Ela tenta falar alguma coisa mais não consegue e sai do carro correndo. O que eu tô fazendo? Ao entrar no meu quarto olho pela brecha da janela e a vejo sentada na janela, lendo um livro tranquilamente como se nada tivesse acontecido. Talvez aquela garotinha que era perdidamente apaixonada por mim não existisse mais.
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