O dia amanheceu quente no morro. O sol m*l tinha subido e já queimava o concreto das vielas, misturado com o cheiro de café forte e fumaça de escapamento. Guto desceu os becos com o semblante sério, o rádio preso na cintura e o cigarro entre os dedos. O silêncio da manhã era enganoso — parecia tranquilo, mas no morro, sossego demais sempre escondia alguma coisa. Na boca, Chacal já estava de pé, falando com dois vapores sobre o movimento da noite. — A ronda da polícia passou duas vezes lá embaixo — dizia um deles. — Mas não subiram. Chacal assentiu, olhando pro relógio. — Mantém o mesmo esquema. Se subir viatura, quero saber antes dela virar a esquina. Guto chegou logo depois, jogando a bituca no chão. — A galera do desmanche mandou notícia — disse ele, direto. Chacal ergueu o ol

