O som dos saltos de Sofia ecoava pelo estacionamento subterrâneo, cada passo uma tentativa de manter o controle que já lhe escapava desde o instante em que cruzara o olhar de Lucas pela última vez. O ar ainda carregava o perfume dele — aquele aroma amadeirado e arrogante, impossível de esquecer, impossível de suportar. Ela destravou o carro com força, as chaves tremendo entre os dedos, mas antes que pudesse abrir a porta, a voz dele surgiu, baixa, firme, cortando o silêncio. — Está fugindo de novo? — a pergunta veio como um toque frio nas costas. Sofia não se virou. Sabia que se olhasse, perderia o pouco de sanidade que ainda restava. — Estou indo embora, Lucas. É diferente. — É? — ele deu um passo, o som dos sapatos ecoando como um compasso entre eles. — Porque parece exatamente o mesm

