Capítulo Quinze

2050 Palavras
Collin Morris Saí de casa como um furacão, batendo a porta com força. Meu sangue fervia, e a raiva pulsava em cada célula do meu corpo. Manuela estava sendo irracional. Eu me esforcei para organizar uma lua de mel perfeita, fiz tudo do jeito certo, e ela simplesmente recusou. "Se sente uma prisioneira?" As palavras dela martelavam minha cabeça. Meu carro estava estacionado na entrada da casa, e eu entrei nele sem hesitar. Liguei o motor e saí em disparada pelas ruas de Cabo Verde, sem um destino certo. Só precisava sair dali antes que dissesse algo de que me arrependesse. Meus pensamentos estavam uma bagunça. Eu sabia que Manuela estava chateada por causa da mãe dela, mas será que isso justificava agir dessa forma comigo? Eu não estava pedindo muito. Só queria que começássemos essa vida juntos do jeito certo. Dirigi sem rumo por um tempo até parar em frente ao hotel onde meu irmão, Andrew, estava hospedado. Ele havia chegado há alguns dias para o casamento e decidiu ficar um pouco mais antes de voltar para Londres. Saí do carro e caminhei até o lobby do hotel. Andrew estava no bar, como eu já esperava. — Ora, ora, se não é o homem recém-casado. — Ele levantou um copo de uísque na minha direção. — A que devo a honra, Collin? Não deveria estar em casa com sua esposa? Me joguei na cadeira ao lado dele, passando a mão pelos cabelos. — Nós brigamos — Murmuro irritado. Andrew riu, dando um gole na bebida. — Bem-vindo ao casamento — ele retruca levantando o seu copo de whisky para cima, fazendo um brinde invisível no ar. Bufei. — Não estou brincando. Foi uma briga séria — Ele me olhou de lado e empurrou um copo de uísque na minha direção. Peguei o copo, mas não bebi. — Conta. — Planejei nossa lua de mel. Duas semanas nas Maldivas. Tudo perfeito. E Manuela simplesmente se recusou a ir — As palavras me irritam ainda mais. Pego no meu copo tomo um gole forte da minha bebida tentando me acalmar. Andrew ergueu uma sobrancelha. — E qual foi a desculpa dela? — Ele retruca olhando para mim. — Disse que não estava no clima. Que queria um tempo para processar tudo. — Passei a mão pelo rosto, frustrado. — Como se casar comigo fosse um trauma. Andrew soltou um suspiro longo e se recostou na cadeira. — Você é burro, Collin? — As palavras dele pegam-me de surpresa. Franzi o cenho. — O quê? — Indago ainda mais frustrado. Ele balançou a cabeça. — Você realmente não percebeu? — eu realmente quero saber do que ele está falando, mas não faço a mínima ideia. — Perceber o quê? Andrew bufou, parecendo irritado. — Manuela não pode viajar, seu i****a — ele me dá um tapa na cabeça, como se eu fosse uma criança. Meu coração deu um salto estranho no peito. — Como assim? — Como assim , ela está grávida. E a gravidez dela é de risco, você não sabe disso? — Eu sei que a gravidez dela é de risco, só não imaginei que não pudesse viajar para uma lua de mel. Eu pensei que um ambiente diferente e na praia, fosse bom para ela e para os bebés, seria óptimo para nós quatro relaxar um pouco. Meu corpo congelou. — Eu sei disso, só não imaginei que fosse tão grave— Minha voz saiu num sussurro. Andrew revirou os olhos. — Você não sabia, você é realmente muito burro — Neguei lentamente com a cabeça, sentindo meu estômago revirar. — Manuela nunca me disse a gravidade da sua situação — Ele soltou um riso sem humor. — Claro que não. Você provavelmente estava tão ocupado tentando fazer tudo "do jeito certo" que não percebeu. Me senti sufocado. Meu coração acelerou, e a raiva deu lugar a outra coisa. Medo. — Eu pensei que ela estivesse bem, não imaginei que fosse tão grave — Andrew ficou sério. — Até onde sei, sim. Mas ela precisa de cuidados. Ela não pode passar por estresse, muito menos viajar para o outro lado do mundo. Me joguei contra o encosto da cadeira, sentindo um nó na garganta. — Eu sou um