O sol nasceu tímido naquela manhã, filtrando-se pelas cortinas do apartamento de Sofia Monteiro. Ela não havia dormido. Passara a noite inteira se revirando na cama, presa a lembranças do beijo arrebatador e da súbita partida de Lucas Almeida. O gosto dele ainda parecia impregnado em seus lábios, mas junto dele vinha a sensação amarga de abandono. Sofia se levantou, exausta, e foi até a cozinha preparar café. Os movimentos mecânicos contrastavam com a mente turbulenta. A cada gole, mais perguntas surgiam: o que o tinha feito sair tão de repente? Quem havia ligado? E, acima de tudo, por que ela se importava tanto, se o que eles tinham não passava de um jogo perigoso de poder e desejo? Quando o celular vibrou sobre a mesa, ela o pegou com o coração acelerado, esperando, no fundo, ver o n

