POV DE BRIGITTE.
Estou furiosa porque a recepcionista se recusa a me dar as chaves reservas. Ela insiste que Eduard as tem e que ninguém mais tem as chaves deste quarto.
Mas eu sou o tipo de mulher que consegue o que quer, mesmo que seja por meios desonestos, e não desisto. Então, decido chamar um chaveiro, pedindo a ele que não se faça passar por outra pessoa, já que não o deixariam entrar.
Não é difícil fazê-lo entrar, pois ele vem disfarçado de entregador. Quando ele entra na suíte, aponto para a porta que preciso que ele abra.
— Perdi as chaves e todos os meus materiais de pintura estão lá dentro. Explico.
Digo isso para que ele não pense que estou tentando entrar em lugares que não me dizem respeito. É o caso, mas ele não sabe.
Abrir aquela porta é como mágica. Ele faz isso tão rápido. Não leva nem cinco minutos para remover a fechadura e deixá-la à minha disposição.
Depois de pagar pelo serviço, fecho a porta e solto um suspiro. Lá vamos nós, vamos ver o que esse lobo está escondendo.
Com as mãos geladas, quase congeladas, giro a maçaneta e abro a porta. Abro devagar, como naqueles filmes de terror em que um assassino em série está te perseguindo e você não sabe se vai encontrá-lo lá dentro.
Nenhum assassino em série está me perseguindo, muito menos encontrá-lo aqui dentro. O que encontro neste lugar é um grande número de pinturas, cobertas com lençóis brancos. Acho que são as mesmas pinturas que estavam no ateliê de arte.
Quando ele as trouxe para cá?
Parei de me questionar e decidi descobrir uma. Mas droga! Sou eu na minha festa de quinze anos. Lembro que foi comemorada por duas mães, uma a mãe do Gean e a outra a mãe de uma colega de classe.
Como Eduard pôde me pintar se ele nem me conhecia ainda?
Descubro as próximas pinturas e, por acaso, ainda sou eu, em lugares diferentes. Lugares onde eu costumava tirar fotos em Orlando.
Relembro cada uma delas, porque são de todos os eventos importantes que participei. Como dia*bos ele me pintou se eu nem sabia que ele existia?
Se isso já me deixou em transe, descobrir as pinturas no fundo, me deixou sem palavras. Definitivamente não era eu, mas nos parecíamos muito. Descasco as folhas das próximas três pinturas e encontro mais três mulheres, que têm alguma semelhança com a primeira, e comigo, mas não tanta quanto eu com a primeira.
Sei que nenhuma dessas mulheres sou eu porque cada uma tem um nome, junto com uma assinatura e até mesmo uma data de falecimento. Droga, uma delas tinha acabado de morrer. Ela tinha morrido recentemente, talvez uma semana atrás. Essa era a data na dela. A outra já estava morta há mais tempo. Esta parece ser a primeira que ele pintou, e realmente parecemos irmãs, ou gêmeas. Encarei-a por alguns minutos e, sim, ela se parece muito comigo. A julgar pelo que está escrito na parte inferior da pintura, definitivamente não sou eu. Além disso, na parte inferior está escrito: “Espanha-Madri-1995. Descanse em paz, amada Anastasia.” Só esta tem essa palavra; as outras só tinham o nome.
Quem di*abos era aquela mulher? Por que “amada”? O que ela significava para Eduard?
Intrigada com o que vi, continuei olhando as outras pinturas, que estavam empilhadas na parede, e encontrei inúmeros retratos das quatro mulheres, nenhum dos quais era eu.
Aquele desgraçado, ele até as pintou fazendo se*xo. M*aldito Eduard! E é isso que você guarda com tanta devoção? Você é doente, mas vou destruir todas as suas relíquias se*xuais agora mesmo. Isso não parece arte, parece pornografia em tinta.
Cada pintura é uma pose em que ele fez se*xo com cada uma delas. Esse homem é definitivamente doente.
Pego algo para destruí-las e começo a danificar cada um, exceto as minhas — esses eu guardo. Porque, convenhamos, o lobo pinta bem.
Não deixo nada de bom para trás. Destruo tudo. O último que destruo é o da garota Anastasia. Eu o reduzo a pedaços perto da sala de estar para que, quando eu chegar, a encontre lá.
Sento-me na sala grande, parada na escuridão, relembrando cada uma das pinturas que ele fez de mim. A maioria delas é da minha adolescência. O que significa que Eduard me conhece há muito tempo, desde antes de eu ir morar com a minha mãe.
Ele me seguia desde que eu tinha quatorze anos, porque agora que me lembrei da pintura danificada, era daquela época, quando recebi o primeiro presente daquele estranho.
Você só pode estar brincando! Foi ele quem me enviou os presentes?
Ele me enviou os presentes e tirou fotos minhas de longe. Sim, provavelmente foi isso que ele fez. Que pervertido! Eu deveria fugir, ficar bem longe dele, mas decidi ficar e confrontá-lo. Ele precisa explicar o que tudo isso significa. Por que ele não me disse que me conhecia? Por que existe um retrato de uma mulher parecida comigo? Por que ele a chama de "amada"?