capitlo 3 e 4

1072 Palavras
CAPÍTULO 3: REFÉM OU PROTEGIDA? A mansão Moretti erguia-se no alto de um morro, cercada por muros altos, cercas elétricas e câmeras de vigilância em todos os ângulos. Parecia um palácio construído para abrigar reis, mas para mim, era uma prisão dourada. Fui levada para lá sob a escolta de homens armados, com instruções claras de que não podia sair dos limites da propriedade por motivo nenhum. Dante me mostrou os aposentos: quartos imensos com móveis de luxo, roupas de grife nos guarda-roupas, joias sobre a penteadeira, tudo do melhor e mais caro que o dinheiro podia comprar. Mas nenhum daqueles bens podia comprar minha paz. No primeiro dia, tentei agir como uma convidada. No segundo, a realidade bateu à porta: meus celulares foram confiscados, meus contatos monitorados, e até os passeios pelos jardins eram acompanhados por guardas silenciosos que não tiravam os olhos de mim. A raiva começou a misturar-se ao medo. Eu não pedira por isso, não pedira para ser herdeira de um império criminoso nem objeto de obsessão de um homem como Dante. No terceiro dia, resolvi tentar. Esperei até a madrugada, quando a guarda parecia mais relaxada, peguei uma chave que vira Dante usar e tentei sair pelos fundos, rumo à mata que cercava a propriedade. Corri com o coração na boca, os pés descalços ferindo-se nas pedras e raízes, achando que finalmente conseguiria escapar. Mas a liberdade durou pouco. m*l tinha chegado à cerca de arame farpado, dois braços fortes me envolveram, imobilizando-me completamente. Dante me ergueu no ar como se eu não pesasse nada, virou-me de frente para ele e seus olhos estavam em chamas, negros de fúria e uma dor que eu não esperava ver. Ele me carregou de volta ao interior da mansão, em silêncio, mas sua raiva era palpável. Ao chegar ao quarto, ele me atirou suavemente sobre a cama, trancou a porta e virou-se para mim, com o peito arfando violentamente. — Quem deu a você o direito de ir? — rugiu ele, aproximando-se devagar, cada passo uma ameaça. — Você acha que pode fugir de mim? Que existe um lugar no mundo onde eu não possa encontrá-la? Ouça bem, Elena: eu dedico cada segundo da minha existência para mantê-la segura. E você me paga tentando se entregar aos perigos que eu afasto? — Você não me protege! Você me aprisiona! Gritei, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ele me agarrou pelos cabelos, forçando-me a olhar para ele, e pressionou seu corpo contra o meu, fazendo-me sentir toda a sua força e d****o. — É a mesma coisa — rosnou, com a boca a milímetros da minha. — O mundo lá fora é c***l, sujo e traiçoeiro. Aqui, você é intocável. Se isso é prisão, então sim, eu sou seu carcereiro e você é minha prisioneira. E eu nunca, jamais, vou soltar você. Então pare de lutar. É inútil. Nossas vidas estão amarradas por laços de sangue e fogo. Você nasceu para ser minha. Naquela noite, ele ficou comigo até que o sol nascesse, não tocando-me de forma íntima, mas não me deixando ir, observando cada movimento meu, certificando-se de que eu entendera a mensagem. O sono não veio, mas a certeza sim: eu estava ligada a ele por uma corrente que não podia ser quebrada. CAPÍTULO 4: TRAIÇÕES NO CONSELHO A estrutura do poder de Dante era mantida por um conselho de capangas antigos, homens cruéis que cresceram com ele nas ruas e nas sombras do crime. Mas nem todos pareciam satisfeitos com a nova situação. Naquela noite, a sala de reuniões da mansão estava carregada de fumaça de charuto e tensão. Eu estava ali, sentada ao lado de Dante, como ele insistia que estivesse — não como uma convidada, mas como sua parceira visível, sua marca registrada. Os homens discutiam em vozes baixas, mas as acusações eram claras. Muitos achavam que a p******o dedicada a mim era um sinal de fraqueza, que o líder estava perdendo o foco por causa de uma mulher que não entendia nada do mundo deles. O mais velho, um homem chamado Lorenzo, com cicatrizes no rosto e olhar de desprezo, foi o primeiro a falar alto, desrespeitando todos os protocolos. — Isso é tolice, Dante! — exclamou ele, batendo o punho na mesa de madeira maciça. — Você gasta recursos, homens e tempo com essa garota como se ela fosse uma deusa. Mas ela é apenas um ponto fraco, uma isca perfeita para os inimigos. Um líder n******e ter amarras que o puxem para baixo. Se continuar assim, vai arrastar todos nós para o abismo! O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Dante não se moveu de imediato. Ele girou lentamente o corpo na direção de Lorenzo, com uma calma que era muito mais assustadora que qualquer grito. Seus olhos escuros analisaram o rosto do homem, buscando não apenas a insolência, mas a raiz de uma possível traição maior. — Você acha que o amor ou a devoção são fraquezas? — perguntou Dante, com uma voz calma e perigosa. — Ou talvez você esteja procurando uma desculpa para justificar sua própria insatisfação... ou sua lealdade a outros que não eu? Lorenzo empalideceu, mas tentou manter a postura. — Falo pelo bem da família! — A família sou eu! — berrou Dante, rompendo a calma em um movimento rápido como uma cobra. Ele sacou uma a**a e disparou um tiro certeiro ao lado da orelha do homem, fazendo todos pularem de susto. — E ela é a minha rainha. Quem fala m*l dela, fala m*l de mim. Quem questiona minhas decisões, desafia minha autoridade. E eu não tolero traidores, nem mesmo se estão sob o mesmo teto há anos. Ele caminhou ao redor da mesa, parando atrás de Lorenzo, e sussurrou para que todos ouvissem: — Agradeço por me mostrar onde está a ferrugem na minha organização. Agora, o resto de vocês veja o que acontece com quem duvida do meu poder e da importância da minha Elena. Dante ordenou que os guardas levassem o homem. O destino dele não foi dito em voz alta, mas a forma como os outros membros do conselho abaixaram a cabeça, calados e aterrorizados, mostrou que a mensagem fora recebida. Naquela noite, eu vi que ao lado de Dante eu estava segura, mas também vi que ele construíra seu império sobre medo e sangue — e qualquer um, amigo ou inimigo, poderia ser destruído se ameaçasse o que ele amava.
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