Capítulo 6

1091 Palavras
Tenho que confessar que achei que seria mais fácil. Achei que era só montar o escritório e as causas cairiam não minha mesa, mas não foi bem assim. Foi dias que passei no escritório fazendo absolutamente nada e além de lê livros de advocacia e pesquisar sobre julgamentos, rezando para que meu dia chegue logo. Semanas depois, o que aparecia era pessoas pagando por consultorias, para eu lê um contrato trabalhístico, de divórcios, multas e todos os tipo. Eu lia e aconselhava, porém não cobrava muito. Já estava ficando desanimada, até que uma batida na porta da minha sala mudou tudo. - Olá, bom dia.- eu disse abrindo a porta para o Fábio, dono da loja. - Bom dia Angelina, tudo bem?.- disse ele simpático e eu concordei o convidando para entra. - Pode ficar a vontade, aceita um café?.- perguntei quando ele se sentou na poltrona a minha frente. - Não não, obrigada, queria conversar com você sobre um amigo meu.- disse ele e eu me sentei para ouvi-lo.- então, é um caso complicado, esse meu amigo, tem um filho que acabou de ser preso, tudo indica ser porte ilegal de armas, e ele está desesperado. Ele é um político muito prestigiado, e está com receio que isso interfira em seus negócios.- disse meio sem graça. - Mas do que exatamente ele está sendo acusado? - De pegar a arma de um dos seguranças do pai e ameaça a ex de morte*.- disse me encarando. - E isso é verdade?- perguntei desconfiada. - Receio que sim. Mas ele é um menino bom, essa namorada já arrumava problemas a muito tempo, ele havia brigado com os pais e amigos para ficar com ela, e depois dele te torrado uma grana com a menina, ela o trocou pelo melhor amigo do menino. Isso deixou o moleque louco*, ele queria se vingar a todo custo, e acabou cometendo essa burrada.- disse rapidamente. - Ok, me deixa conversar com esse rapaz. ◆◆◆ Mas a tarde, Felipe de 23 anos bateu a minha porta juntamente com seu pai. Ele olhava desconfiado e assustado, parecia um bicho do mato. - Boa tarde.- disse os convidando para entra. - Boa tarde doutrora.- disse o pai, o senhor Ephraim.- não sei se o Fábio contou a nossa situação, mas quero dizer que meu filho só tomou essa atitude pelo gral de mau-caráter que essa menina teve com ele.- disse com raiva*. - Espero que o senhor entenda que nada justifica ameaça a vida de alguém dessa maneira.- eu disse enquanto sentava e os encarava seriamente.- porém nós podemos pedir uma fiança, contando que o réu é primário.- expliquei. - Sim, eu jamais me envolvi com nada errado.- disse Felipe pela primeira vez. - Quero que me conte exatamente tudo que aconteceu. Não foi um processo difícil, nem muito menos demorado. Mas isso me deu um gostinho do que eu queria, e me deu a certeza que este era o meu lugar. Consegui uma fiança mínima, alegando constrangimento contra o meu cliente. Não tinha ideia de como havia advogados péssimos no mercado. Eu consegui desbancar a acusação sem muito esforço, ainda mais que meu cliente tinha todos os recibos e conversas na qual a menina lhe pedia dinheiro e o oprimia, alegando que se ele não desse ela o deixaria. Mas, aquele simples processo bastou para que o meu telefone não parasse de tocar. Amigos e amigas do senhor Eprahim me ligavam aos montes. Eles vinham por indicação do mesmo e do Fábio e eu me sentia em êxtase sempre que entrava em um tribunal. Alguns eram tão fáceis que nem chegava a ir a julgamento, eu conseguia uma apelação e meu cliente saia ileso. Quanto mais eu aprendia, mais eu me forçava a aprender, nenhum caso era igual, e por isso gostava de está a tenta a todos os detalhes, e era isso que me diferenciava dos outros. Aquilo estava dando tão certo, que eu preferi sair do bar, não estava tendo tempo nem para dormir, pois qualquer tempo livre que eu tinha eu queria aproveitar com Ravi. - Vamos sentir sua falta.- disse o senhor Antônio no meu último dia de serviço. - Não se preocupe, voltarei para visitar sempre que de.- eu o confortei. Ele me olhava de um jeito diferente, como se quisesse dizer algo, porém estava sem jeito para falar. - Está tudo bem?- perguntei enquanto limpava o balcão. - Então menina.- ele disse coçando a barba.- sem querer ser chato, mas agora que você já começou a exercer a sua profissão e sentiu o gostinho da vitória.- sorriu tímido.- você não quer dá uma olhadinha naquele caso que eu te dissera?- o encarei por um momento. Não custava nada estudar aquele caso, era bastante complicado, ainda mais para mim por ser um caso famoso, aquilo poderia acabar com a minha carreira, mais eu não ia perder nada em revisar, aquilo poderia ajudar ao próximo advogado em alguma coisa. - Tudo bem, prometo que verei o que posso fazer.- disse depois de um tempo, e vi o sorriso do senhor Antônio se alargar. - Ah minha querida, muito obrigada, não sabe como isso é bom.- disse esperançoso. - Não prometo que pegarei a causa, só que estudarei o caso.- o alertei. - Claro, claro eu entendo, mas quando a senhorita vê o quanto tudo é estranho, ela ganhará sua curiosidade.- ele disse confiante. ◆◆◆ Marcelo não entendia a necessidade que Smith tinha de ir até o Brasil para fechar negócios. Mesmo tendo deixado Angelina viver a vida sem sua interferência, ele ainda sentia que todo aquele amor que sentiu pela aquela menina estava guardando e algum lugar do seu peito*. E por isso, o medo que tinha de por obra do destino, Smith acabasse a encontrando por acaso, fazia que seu cão de guarda interior latisse enlouquecidamente em proteção aquela garota. Marcelo não queria que Smith botasse seus olhos nela, pois tinha certeza que aquilo aguçaria sua curiosidade, e de alguma forma, ele se encantaria pela inteligência e ingenuidade da garota e acabaria usando o fato de sua aparência contra Marcelo, sem saber de toda a história dos dois. Mas na posição que estava agora, não tinha muito o que fazer, tinha que contar com a sorte para que nada o deixasse entra no caminho de sua garota.
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