Episódio 2

1168 Palavras
Quando ela para de beijar aquele homem, vem até mim e me dá um abraço apertado. Enquanto me abraça, diz o quanto estou bonita e forte. Forço um sorriso, mantendo os olhos fixos naquele homem. Ela olha para trás e, com um sorriso, diz: você já conheceu meu marido, Eduard Richardson. — Seu... seu marido? Ela acena com a cabeça, e o meu sangue gela. Como o marido da minha mãe pode parecer tão jovem se supostamente ela traiu meu pai com alguém muito mais velho? E era isso que frustrava Don William Mitchell: o fato de o homem por quem a minha mãe o trocou ser muito mais velho do que ele. Mas o homem que ela me apresenta como seu marido é jovem demais, muito mais jovem que ela. Embora minha mãe, Barbara Davis, já tenha passado dos quarenta, ela parece jovem, divina, perfeita. Ter apenas uma filha deixou o seu corpo em perfeitas condições, como se nunca tivesse tido filhos. Olho para o homem ao lado dela, que me encara com o mesmo olhar intenso, a mesma intensidade do aeroporto, e um arrepio percorre a minha espinha. Droga… Ele é meu padrasto! O chão parece tremer sob os meus pés enquanto tento processar essa revelação chocante. A pessoa que eu pensava ser apenas um motorista é, na verdade, meu padrasto, marido da minha mãe. O meu rosto empalidece e sinto um nó no estômago. Como isso é possível? Tento manter a calma, esconder o que estou sentindo por dentro, mas, no fundo, estou fervendo. Sinto culpa e vergonha por ter tido pensamentos tão obscenos sobre o meu padrasto. Isso não está certo. Eu não deveria me sentir assim. Mas os desejos impróprios persistem e sinto o meu corpo se tensionar com uma mistura de repulsa e atração. Queria que a terra se abrisse e me engolisse agora mesmo. Queria poder desaparecer, escapar dessa situação constrangedora e dos meus próprios pensamentos distorcidos. Me amaldiçoo por ter esses pensamentos impuros e por deixá-los invadir a minha mente. — Eu não sabia que ele era seu marido, e você não me disse que ele viria me buscar. Você me falou de um motorista. Digo, deixando uma gota grossa de saliva escorrer pela minha garganta. — Bem, eu não pensei que ele iria, muito menos que fingiria ser o motorista. — Você sabe que gosto de deixar entrar em casa pessoas respeitosas, pessoas que não se acham superiores aos funcionários. É por isso que tive que verificar quem ela era antes de entrar. Diz ele, me encarando fixamente. Então foi por isso que ele foi ao aeroporto, para ver o quão educada eu era ao lidar com os funcionários. Minha mãe sorri ao ouvir ele dizer isso. Forço um sorriso porque não gostei nada do que ele fez. Se ee tivesse dito que ele era o marido da minha mãe, não teria tido nenhum pensamento obsceno sobre ele, porque no caminho para casa me perdi neles, cheguei até a sonhar que ele estava me prensando contra a parede. — Vamos entrar. Diz a minha mãe, gesticulando para que eu entre. Estou prestes a pegar a minha mala, mas a voz dela me interrompe. — Deixe o motorista levar. Olho para o lado e vejo um jovem que sorri para mim. Sorrio de volta, mas me recuso a deixar que ele carregue a minha mala. Vou mostrar ao meu querido padrasto que não sou uma mimada que espera que tudo seja feito para ela. Fiz isso no aeroporto porque queria conversar com ele, mas o cara é tão arrogante que é praticamente preciso arrancar as palavras dele à força. — Não, obrigada, eu mesma posso fazer isso. Aperto a minha mala com força e me dirijo à entrada. Quando estou perto deles, levanto o olhar, os meus olhos encontrando o sorriso gentil da minha mãe, depois o dele, e no segundo seguinte desvio o olhar, incapaz de sustentar o seu olhar. Ao entrar na enorme mansão Richardson, fico completamente impressionada com o que vejo lá dentro. Não consigo conter o suspiro diante da magnificência e do esplendor que se desdobram diante dos meus olhos. Cada detalhe e cada canto desta antiga mansão são imbuídos de um charme e uma elegância que me transportam para outra época. O hall principal se abre diante de mim, e me vejo em pé sobre um piso de mármore polido que brilha sob a luz deslumbrante de um majestoso lustre de cristal pendurado no teto alto. As paredes são adornadas com painéis e molduras de madeira primorosamente esculpidos, que exibem o requinte artesanal de outrora. Sinto como se estivesse entrando num palácio dos sonhos. Mas não são apenas as áreas comuns que me impressionam. Os quartos privativos são verdadeiros santuários de luxo. Os quartos são decorados com camas de dossel, cortinas de seda e penteadeiras ornamentadas. Os banheiros são equipados com banheiras de porcelana e pias de mármore, e os acessórios dourados brilham intensamente. — Então, o que você acha? Minha mãe me pergunta enquanto estamos no que será meu quarto. — Devo dizer, é muito bonito. É quatro vezes maior do que o quarto que eu tinha na casa do meu pai. Olho em volta, percebendo que apenas o banheiro tem o mesmo tamanho do meu antigo quarto, incluindo o próprio banheiro. — Mas você gostou? — Claro que gostei. — Que bom que gostou. Ela acaricia o meu cabelo. — Estou feliz por você estar aqui. Estou feliz que você tenha decidido se mudar para cá. — Eu gostaria que você tivesse me trazido quando se mudou. Digo tristemente. — Seu pai ganhou a guarda, por isso não pude te trazer comigo. Mas não vamos ficar pensando no que poderia ter sido, vamos pensar no que vamos fazer agora que estamos juntas. Ela olha para minha mala. — Quer que eu mande alguém te ajudar a desempacotar? — Não, eu mesma faço. — Certo. Quando terminar, desça, vamos jantar juntas. Não demore muito, porque Eduard é muito exigente com os horários das refeições. Assinto levemente. Eu a observo sair. Quando a porta se fecha, jogo-me na cama, encaro o teto, suspiro profundamente e penso em como minha mãe tem vivido bem. Ela se casou com um multimilionário. Não poderia ter contratado um bom advogado e lutado por mim? Por que ela só me escreveu há alguns meses, quando eu estava prestes a completar dezoito anos? Parei de me fazer tantas perguntas que nunca terão respostas. Talvez eu as consiga, mas com desculpas completamente irrelevantes. Comecei a organizar as minhas roupas, exatamente como estavam no meu quarto antigo: blusas numa gaveta, calças em outra, e assim por diante. ‍​‌‌​​‌​‌​​‌​​‌​​​​​​​​​‌​​‌​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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