Capítulo 01

1387 Palavras
Um Anos Antes.... - Ele não está bem. - Cecília tentava enxergar alguma coisa a sua frente. - Como eu sei? Cecília olhou para o marido, Diego estava tenso, dirigia com as duas mãos no volante, os olhos crispados e a boca comprimida em uma linha reta. Miguel tinha nascido á duas semanas, era um bebê prematuro, não conseguia respirar sozinho e era muito abaixo do peso ideal. Diego havia dado seta para entrar no subsolo do hospital quando um trovão rasgou o céu, só tiveram tempo de olhar um para o outro, um caminhão acertou o lado de Diego em cheio, o carro rodou e tudo perdeu o foco para Cecília. (***) Duas semanas depois Cecília abriu os olhos, sentia a garganta seca e não conseguia respirar direito, afoita logo foi contida por um grupo de enfermeiras, o que lhe tirava o ar foi retirado da garganta com muito custo, os médicos falavam sem parar com ela, queriam que Cecília acompanhasse alguma luz, que contasse quantos dedos estavam dispostos na sua frente, que respirasse com calma. Foram minutos torturantes da vida dela. Quando por fim acabaram, ela adormeceu outra vez, para acordar minutos depois, assustada. - Cecília. - Um médico se aproximou. - Como se sente? - O que aconteceu? - A garganta parecia duas lixas. - Você sofreu um acidente. Um caminhão se chocou com a lateral do seu carro, você e seu marido sofreram ferimentos graves. - Diego.. - Ela sabia que se fosse formular uma frase doeria de mais, então optou por dizer poucas palavras. - Seu esposo só não ficou pior porque o caminhão arrastou o carro, mas foi o seu lado que bateu no poste. - Diego... - Ele está ficando melhor. - O doutor se aproximou. - Nessas duas semanas voltou para casa, está sendo tratado por algum familiar seu. Ele ficará com sequelas. Você foi um milagre. - Miguel... - Ela sentiu algumas lágrimas saltarem e escorrer pelas laterais do rosto. - Meu... Filho.. - Sei que está em uma situação crítica. Pela profissional que é iria querer ser sincera com seus pacientes, então... - Ele engoliu em seco. - O Miguel descansou Cecília. Viveu até você dar entrada no hospital, enquanto eu cuidava de você ele teve outra parada respiratória, tentaram de tudo, mas ele era muito pequeno, estava debilitado... Eu lamento querida... - Não.. - Ela sussurrou. - Eu... Eu não o vi partir, não... Cecília havia se preparado mentalmente. Iria tirar o filho da incubadora e segurá-lo nos braços até que ele fizesse a passagem. Ela o viu nascer, deveria ser ela a vê-lo voltar para o paraíso. Não um bando de rostos desconhecidos. Imaginou o corpinho dele perdendo a força, assustado... Diante do médico ela chorou muito, se desesperou, arranhou os próprios braços, até bateu no próprio rosto, até que o Doutor Victor a segurou com força, e então ela urrou pela dor que estava sentindo. - Diego e a sua irmã cuidaram de tudo Celina, o colocou no mausoléu da família, pode ir lá quando estiver bem. Você precisa ficar bem Ceci. Cecília chorou durante dias, na manhã que foi liberada para ir embora esperou pelo marido, convencida de que ele estava tão debilitado quanto ela conseguiu uma carona com os amigos da ambulância. O apartamento em que morava não era longe. E ela não havia perdido os movimentos das pernas por pura sorte. embora tivesse várias cicatrizes profundas na lateral do corpo. - Obrigada Otávio. - Cecília acionou o elevador. - Vou fazer uma surpresa para o Diego. O elevador parou na cobertura, o andar era somente deles, já que Diego havia planejado aquele prédio, e dado o sobrenome dele. Arezzo. Cecília abriu a porta, sentia dores pelo corpo e m*l podia se dobrar, estava tudo no lugar, viu que Celina havia esquecido os sapatos altos. E o casaco. Caminhou mais um pouco e viu a bolsa da irmã. Cecília não conseguia respirar mais, se arrastou para o quarto deles, a cama estava bagunçada, talvez ela tenha vestido alguma roupa confortável, já que usavam o