Episódio 26

1184 Palavras
POV DE BRIGITTE. Eu estava parada na frente daquele médico. Para que ele me visse, tive que fazer um pequeno escândalo. Cheguei a ameaçar gritar por todo o hospital que eu era sua amante. Só então ele se dignou a me encarar. — Quero que me diga a verdade. O senhor me inseminou? — Não sei do que está falando. Aliás, nem a conheço. — Não se faça de desentendido, doutor. O senhor sabe muito bem quem eu sou. — Com licença, mas tenho tantos pacientes que não os conheço todos. — Bem, vou lembrá-lo de quem eu sou. Vim aqui com a minha mãe, Barbara Davis. O senhor realizou o que deveria ser uma lavagem estomacal, mas acabou me inseminando. — Essas são acusações muito sérias. A senhora tem provas disso? — Seu filho da p*uta, descarado. — Por que acha que eu a inseminei? Você não está tra*nsando? Nunca teve relações se*xuais? — Eu já tive, mas acontece que a minha mãe insiste que esta criança é dela porque você implantou o óvulo dela em mim. Ela permanece em silêncio por um momento, depois refuta. — Você e a sua mãe estão definitivamente loucas. Não me lembro de ter feito tal coisa. Além disso, a minha profissão como médico é realizar cirurgias cerebrais e cardíacas, e vários outros procedimentos, não inseminação. Portanto, peço que você se retire e pare de vir aqui me acusar sem provas, porque você pode enfrentar um processo por difamação. Se meus colegas procurarem nos registros por qualquer paciente com o seu nome, não encontrarão nada, porque eu definitivamente não a tratei. E pare de gravar, garota, porque você é a única prejudicada. — Seu verme! Ela percebeu que estava gravando. Era sua única chance de provar a Eduard que meu filho era dele e meu. — Isso não vai acabar aqui. Você vai pagar por isso. Você vai se lembrar de mim. — Você vai se arrepender. Jogo aquele m*aldito porta-lápis dele no chão e saio. Pensei que descobriria a verdade com esse homem, mas vejo que fizeram um ótimo trabalho em encobrir tudo. Não deixaram nenhum rastro de que eu fui atendida lá. Certamente, todos os funcionários que me atenderam são pessoas em quem ele confia. Não posso nem perguntar para minha mãe. Se eu perguntar, isso implicaria que Eduard me contou, e isso é impossível, porque eu não falo com Eduard. Somos como dois estranhos que apenas se cumprimentam e compartilham a sala de jantar e a casa. Chego ao hospital, esperando encontrar a minha mãe, mas ela não está lá. Ela recebeu alta na noite anterior, depois de levar pontos. Eu não imaginava que Eduard fosse o tipo de homem que bateria numa mulher daquele jeito. Embora eu não saiba muito sobre a vida dele, m*al o conheço, não acho que ele seja capaz disso. Ele devia estar completamente fora de si para fazer o que fez. Entro no quarto da minha mãe e a vejo deitada na cama com um pano sobre a cabeça. — Bri, onde você esteve? Você não dormiu aqui ontem à noite. Onde você ficou? — Na casa do Lisan. Olho ao redor, os meus olhos demorando-se nas inúmeras fotografias de nos duas. — Saí de casa depois que descobri que aquele homem fez aquilo com você. — Você saiu de casa? Assinto. — Querida, você não pode sair de casa. Você está grávida, precisa ficar ao meu lado... — Por quê? Acha que eu não consigo lidar com isso sozinha? Eu me virei sozinha por seis anos. Meu pai me deixava em casa por semanas a fio, sem nenhuma ajuda. Até você me deixou sozinha desde que eu era criança. — Bri, querida... — Foi por isso que caí na piscina quando era tão pequena, e se não fosse pelo vizinho, eu teria me afogado. Quando você chegasse aqui, me encontraria inchada como um sapo. E você acha que eu não consigo lidar com isso? Claro que consigo, aliás, vou conseguir, porque pretendo me livrar dele. — NÃO! Ela se senta abruptamente. — Você não pode fazer isso. Eu não vou permitir. — E que direito você tem de me proibir? — Bri, por que você está falando comigo assim? Suspiro, percebendo que estou agindo de uma forma que não deveria. Se eu continuar olhando para ela assim e falando com ela assim, ela vai começar a suspeitar que o que eu sinto por ela é desprezo. — Desculpe, eu só estou frustrada. Solto outro suspiro. — O pai do meu filho não quer nada com a gente. Ele disse que eu deveria descobrir o que fazer em relação ao problema, mas que ele não está envolvido. —Ah, querida! Não se preocupe, sua mãe está aqui para te ajudar. Você não precisa daquele idi*ota, porque você tem a sua mãe e até o Eduard. — Eduard? Aquele homem que te bateu. — Não, eu não me machuquei, foi um acidente. Ela pega a minha mão e sinto o meu sangue ferver. Tento me levantar, mas ela me impede. — Prometa que você não vai fazer nenhuma loucura, que vai cuidar bem dele. — Por que você diz ‘ele’? Pode ser uma menina, não é? — Tenho a sensação de que é um menino, o meu coração de mãe me diz isso. — O seu coração de mãe? Você quer dizer de avó, porque é isso que você é, a avó dele. Voltei a ficar na defensiva. Para não me irritar ainda mais, decido ir embora, porque se eu ficar mais um minuto, provavelmente vou acabar gritando na cara dela o quanto a detesto. Não vejo o motorista gordo em lugar nenhum, o que é bom, porque assim ele não vai me seguir, e quando Eduard voltar, não vai saber onde estou. Saindo da casa da minha mãe, vou para o apartamento de Gean. Quando a porta se abriu, ele sorriu e tentou me beijar, mas lembrou-se do que eu lhe disse no dia anterior e optou por um abraço. — Que bom que você veio. Achei que não ia querer me ver. — Por que eu não ia querer te ver? Você é uma pessoa muito importante para mim, Gean. — Só uma pessoa importante? Eu não poderia ser o mestre do seu universo? — Gean... — Tudo bem. Desculpe, não vamos falar disso. Vamos falar da sua vida. O que você tem feito, além de tra*nsar por aí e engravidar? — Me matriculei num curso de teatro. Estava trabalhando numa peça importante que estrearia no mês que vem. — Estava? E agora não está mais? — Não mais. Com a gravidez, tudo fica complicado. Ela suspirou. — Preciso começar a procurar emprego. — O quê? Você está pensando em abandonar a escola para procurar emprego? O quê? O pai do seu filho não vai assumir a responsabilidade? — Eu já disse que ele não vai assumir a responsabilidade​.‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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