CAPÍTULO 06

1114 Palavras
NATHALIE Se estou chocada? Acho que isso é pouco para expressar o que sinto. Quando Christian sai do quarto com aquela linda menina em seus braços, um turbilhão de perguntas se forma em minha cabeça. Minha mente está doidinha. Ele é casado? Por que ninguém me disse? Ou será viúvo? Ou então divorciado? Acorda, Nathalie. Você está falando de Christian Mello, o arrasador de corações do Kansas. Acho que essa menina deve ter sido fruto de “uma noite e nada mais”. Se for, pelo menos ele assumiu a responsabilidade..., mas por que ninguém me disse nada? Passaram-se alguns minutos e Christian retorna ao quarto. Eu não saí do lugar, ainda estava em choque com a descoberta. Ele se senta de frente para mim, respira fundo e olha bem no fundo dos meus olhos. Esses olhos… Meu Deus, nunca consegui resistir a eles, não sei como eu ainda não pulei em cima dele. Foco, Nathalie! – Pela sua cara de confusão ninguém te falou nada. – Ele começa com um meio sorriso. Oh! calcinha molhada. – Realmente, ninguém me falou nada. E mesmo assim, Christian, o que você faz da sua vida não me interessa. – Eu sei que estou sendo rude, mas ele merece. – Por que vive me dando patada? – Porque se eu não fizer isso, corro o risco de colocar todo meu plano por água abaixo. – Sou sincera, é diferente. – Tento justificar-me. – Mesmo assim, parece que você me evita. – Parece não, querido, eu evito mesmo. – Christian, eu só não sou mais a mesma pessoa de dez anos atrás... Como você mesmo disse mais cedo na fazenda dos meus pais, as pessoas mudam. E eu mudei, não sou mais aquela adolescente que todos pisavam. – Desabafo com certa amargura. – Nisso tenho que concordar, realmente você mudou e isso me preocupa. – Seu tom era enigmático. – Como assim? – Eu queria compreender. – Você ainda não percebeu, não é? – Não. O que eu deveria perceber? – Não fazia sentido. – Deixa para lá. – Ele esquivou-se. – Voltando ao assunto de que pessoas mudam, eu admito que sim, realmente as pessoas mudam. Eu mudei tanto que adotei uma criança há alguns anos. – Olho para ele surpresa e mais chocada ainda. Como assim, produção? Adotou?! – Está bem, me perdi. Como assim você adotou uma criança? – Era tudo um pouco confuso para mim. – Adotando, ué. – Ele diz o óbvio. Seu tom assemelhava-se à zombaria. – Aff, você me entendeu. – Sua resposta me deixou irritada. – Pensei que você não quisesse saber nada da minha vida. – Sorriu em total deboche. – Ah, quer saber? Desisto de ter uma conversa civilizada com você. – Perdi minha paciência e em seguida tento me levantar, todavia sou impedida por ele, que segura meu braço. – Desculpe. Eu vou te contar tudo. – Ele muda seu tom e me dou por vencida, voltando a me sentar. – Lívia é minha filha adotiva, eu a adotei quando tinha dois anos. Ela foi abandonada pelo pai na porta da minha casa; atualmente ela está com oito anos. – Como pode alguém fazer isso com uma criança? Foi a única ideia que passava por minha mente. – Que horror! Mas como você sabe que foi o pai dela? – Comecei a interagir com ele. – Junto a Lívia estava um ursinho, o que você viu com ela, e uma carta contando seu nome e data de nascimento, além de narrar os motivos do abandono do pai. – E quais eram os motivos? – Fiquei curiosa. – A mãe de Lívia morreu no parto e seu pai teve que ser os dois ao mesmo tempo. Eles não tinham muitas condições financeiras, e estava há pouco tempo trabalhando como faxineiro em uma escola. Com o nascimento da filha, e se tornando pai solteiro, sua vida tornou-se difícil. Ele disse também que tentou deixar a filha com uma vizinha, mas dois meses depois descobriu que a mulher maltratava Lívia, batendo nela e a deixando sem comer. Ela só tinha alguns meses de vida. – Que monstro! Fiquei horrorizada. – Essas pessoas não merecem viver, como podem fazer isso com uma criança? – Demonstrei minha revolta com a história. – Eu também penso assim, mas enfim, sem ter em quem confiar para deixar a filha ele teve que largar o trabalho para cuidar dela. O capital que havia guardado para algo urgente, além do pouco dinheiro que sua mulher lhe deixou, os sustentaram por um ano e pouco. Então, sem ter saída, ele teve que abandoná-la. – Christian, isso é uma situação bem delicada... Não sei o que faria no lugar desse pai, mas de uma coisa eu sei, nunca abandonaria meu filho. – Olho para Christian que começou a me encarar de uma forma diferente, diria que é um olhar de... Não, isso só pode ser coisa da minha cabeça. – Eu também, mesmo estando nesta situação... – Ele concorda comigo. – Se ele não tinha condições de cuidar, por que não a deu a uma casa de adoção? – Não sei. De repente ele viu minha casa e pensou que talvez ela teria uma boa vida aqui... E acertou, mas mesmo assim, não acho correto. – Ela sabe que você não é pai dela? – Sabe. Ela se lembra do verdadeiro pai, muito pouco, mas lembra. – Christian, o que você fez foi muito bonito. – Ele sorriu. – Só fiz o que meu coração disse que era o certo a se fazer. Também me encantei por ela, é um amor de menina, igual a você. – Quando ele diz isso, sinto meu rosto ferver. Sem dúvida, estou corada. – Christian. – Respondo envergonhada. – Você ainda cora e isso é bom. – Ele segura minha mão fazendo com que uma eletricidade passe por todo meu corpo. – Eu sempre coro com elogios. – Minto, tentando disfarçar o que sinto. – Me perdoa? – Ele me questiona, deixando-me confusa. – Perdoar o quê? – Eu não sabia como reagir. – Por ter te magoado e agido como um completo i*****l no dia do seu aniversário. – Ele diz se aproximando mais. Oh Deus! Me dê forças para suportar a vontade que estou de pular em cima dele. – Christian, esqueça isso. – Falei tentando sair de perto dele. – Não até você olhar bem no fundo dos meus olhos e dizer que me perdoa. – Ele continua segurando meu rosto em suas mãos. – E por que quer que eu te perdoe? – Eu já não sabia o que pensar. – Porque não suporto mais olhar nos seus olhos e ver o quanto a pessoa que eu amo e sempre amei está magoada comigo por eu ter agido como um bastardo sem coração. É isso mesmo que eu ouvi?! – O que você… – Sou interrompida por ele, que me puxa para seu colo, me pegando pela cintura e sela nossos lábios em um beijo urgente e cheio de vontade. Por um momento, ligo o f**a-se para tudo e me deixo levar.
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