i****a. — Sim, é. — Andrew concordou sem hesitação. Fiquei em silêncio, tentando processar tudo. Como eu não percebi? Como pude ser tão cego? A imagem de Manuela chorando após a ligação com a mãe dela voltou à minha mente, e, pela primeira vez, me senti um completo canalha. Eu queria fazer as coisas do jeito certo, mas acabei piorando tudo. E agora, precisava consertar. O peso da realidade caiu sobre mim como uma tonelada de tijolos. Manuela estava grávida. Minha esposa estava grávida e enfrentando uma gravidez de risco, e eu não fazia a mínima ideia. Eu, que deveria protegê-la, só estava causando mais estresse. Passei as mãos pelo rosto, frustrado. — Eu preciso voltar para casa — me despedi do meu irmão mais novo. Andrew soltou um riso curto e debochado. — Acho que agora você entendeu. Antes que eu pudesse me levantar, ouvi passos decididos se aproximando. Reconheci o som dos sapatos caros ecoando no chão de mármore do hotel. Um suspiro pesado escapou dos meus lábios antes mesmo de olhar para trás. Meu irmão mais velho. — Mas que coincidência encontrar vocês aqui. — Sua voz era carregada de sarcasmo. — Eu estava jantando com um amigo e, de repente, vejo meu irmãozinho desmoronando no bar. Andrew soltou um suspiro entediado. — Ótimo, agora falta só o circo inteiro chegar. Lois puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado, cruzando as pernas com elegância. Ele pegou meu copo de uísque e tomou um gole antes de me encarar com um sorriso cínico. — Então, querido irmão, como vai sua esposa interesseira? Fechei os punhos, tentando manter a calma. — Não comece, Lois. Ele riu. — Só estou perguntando. Você parecia tão convencido de que esse casamento era uma ótima ideia… Mas olha só, já está afogando as mágoas no bar. — Isso não tem nada a ver com o que você pensa. Ele arqueou a sobrancelha. — Não? Então por que está aqui em vez de estar com sua amada esposa? Andrew interveio, impaciente: — Porque ele foi um i****a, brigou com Manuela e só agora percebeu que ela está grávida, uma gravidez de risco e não pode viajar. Os olhos de Lois brilharam com algo perigoso. — Oh… Então ela está grávida e é de risco? Havia algo no tom dele que me incomodou profundamente. — Sim, e eu não sabia. Lois inclinou a cabeça, fingindo surpresa. — Engraçado… Como um homem que acabou de casar não sabe que sua esposa que está esperando seus filhos, está numa gravidez de risco? Revirei os olhos. — Lois, eu não estou com paciência para suas insinuações. Ele sorriu, satisfeita com minha irritação. — Eu só estou dizendo o óbvio. Você não acha estranho, Collin? Ela escondeu de você. Isso não te faz pensar? Andrew bufou. — Ah, pronto. Lá vem você com essa teoria ridícula de que Manuela está armando algo. Lois ignorou Andrew e me encarou diretamente. — Sabe, Collin, eu tenho uma sugestão. Cruzei os braços, sentindo o peso do que viria a seguir. — Diga de uma vez. Ele sorriu e apoiou os cotovelos na mesa. — Faça um teste de DNA. Meu corpo ficou rígido. — O quê? — Você ouviu bem. Faça um teste de paternidade assim que esses bebês nascerem. Meu estômago revirou. — Isso é ridículo. — É mesmo? Pense bem. Essa mulher apareceu do nada, engravidou de repente e agora você se casou com ela. Mas e se… esse filho não for seu? Senti o sangue ferver. — Eu confio em Manuela. — Confia mesmo? Então por que ela não te contou sobre a gravidez de risco? Andrew soltou uma risada irônica. — Lois, para de envenenar as coisas. Collin está chateado o suficiente sem suas paranoias. Lois continuou implacável. — Collin, eu só quero que você se proteja. Você tem muito a perder. E se essa mulher estiver te enganando? Se ela planejou tudo isso para garantir uma parte da fortuna da nossa família? Cerrei os dentes. — Ela assinou um contrato pré-nupcial. Se nos divorciarmos, ela não recebe nada. — Mas um filho? Ah, um filho muda