Kate.
O silêncio entre nós já não é apenas tensão — é eletricidade.
Ele percebe antes de mim que algo mudou. Não é mais sobre os artigos. Não é mais sobre a vingança. É sobre o espaço mínimo que ainda existe entre nossos corpos… e o fato de que nenhum dos dois quer mantê-lo.
— Você está tremendo — ele murmura.
— Não estou.
Mas estou.
Não de medo.
Ele dá um passo em minha direção. Depois outro. Não há pressa, e talvez isso seja o que mais me desarma. Oliver nunca foi um homem que precisasse correr atrás de nada. Ele avança porque sabe que, no fim, o mundo cede.
Eu deveria recuar.
Não recuo.
Ele para a poucos centímetros de mim. O calor do corpo dele me envolve antes mesmo do toque.
— Você escolheu ficar — ele diz, a voz baixa, mais íntima do que qualquer sussurro. — Então pare de agir como se estivesse pronta para fugir.
— Eu não estou fugindo.
— Ainda não.
O desafio paira no ar.
Eu sustento o olhar dele, mesmo quando minha respiração começa a perder o ritmo.
— Você acha que eu não sei o que isso significa? — pergunto. — Ficar ao seu lado?
Ele inclina a cabeça, analisando meu rosto.
— Acho que você sabe exatamente. E é isso que te assusta.
Ele ergue a mão devagar, como se estivesse me dando tempo para recuar. Seus dedos roçam minha cintura. Não possessivos. Firmes.
Eu engulo em seco.
— Oliver…
— Shh.
A outra mão desliza para minhas costas, aproximando nossos corpos até que não reste espaço. Meu coração bate contra o peito dele, rápido demais.
— Eu posso sentir — ele murmura. — Você não tem medo de mim. Nunca teve. Você tem medo do que sente.
A verdade queima.
— Você não deveria estar tão confiante — respondo, mas minha voz falha levemente.
Um sorriso quase imperceptível toca os lábios dele.
— Não é confiança. É certeza.
Ele desliza a mão pela minha nuca, os dedos se enroscando nos meus cabelos, puxando com delicadeza suficiente para me obrigar a erguer o rosto.
E então ele me beija.
Não é um beijo brusco. Não é urgente.
É lento. Profundo. Como se estivesse reivindicando algo que sempre foi dele.
O mundo inteiro desaparece.
Minhas mãos sobem pelo peito dele, sentindo a tensão contida sob o tecido da camisa. Ele não se move rápido. Não me apressa. Cada segundo parece calculado para me fazer sentir.
Quando ele se afasta, apenas o suficiente para que possamos respirar, seus olhos estão mais escuros.
— Diga para eu parar — ele sussurra.
Eu deveria.
Em vez disso, seguro o colarinho da camisa dele e o puxo de volta.
Isso é resposta suficiente.
Ele me ergue com facilidade, como se eu não pesasse nada, e me leva até a poltrona larga atrás de nós. Senta-se e me acomoda em seu colo, de frente para ele, as pernas dos dois entrelaçadas.
O contato é total agora.
Quente.
Intenso.
Real.
Eu sinto a respiração dele contra meu pescoço enquanto seus lábios descem lentamente pela minha pele, traçando um caminho que faz meu corpo inteiro reagir.
— Você faz ideia do que está fazendo comigo? — ele pergunta contra minha pele.
— Talvez — respondo, já sem ar.
Ele solta um som baixo, quase um riso.
— Perigosa.
Minhas mãos deslizam pelos ombros dele, depois pelo peito, sentindo cada músculo sob meus dedos. Não há pressa. Não há violência. Só uma necessidade crescente que se constrói devagar demais para ser ignorada.
Ele segura meu rosto novamente, me obrigando a encará-lo.
— Olhe para mim.
Eu olho.
Há algo diferente ali. Não é apenas desejo. É escolha.
— Eu não vou te machucar — ele diz, como se estivesse fazendo um voto silencioso.
E, desta vez, eu acredito.
Eu me inclino e o beijo primeiro. Com mais intensidade. Sem o cuidado inicial. Minhas mãos descem pelas costas dele, puxando-o para mais perto.
Ele responde imediatamente.
O beijo se aprofunda. As mãos dele exploram minhas curvas com reverência e firmeza, como se estivesse memorizando cada detalhe. Meu corpo reage ao toque dele como se já soubesse o caminho.
Quando ele me leva até o quarto, não há palavras. Só olhares.
Ele me deita na cama com cuidado, como se eu fosse algo precioso demais para ser quebrado.
Por um momento, ele apenas me observa.
— Você tem certeza? — pergunta.
Eu me sento e seguro o rosto dele entre minhas mãos.
— Eu escolhi você. Lembra?
Isso é tudo de que ele precisa ouvir.
O que acontece depois não é selvagem nem apressado.
É intenso.
Ele beija cada parte de mim como se estivesse tentando apagar os anos de distância. Como se cada toque fosse um pedido de desculpas silencioso. Como se cada suspiro fosse uma promessa.
Quando nossos corpos finalmente se encontram, não há violência nem disputa por controle.
Há entrega.
Eu me seguro nos ombros dele, sentindo cada movimento, cada respiração compartilhada. Ele mantém o olhar preso ao meu, como se quisesse garantir que eu esteja ali, com ele, consciente de cada escolha.
E eu estou.
Cada sensação é ampliada pelo fato de que poderia não ter acontecido. De que quase nos perdemos antes de começar.
Ele enterra o rosto no meu pescoço, murmurando meu nome como se fosse algo sagrado.
Eu deslizo os dedos pelos cabelos dele, puxando-o de volta para um beijo.
O ritmo cresce, depois desacelera, como se estivéssemos aprendendo um ao outro de novo. Como se estivéssemos reconstruindo algo que nunca deveria ter sido quebrado.
Quando finalmente desabamos juntos, não é apenas prazer.
É alívio.
Ele permanece sobre mim por um momento, a respiração pesada, a testa encostada na minha.
Depois se move para o lado, me puxando contra o peito dele.
Eu descanso a cabeça ali, ouvindo o coração dele bater forte e constante.
— Isso muda tudo — murmuro.
— Eu sei.
O braço dele se aperta ao meu redor.
Mas, mesmo envolta no calor dele, mesmo com o corpo ainda vibrando com o que compartilhamos, a sombra não desaparece completamente.
Ele sente.
— Você ainda está pensando — ele observa.
Eu traço círculos distraídos no peito dele.
— Sempre.
Ele ergue meu queixo suavemente.
— Seja o que for, nós enfrentamos juntos agora.
Eu quero acreditar nisso com todas as minhas forças.
Mas há segredos que ainda respiram entre nós.
E, quando ele descobrir…
Quando entender completamente o jogo que começou muito antes deste quarto, desta cama, deste momento — nada será simples.
Por agora, porém, ele me segura como se o mundo lá fora não existisse.
E eu me permito, pela primeira vez, descansar nos braços do homem que deveria ser meu maior inimigo.