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1568 Palavras

Miguel narrando O caminho até a casa dela foi silencioso. Ana ficou olhando pela janela o tempo inteiro, as mãos juntas no colo, quieta demais. Não era aquele silêncio confortável que a gente já tinha tido antes. Era outro. Pesado. Cheio de coisa que ela não falou. E eu também não. Dirigi sem ligar o rádio. O barulho do motor era a única coisa quebrando o silêncio dentro do carro. Em alguns momentos pensei em falar alguma coisa, mas desisti. Qualquer palavra ali podia piorar. Quando já estávamos perto da casa dela, falei: — Amanhã a gente vai ver as casas no condomínio. Ela demorou um segundo pra responder. — Ok. Só isso. Sem pergunta. Sem entusiasmo. Só aceitação. Estacionei em frente ao portão. Ela soltou o cinto devagar e abriu a porta. Desceu sem pressa. Eu também desci, mai

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