tudo. Fechei os olhos por um momento, tentando conter a raiva. Eu odiava admitir, mas a insinuação de Lois havia plantado uma semente de dúvida na minha mente. Manuela não me contou sobre a gravidez de risco. Ela estava escondendo algo. Mas seria possível que… Sacudi a cabeça, afastando esse pensamento nojento. Não. Manuela não faria isso comigo. Lois percebeu minha hesitação e sorriu vitorioso. — Está vendo? Você não pode simplesmente ignorar isso. Precisa ter certeza. Andrew bateu o copo na mesa, irritado. — Lois, chega! Você está criando intriga sem motivo. Manuela não é esse tipo de pessoa. — E você sabe disso como? — Ela virou-se para Andrew. — Quantas vezes você conversou com ela de verdade? Você só está defendendo porque odeia me dar razão. Andrew rolou os olhos. — Eu estou defendendo porque tenho bom senso, coisa que você claramente não tem. Lois ignorou-o e virou-se para mim novamente. — Collin, pense no que estou dizendo. Não estou te pedindo para acusá-la agora. Apenas faça o teste. Não custa nada. Passei a mão pelo rosto, exausto. — Não sei. — Claro que você sabe. Só não quer admitir. Eu odiava o fato de Lois ser tão bom em me fazer duvidar. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, meu telefone vibrou. Peguei o celular e vi uma mensagem de Manuela. "Precisamos conversar." Engoli em seco. Lois sorriu. — Aposto que ela já sabe que você começou a pensar no que eu disse. Ignorei Lois e levantei-me. — Preciso ir para casa. Andrew também se levantou. — Collin, não deixe o Lois bagunçar sua cabeça. Lois deu um sorriso debochado. — Ah, meu querido irmão, eu só estou ajudando. Dei-lhe um último olhar, sem saber mais o que pensar. Saí do hotel sentindo um peso enorme nos ombros. E o pior era que, por mais que eu tentasse afastar as palavras de Lois, elas já estavam ecoando na minha mente. Ao entrar em casa, o silêncio me envolveu como um cobertor pesado. As luzes estavam apagadas, exceto pelo abajur fraco na sala, que lançava um brilho suave sobre o sofá. E lá estava ela. Manuela dormia encolhida, os braços protegendo instintivamente a barriga já arredondada de cinco meses. Seu rosto parecia sereno, mas seus lábios estavam levemente franzidos, como se mesmo em sonhos sua mente estivesse inquieta. Fiquei parado na entrada, observando-a. Ela parecia tão frágil. Tão minha. Minha esposa. A mãe dos meus filhos. Mas e se Lois estivesse certo? Afastei esse pensamento com força, mas ele já havia se instalado. Eu odiava isso. Odiava como a dúvida rastejava para dentro de mim como um veneno, me corroendo por dentro. Fechei os olhos, tentando me recompor. O que eu estava fazendo? Eu sabia quem Manuela era. Ela não era uma oportunista. Eu tinha visto sua força, sua determinação, seu orgulho. Eu sabia que ela nunca teria se casado comigo por dinheiro. Então por que esconderia a gravidez de risco? Por que não confiou em mim? Soltei um suspiro pesado, passando a mão pelos cabelos. Me aproximei devagar e me ajoelhei ao lado do sofá. Seu rosto estava ligeiramente voltado para mim, os fios de cabelo bagunçados sobre a almofada. Estendi a mão, hesitante, e deslizei os dedos suavemente sobre sua barriga. Meus filhos estavam ali. Nossos filhos. Um pequeno chute contra minha palma fez meu coração disparar. Um gesto tão simples, mas que fez algo dentro de mim se quebrar. Eu estava sendo um i****a. Minha esposa carregava meu filho, e ao invés de protegê-la, eu estava deixando Lois plantar dúvidas na minha cabeça. Manuela se remexeu levemente, soltando um suspiro. — Collin… — murmurou baixinho, ainda adormecida. Meu peito apertou. Eu não merecia esse amor incondicional. Me inclinei e beijei sua testa com delicadeza, permitindo-me, pelo menos naquele momento, ignorar todas as dúvidas. Eu precisava confiar nela. Ou eu a perderia para sempre.
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