mesmo tamanho. Enquanto adentrava o quarto, Cecília viu a porta do banheiro aberta, o som da água do chuveiro e o cheiro de Diego a fez relaxar um pouco. Então ela se livrou da camiseta, das calças e do tênis. Iria surpreender o marido depois de tantos dias, talvez chorar juntos, fazer amor e depois se despedir do filho da forma certa. Porém ao entrar no banheiro ela viu o marido se movendo de forma estranha, agora ouvia os gemidos dele. Quando Diego se afastou Celina respirava ofegante. Humilhada Cecília voltou, colocou as mesmas roupas, calçou o tênis e voltou para a sala, sentou-se no sofá e esperou paciente enquanto lágrimas pingavam na calça larga. Não demorou muito Diego apareceu, usava uma cueca box, o cabelo estava molhado, via-se machucados no corpo dele. Assim como Cecília, ele mancava. - Ceci? - Ela levantou os olhos para ele. - Ia agora mesmo te buscar... Cecilia? - Celina parou no corredor, com os olhos arregalados. - Como.... - Cheguei agora. - Ela mentiu. - Dormiu aqui Celina? - Sim. Eu... Achei que você iria sair cedinho então... - Celina desviava os olhos. - Como se sente? - Despedaçada. - Cecília engoliu em seco. - Perdi meu filho, voltei de um coma sozinha, e passei as últimas semanas sozinha. - Eu não podia ir lá... - Tinha um telefona ao lado da minha cama Diego. - Ela o respondeu seca. - O banho estava bom? Diego engoliu com dificuldade, era o seu namorado de escola, fora seu companheiro durante a faculdade, e depois de doze anos de relacionamento, ele transou com a cunhada no banheiro deles. - Ceci. - Celina passou Diego. - Aquilo que você viu, eu posso jurar que aconteceu só agora. Nós... Eu e Diego nos respeitamos muito. Acho que foi culpa da bebida... - Conta outra Celina. Eu sempre via os olhos de vocês, se comiam na frente de todo mundo. A mãe morreu dizendo que você e o Diego eram dois safados. Que eu ainda viria o que a minha cega confiança ia me dar. E olha só. Meu marido estava te fodendo no meu banheiro. Provavelmente te fodeu esse tempo todo na minha cama. Não foi? Nenhum dos dois sabia o que responder. Cecília era sincera no que dizia. - Ceci. - Diego disse enquanto mancava até ela. - Estamos todos sensibilizados pelo quê aconteceu... - Pega as suas coisas Celina. - Ceci, meu noivo vai morrer se souber... - Seu noivo não vai saber. - Ela levantou os olhos magoados. - Quero que volte para a sua casa e esqueça que um dia teve uma irmã. Cecília se levantou lentamente, todo o corpo doía, se arrastou pelo corredor e abriu a porta azul com detalhes de nuvens. Tudo estava como antes do acidente. O berço, as roupinhas, as primeiras fotos de Miguel antes de ser entubado. Cecília se aproximou do berço, a roupinha que ele sairia, serviu para enterrá-lo. Só então ela respirou fundo, agarrou a mantinha azul e levou até o nariz e chorou. Perderia mil maridos, mas não sabia como viver com a perda do único e verdadeiro amor. Abraçou apertado a mantinha. - Me desculpa Miguelito. - Ela sussurrou. - Eu deveria estar lá. Deveria ser o meu rosto sua última visão. - Ceci. - Diego totalmente vestido parou no umbral da porta. - Celina já foi. Vamos conversar... - Não. - Ela o olhou por cima dos ombros. - Vou ficar aqui até me recuperar. Vou dormir no quarto do meu filho, já que não me despedi dele como deveria. Por favor, me deixe em paz. - Mas Ceci... - Se eu não estivesse vindo por conta própria você foderia minha irmã, e depois me buscaria no hospital, e continuaria tendo um caso com ela. Porque a Celina é boa de cama. Não se preocupa com nada, já que o velho noivo compra tudo para ela. Com a Celina tudo era mais fácil. Ela não lidaria com o luto, como a sua mulher. Então não. Não quero mais ouvir nada. Diego fechou a porta, havia acabado com um relacionamento de doze anos, não tinha mais o que dizer. Perdera o filho, e destruiu para sempre o coração da esposa.
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