Sem saída

1195 Palavras
Estrela Rafa chegou á pensão, antes mesmo de entrar eu já disse o que havia acontecido. — CASAMENTO?! Rafael deu um grito tão grande que a senhora Renata acordou resmungando como sempre. — Fala baixo! — reclamei. — Quer que os outros hóspedes escutem? — Eu quero entender por que um bilionário decidiu pedir você em casamento! — Você já chega aqui me esculachando? Olhei para minha mãe, esperando que ela mesma dissesse o quanto aquilo era absurdo... Mas nadinha! Horas antes, depois da proposta, o advogado ainda tinha ficado alguns minutos na recepção da pensão. Fecho os olhos lembrando: "— O senhor Villareal entende que a proposta é… inesperada. A senhorita tem até amanhã para se decidir! — E se eu disser não? — Então direi ao meu cliente que a senhorita recusou. — Simples assim? Pensei. — Mãe? — falei, incrédula. — A senhora não vai dizer nada mesmo? — A decisão precisa ser sua, Estrela. Aquilo me deixou com raiva. — Sério? Um doido aparece oferecendo casamento e você acha normal eu decidir isso sozinha? — Eu não acho normal… — Então fala! — gritei. O advogado ficou assistindo tudo em silêncio." Abro os olhos, o advogado caiu fora há alguns minutos... Rafael na minha frente com cara de yag enigmática. — Isso tem cara de psicopata rico — ele falou, andando de um lado para o outro. — Não existe homem normal oferecendo contrato de casamento para pobres por aí. — Obrigada pelo apoio emocional. — Respondo. — Eu tô falando sério. Ele puxou uma cadeira e sentou na minha frente. — O que exatamente esse cara quer? — O advogado não explicou muita coisa. Só disse que Dante Villareal quer me conhecer amanhã e talvez seja para fazer a proposta pessoalmente! — E você vai? — Não! — Estrela… — minha mãe entrou no assunto. — Não começa! — Talvez devesse ouvir... — Ouvir o quê? O motivo pelo qual um homem milionário resolveu brincar de boneca comigo? Ela ficou quieta de novo e Rafael pegou o celular. — Espera. — O quê? — pergunto. — Me fala o nome completo dele. — Dante Villareal Benites. Ele começou a mexer nas redes sociais até arregalar os olhos com lentes verdes. — Ah, não! Ou sim? — O que foi agora? Ele virou a tela para mim e o perfil do Dante apareceu. O cara era bonito, bonito demais para me querer nesse mundo! Usa terno preto em quase todas as fotos e em nenhuma delas está sorrindo ou deixa de fazer aquele olhar obscuro. — Tá vendo isso? — Rafael perguntou. Aproximei mais o rosto. — Amigos em comum? — pergunto. — Ele segue o Vinícius. — O Vinícius da faculdade? O playboy? — Sim. Vinícius postava fotos comigo às vezes, só em aniversários e encontros antigos da turma. Não foi difícil saber a minha vida quase toda pelas redes sociais, qualquer um me encontraria facilmente. — Espera… isso piora tudo. — Como exatamente isso pode piorar? — pergunto. — O Vinícius comentou numa foto sua semana passada. Será que esse tal de Dante já me viu na rua? Indo a pé para a faculdade? Aquilo ficou martelando na minha cabeça o resto da noite. Na manhã seguinte, mesmo decidida a recusar, eu tinha que ir até a empresa Villareal. Eu precisava olhar na cara daquele homem antes de mandá-lo para o inferno. O advogado disse que poderia me levar, mas não quero manter muita aproximação com o que tem a ver com tudo isso. Fui de ônibus mesmo... O prédio é lindo e majoritariamente tem vidros escuros. — Como o olhar do dono! Seguranças e pessoas que pareciam ser importantes quase correndo feito loucos. O advogado apareceu assim que cheguei. — Senhorita Duarte. O senhor Villareal está esperando! — Que emoção... — respondo com ironia. Arrumei um pouco meu vestido, tão simples e me pego constrangida por estar destoando por completo dali. Fui levada até o último andar. Quando a porta do escritório abriu… eu entendi imediatamente por que aquele homem me causava arrepios. Dante Villareal estava sentado atrás da mesa. Ele me olhou, mas não sei dizer se foi um olhar de aprovação... Ou que d***o de olhar era aquele. — Senhorita Duarte! A voz grave dele, tão sexy... Não! — Muito prazer, senhor bilionário desconhecido — respondi. O advogado tossiu discretamente atrás de mim e o tal Dante continuou me encarando. — Você é mais baixa do que imaginei. — E você parece mais arrogante pessoalmente também. — Sente-se! — Ele indicou a cadeira. — Prefiro ficar de pé. Facilita na hora de ir embora! Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa, vejo um anel bonito em seu dedo anelar. Uma joia arrojada... — Preciso de uma esposa de fachada durante um ano... — E eu preciso de terapia depois dessa conversa. — Em troca, todas as dívidas da sua família serão pagas. — Essa parte da fala me interessou. Mas ao mesmo tempo, agora sei que ele realmente sabe coisas íntimas da minha vida. Coisas que rede social alguma tem... Tentei manter a expressão firme. — Como você sabe das dívidas? — Eu sei muitas coisas sobre você, Estrela. — Isso deveria me assustar? — pergunto, tentando manter a calma. — Talvez. — Você é maluco? — Possivelmente. — E acha normal pedir uma desconhecida em casamento? — Você não é tão desconhecida assim. — Isso é doentio. — Isso é necessário, Estrela. — Para quê exatamente? Dante olhou para o advogado e disse: — Porque preciso parecer um homem de família. — E por que eu? — Porque você parece convincente. — Sorri com a resposta. — Uau. Quase me emocionei. Ele deslizou uma pasta até mim, apenas olhei. — O contrato! — Não. — Nem toquei nela. — Não? — ele perguntou, incrédulo. — Você ouviu. Não vou me casar com um homem que claramente precisa de uma camisa de força! O advogado tossiu nervoso de novo e eu simplesmente deixei os dois e fui embora. Enquanto saia daquele prédio, senti um aperto no coração e não sei dizer com palavras o quanto aquela conversa havia sido incômoda. Mas quando voltei para a pensão… Tinha dois homens discutindo com minha mãe na recepção, quase a agredindo. — Se o pagamento não acontecer até sexta, voltamos com ordem judicial! — Mais isso... Ela começou a chorar de novo. — Seu padrasto devia para agiotas também. Um dos homens me encarou antes de entrar no carro... — Sua família tá afundada até o pescoço, garota! Naquela noite, recebi uma mensagem no w******p. Era o advogado... "O contrato que deixou sobre a mesa." Estava em um documento, abri e comecei a ler. Mas perto da meia-noite… liguei. O advogado atendeu rápido até demais. — Senhorita Duarte. — Eu aceito! — Amanhã um carro irá buscá-la para assinatura oficial. — Certo. Antes que eu desligasse, ele completou: — O senhor Villareal também pediu para informar algumas regras. — Que regras? — Sem sentimentos! Sem perguntas e jamais entre no quarto dele! Sorri e respondi. — Perfeito! Ao desligar, sinto que essa decisão é pior da minha vida.
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