GUTO - FINALMENTE EM CASA

1034 Palavras

Guto saiu da boca antes que o relógio marcasse dez. Tinha conversado com dois vapores, cobrado uma entrega atrasada, alinhado a ronda com o Davi e conferido a planilha da madrugada — tudo no modo automático, como se cada ação fosse só um ritual mecânico. Porque, na verdade, a cabeça dele estava em casa. No alto do morro. Deitada no colchão. Com cabelos espalhados… e o cheiro dela na pele dele. Aquela noite — a primeira deles — tinha mexido com o que ele era. Pisado fundo num lugar que ele nunca ofereceu pra ninguém. Por isso, quando acabou o que precisava fazer, Guto pegou a moto e subiu o morro com pressa. O motor ecoava nas vielas estreitas, cortando o silêncio ainda preguiçoso do bairro. “Só quero chegar logo”, ele pensava, acelerando mais do que o normal. Quando estacionou na

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