POV DE BRIGITEE.
Vejo Eduard indo em direção ao ateliê de arte. Enquanto ele resolve o problema com minha mãe, que interferiu em seu ritual tão querido, subo para tomar banho. Quando chego lá, estou horrível. Não consigo acreditar. Pareço uma prostituta parada em frente àquele espelho.
Droga, no que me transformei, numa miserável que parte o coração dos outros? Me repreendo pelas minhas ações, mas então me lembro de que quem sofre é a mãe rui*m, e supero isso.
Enquanto tomo banho, ouço o som de uma ambulância, o que me preocupa. Enxáguo o cabelo rapidamente e saio para ver quem se machucou. Olho para a varanda e vejo Eduard parado lá, encarando a ambulância. Será que ele bateu na minha mãe?
Quando a ambulância vai embora, desço e sigo em direção àquela casa, enrolada apenas numa toalha de banho. Entro porque a porta está aberta e fico atônito com a visão do sangue no chão e a bagunça ao redor. Procuro Eduard com os olhos, entro na sala onde ele pinta e o vejo olhando para minha pintura, que tem um buraco bem no meio do peito.
— Mas... o que diab*os isso significa?
Ele olha por cima do ombro, cobre a pintura pensando que eu não tinha notado, mas eu notei. Vou até lá e a descubro para ver melhor.
Tenho que admitir que ele é um excelente pintor, mas o que significa esse buraco no meu peito? Será que ele vai arrancar meu coração?
— Ela se danificou há alguns dias. Deixei cair uma faca sem querer e ela caiu ali. Vou consertá-la nos próximos dias.
— Sem querer? Tem certeza de que foi um acidente? Será que foi porque o senhor estava com raiva da rejeição de ontem, Sr. Richardson?
Ele sorri enquanto se aproxima de mim. Ele me abraça pela cintura e me puxa para mais perto, respirando no meu ombro, fazendo os pelos da minha pele se arrepiarem.
Esse homem é insaciável. Nem tínhamos feito se*xo por quinze minutos e ele já queria repetir a dose no meio dessa confusão. Eu o interrompo e pergunto:
— O que você fez com a minha mãe? Por que ela saiu de ambulância?
Depois da minha pergunta, ele fica em silêncio, o olhar fixo na minha barriga, e não era o mesmo olhar de antes. Senti um arrepio percorrer minha espinha quando ele disse:
— Você não pode ter esse filho.
— Do que você está falando?
— Sou casado, não posso ter um filho fora do casamento...
— Você perdeu a cabeça? Há poucas horas você não parecia se importar em ser pai.
— Eu não podia te contar, mas agora você sabe, eu não quero essa criança. Amanhã vamos a uma clínica para você fazer um aborto.
— NÃO! Eu digo firmemente. — Você não vai decidir sobre a vida do meu filho!
— Ele não é seu, pelo amor de Deus! Sua mãe te inseminou no dia em que te levou ao médico. Ela colocou um óvulo dela e meu espermatozoide dentro de você, então essa criança é minha e da Barbara.
— Do que você está falando?
— Bri, você é só uma incubadora. O filho meu e da sua mãe está crescendo dentro de você.
— Mentiroso! Aponto o dedo para ele. — Você só está dizendo isso para me fazer aceitar a abominação de matar meu filho. Mas eu estou te dizendo agora, eu não vou me livrar dele. Se você não o quer, eu quero, e vou lutar com todos por ele.
Eu o empurro e saio da sala. Eu o ouço me chamar, mas o ignoro. Subo correndo as escadas, troco de roupa e arrumo algumas peças extras. Enquanto faço isso, lágrimas escorrem pelo meu rosto. Meu peito dói porque, depois da nossa conversa, eu nunca imaginei que ele me pediria isso.
M*aldito seja você, Eduard. Que se dane você e seu m*aldito casamento. Mas eu não vou matar meu filho, não vou tirar a vida daquele que pode vir e preencher este vazio que me assombra há anos.
Depois de arrumar uma mala com algumas coisas, vou até a cozinha, pego uma faca e saio. Enquanto estou perto dos carros, corto os pneus com a faca. Quando o gordo me vê, corre na minha direção. Jogo a faca no chão e entro no táxi que já está esperando. Peço ao motorista que acelere e me tire dali o mais rápido possível. Quando chego à cidade, desço em um ponto de ônibus e pego o ônibus para a casa de Lisan.
Quando ele abre a porta, levanta uma sobrancelha. — Bri, o que você está fazendo aqui?
