ISADORA - SILENCIO NA RUA

1481 Palavras

O relógio marcava quase meia-noite quando Seu Nilo tomou o chá e olhou pela fresta da janela. A rua estava vazia, mas havia algo no ar que o deixava inquieto, o vento vinha carregando um cheiro estranho — de gasolina, de rua molhada, de gente errada rondando. Ele já conhecia aquele tipo de silêncio. Era o silêncio que precedia o perigo. No quarto dos fundos, Isadora dormia enrolada num cobertor fino, o cabelo caído sobre o rosto, o corpo miúdo, como se tentasse se esconder até nos próprios sonhos. Ela tinha fugido do bordel fazia pouco mais de uma semana. Ainda acordava assustada às vezes, suando, o peito arfando como se o passado a perseguisse até dentro das paredes. Nilo sabia que ela precisava de descanso, mas também sabia que descanso era luxo pra quem carregava o medo nos olhos. C

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