A noite já tinha se espalhado sobre a cidade quando saímos do salão. O vento fresco me acertou o rosto, trazendo um alívio passageiro após a tensão sufocante do encontro público. Eu ainda sentia os toques dele queimando na minha pele, como se o corpo não tivesse esquecido nada, mesmo que a mente implorasse por esquecimento. Ele caminhava ao meu lado em silêncio, mas havia algo de diferente em sua postura. Não era a arrogância habitual, nem o sorriso malicioso que usava para me torturar. Era algo mais denso, sombrio. Um peso escondido em seus ombros, algo que eu nunca tinha visto antes. — Por que você está calado agora? — arrisquei, tentando quebrar a estranha atmosfera. — Finalmente cansou de me provocar? Ele parou, voltando-se para mim com um olhar que não reconheci de imediato. Havia