— Desculpe por ter vindo sem avisar, mas preciso de um lugar para ficar. Posso ficar na sua casa?
Eu teria ficado no apartamento do Gean, mas acho que ele está bravo comigo. Além disso, ficar na casa dele e contar o que está acontecendo seria dar falsas esperanças, e eu não quero fazê-lo sofrer mais.
— Sim, claro que pode.
— Juro que você nem vai notar que estou aqui.
— Vamos para o quarto de hóspedes. Ele me chama para entrar.
— Você brigou com a sua mãe?
— Mais ou menos com o marido dela.
— Ele deve ser insuportável.
Eu assenti. Mas o Eduard não é tão insuportável quanto parece. O que ele é, na verdade, é um completo idio*ta que não consegue parar de se comportar assim e simplesmente deixar a minha mãe.
Não entendo por que ele ainda é casado com ela, se, pelo que vejo, ele não a ama. Mesmo que ele tenha dito isso a ela na minha frente, não acredito que suas palavras sejam verdadeiras, já que ele a traiu comigo e sabe-se lá com quantas outras. Quem ama não trai, e Eduard não sabe o que é amor.
...
Agora que estou sozinha na cama, me lembro das palavras de Eduard, do que ele disse sobre minha mãe. Acaricio minha barriga enquanto penso nisso. Recuso-me a acreditar que seja verdade.
É verdade que minha mãe não me demonstrou um pingo de afeto, mas me inseminar sem meu consentimento... isso seria cruzar a linha das piores mães do mundo.
Enquanto penso, a dúvida persiste, porque me lembro daquele dia na clínica, de como me transferiram de um lugar para outro, de como me sedaram, supostamente para fazer uma lavagem estomacal. Só de pensar que isso possa ser verdade, meu corpo estremece.
Também me lembro da preocupação da minha mãe quando saí do hospital, da sua preocupação em que eu me alimentasse bem e não me esforçasse demais. Da viagem que ela me levou, em que ela ficava tocando minha barriga, e eu pensei que fosse por causa da boa digestão.
Inclinando a cabeça, recusando-me a aceitar essa verdade, afasto esses pensamentos e os substituo por otimismo. Ele é meu filho, meu e de mais ninguém. Se Eduard não o quiser, eu o terei. Ele pode não ter o amor do pai, mas a mãe lhe dará o dobro.
...
Adormeço. Lisan me acorda para comer, mas digo a ele que não estou com fome, apenas cansada. Preciso descansar para poder visitar minha mãe no hospital amanhã.
Quando acordo, tenho centenas de chamadas perdidas de Eduard e muitas mensagens dele e do Gean. Leio primeiro as de Eduard. Todas parecem indicar que ele está irritado por eu ter saído de casa. Ele diz que viajará por alguns dias, mas que, quando voltar, quer que eu volte para casa.
Quem esse idi*ota pensa que é para vir me dizer coisas assim? Como se fosse meu marido, o idio*ta acha que tem direito a tudo só porque me proporcionou sessões de se*xo deliciosas e apaixonadas, mas ele não deveria pensar que é meu dono, principalmente depois do que tentou fazer com meu filho.
Levanto da cama, me espreguiço e vou para a cozinha porque estou incrivelmente excitada. Ao sair do quarto, o cheiro de café invade minhas narinas. Vou até a cozinha e vejo Lisan cozinhando.
— Está com um cheiro delicioso.
— Sente-se, eu te sirvo.
— Deixe-me ajudar.
— Não se preocupe, não preciso da sua ajuda. Apenas sente-se e aproveite este café da manhã. Você sabe que gosto de cuidar dos meus convidados, não deixá-los à própria sorte.
— Eu não sou sua convidada, acabei de invadir sua casa sem pedir permissão. Não sou sua convidada, estou apenas aqui.
— Sim, mas eu deixei você entrar, então a partir daquele momento você se tornou minha convidada e deixou de ser uma penetra. Sorrio e me acomodo na cadeira. — Você vai para a escola de teatro? Você faltou a muitas aulas.
— Não vou mais.
— Por quê? Você é muito boa no que faz, Bri. Se você fosse com mais frequência, com certeza subiria de nível.
Não vou arriscar ir. Eduard provavelmente deixou seu fiel cãozinho me vigiando. Como eu deixei danificado os carros dele, ele não conseguiu me seguir, e agora eles não sabem onde estou.
Saio do prédio e vou para a clínica onde minha mãe me levou. Aquele médico precisa me contar a verdade.