Eduardo narrando Cheguei na boca sentindo o clima antes mesmo de entrar. Não precisava perguntar nada. Era o tipo de tensão que se sente no ar — homem demais circulando cedo, rádio falando baixo demais, olhares atentos demais. Quando atravessei a entrada e vi Miguel encostado perto da sala de comando, com a cara fechada e o corpo duro, confirmei o que já imaginava. Augusto estava sem paciência nenhuma. Andava de um lado pro outro, celular na mão, falando curto, seco, como quem está contando os segundos pra algo dar errado. — Isso não pode virar confronto — ele dizia pra alguém no rádio. — Segura os caras na divisa. Quando me viu, parou. — Ainda bem que você chegou — falou. — A situação não tá boa. — Eu percebi — respondi. — O Miguel tá inteiro? Olhei na direção dele. Miguel pareci

