Dificuldade

921 Palavras
Mouse abaixou a cabeça. — E nenhum de nós vai dormir tranquilo… se entregar uma menina na mão daquele louco, ele dever ser exatamente como Italo.. __ Isso tudo porque ele quer atingir a gente… para fazer você pagar, Mouse. Ele está cobrando uma dívida que não existe, na verdade, quem deve é ele. Mouse respirou fundo. Demorado. Pesado. — Eu vou ficar com a minha senhora… — disse por fim — e resolvo isso mais tarde. A minha vontade é matá-lo, assim como fiz com Italo, se ele morresse, tudo se resolvia, tudo.. Albucacys, eu não precisava de olhar na cara dele nunca mais e Monalisa ficava livre, a gente podia m.atar Sérgio e Priscila Bittencourt também, resolvemos um monte problema assim, um monte. __ Não podemos Mouse__ Albucacys o alertou, não podemos, não dessa vez, se os três morrem, vão investigar a fundo, pode ter certeza que Jacó não é burro e deixou algum documento dizendo que se ele sumisse, você era culpado. Esfrie a cabeça, vá ficar com sua senhora, vá.. Mouse foi.. Não era fácil. Se aproximar do pai que abandonou…do pai que deixou ele jogado no mundo…do homem que nunca esteve ali… Aquilo não era simples. Ele sentia por Mouse, sentia mesmo. Mas não havia tempo para sentimentos. Albucacys foi passar um tempo com o pai… e com Hércules. E então… O carro da floricultura chegou, um buquê enorme de rosas, era um presente para Dakota, parecia uma conspiração, já tinham um problema enorme para resolver. Aliah percebeu que as flores eram para a garota que amava..e a crise veio como uma onda, silenciosa , ele sentiu vontade gritar e rodar, mas não faria isso, porque tinha entendido que aquilo chamava atenção demais.. E estava lutando contra a sua própria natureza para não rodar em momentos de crise.. Ele virou… e caminhou em direção ao rio. Dakota foi atrás, mas Olena entrou na frente, se preocupou, porque o filho estava crescendo ainda mais, tinha força, não era violento, não, mas ainda assim se preocupava, principalmente em momentos de crise.. — Deixa ele respirar, Dakota. Vamos comer um doce juntas.. Mas Calton interferiu, firme: — Ele sempre disse que a ama, Olena.. A gente entende que ele tem uma mente atípica… mas, se ele for grosseiro a ponto de machucar, eu resolvo com ele. E não vai ser uma conversa pacífica, ele foi muito bem instruído por todos, o tio dele conversou com ele, o padrinho, avô e eu, você também.. Olhou direto para Olena. — Ele precisa aprender a se controlar… assim como eu aprendi a controlar o ciumes.. Deixa ela ir. Eles precisam aprender a viver juntos, já que querem se casar. Calton queria segurar o garoto, era pai , podia não ser de sangue, mas era pai por amor. Mas lembrava das palavras de Callebe. Aliah não era incapaz, precisava aprender, precisava virar homem. E aquilo… doía nele também. Olena não discutiu, soube que Calton tinha razão,porque, mesmo Aliah não sendo sangue de Calton…ele tinha herdado o ciúme. Sentia ciúmes até mesmo dela. Quando saíam juntos, Aliah fechava a expressão e conseguia até mesmo intimidar os homens que olhavam para ela.. Dakota foi atrás, parou alguns metros antes.Aliah estava com o semblante pesado, uma faca na mão, riscando a árvore, marcando, rabiscando palavras em outra língua: Árabe, xingava em árabe… porque as crianças não entendiam. Ele jogou a faca no chão e abriu os braços, ela se agarrou a ele. — Quem mandou as flores, Dakota? — Juro que não sei… — ela disse, agarrada nele — não tem nome no cartão… eu não sei, Aliah. Ele encostou a testa na dela. — Você sabe que eu te amo… não sabe, Aliah? — Sei. Eu também amo você…Mas eu tenho medo. Ela afastou um pouco. — Medo de quê? — Se eu tivesse uma mente “normal”… daqui a alguns meses a gente podia viajar, conhecer novos lugares como Mouse e Mika. Você podia ter a carreira que merece. Você seria uma modelo excepcional…Mas, por causa da minha condição… a gente não pode sair daqui, lá fora, eu vou viver em crise. Sou um doente e... Dakota segurou o rosto dele com firmeza. — Não fala isso. Você não é doente. Você é autista, eu não quero ir embora. Nunca quis ser famosa. Quero viver aqui. Quero ser como a tia Paloma… cuidada… ter uma vida boa, mas não quero trabalhar como ela. Ele fechou os olhos. — Jura que não vai embora? — Juro. Ele a abraçou, acabaram deitados na grama, aos beijos. Quando Aliah se acalmou, disse: — Vou descobrir quem mandou as flores… ___ Deve ter sido um engano. Eu conheço tanta gente… ninguém tinha motivo para mandar flores. Mas Aliah não tinha tanta certeza… e precisava conferir. — Sua irmã… — Dakota começou. — Não… não — ele cortou. — Não me obrigue a me aproximar. Eu não quero ela perto de mim… ainda. — Mas você sabe que ela não tem culpa. — Eu sei, Dakota… eu sei. Você sabe que eu entendo tudo. Às vezes… eu me finjo para as pessoas de fora… mas você sabe que eu entendo tudo muito bem. Algumas pessoas ainda achavam que Aliah não entendia o mundo à frente dele.Outras achavam que ele nem sabia ler direito… porque ele fingia muito bem.Mas Aliah era extremamente inteligente. Ele só não queria contato com Monalisa… ainda. Não era capaz nem mesmo de sentar perto dela. Mas isso queria a irmã machucada, isso não.
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