Ana narrando Acordei assustada. O relógio do celular que não estava comigo marcava alguma coisa na minha cabeça, mas quando abri os olhos e vi a penumbra do quarto, senti o coração disparar. Virei o rosto devagar — com medo até de respirar. Miguel estava ali. Deitado ao meu lado. Dormindo. Braço jogado perto do meu, expressão pesada, séria até dormindo. Por um segundo, fiquei sem entender como eu tinha ido parar ali, naquele quarto que não era o meu, naquela cama que cheirava a ele. — Meu Deus… — pensei, sem fazer som algum. Levantei com cuidado, puxando o lençol para não fazer barulho. O chão estava frio sob meus pés. Caminhei na ponta dos pés até a sacada, tentando lembrar do que tinha acontecido depois da praia, da bebida, do elevador… tudo vinha em flashes confusos. Abri a porta

