O Homem do Contrato

1385 Palavras
O café da manhã nunca foi tão difícil de encarar. A ressaca queimava minha cabeça, mas o peso no peito era bem mais forte. Aquela noite não tinha sido apenas sexo — tinha sido um mergulho completo em algo que eu jurava não sentir mais: desejo. E, pior, eu sentia raiva dele. Raiva e frustração, misturadas com a lembrança do toque dele, da maneira como ele havia me dominado sem pedir permissão, e do olhar gelado ao amanhecer. O telefone tocou, cortando meus pensamentos como lâmina. Era minha assistente, Rafa. — Sofia, você tem que ir ao evento hoje à noite… é da Almeida Corp. O Lucas Almeida vai estar lá. — Ela tentou soar casual, mas deu para ouvir a tensão na voz dela. Meus olhos quase saltaram da cara. Lucas Almeida. O homem que tinha me reduzido a nada mais que um contrato, que tentou comprar meu corpo com dinheiro e ainda assim conseguiu me humilhar, estaria ali. No mesmo ambiente que eu teria que fingir normalidade. — Ótimo. Só faltava isso. — Suspirei, me levantando da cama. Cada músculo do meu corpo parecia gritar para não ir, mas não tinha escolha. Profissionalmente, eu precisava daquela cobertura para minha carreira. E Lucas, por mais irritante que fosse, era inevitável. A noite caiu rapidamente, e o evento tinha todo o luxo que eu esperava. Luzes quentes, música elegante, pessoas ricas e poderosas circulando como se fossem donas do mundo. Eu me senti pequena, embora tentasse manter a postura de fotógrafa segura de si. E então, ele apareceu. Como sempre, impecável: terno sob medida, sorriso calculado, olhar que parecia ver através da minha alma. — Sofia. — Ele pronunciou meu nome com aquela gravidade que me fez tremer por dentro, embora eu tentasse disfarçar. — Que surpresa… — Não tão surpresa quanto você espera, Almeida. — Respondi, firme, tentando controlar a voz que tremia. Ele se aproximou, e a química entre nós foi instantânea, explosiva, impossível de ignorar. O toque casual do braço dele quando passou por mim me fez arrepiar da cabeça aos pés. Cada gesto dele era provocação. Cada palavra, um comando silencioso para que eu me rendesse, mesmo sabendo que eu não queria. — Você ainda está nervosa comigo? — ele perguntou, com aquele sorriso torto que eu odiava amar. — Nervosa? Não. Apenas muito ciente do quanto você é irritante. — Tentei rir, mas minha voz traiu meu nervosismo. Ele se inclinou mais perto, e o perfume dele me invadiu, me desequilibrando como se eu estivesse bêbada de novo. — Irritante ou atraente? — murmurou perto do meu ouvido. Eu respirei fundo, tentando me afastar, mas meu corpo não colaborava. Ele ria baixinho, como quem sabia exatamente o efeito que causava. Cada provocação dele me fazia querer fugir e, ao mesmo tempo, me aproximar ainda mais. Horas depois, quando finalmente consegui algum espaço para respirar, percebi que aquela não era uma noite de conversa casual. Lucas estava em toda parte: na minha frente, no meu campo de visão, nos sussurros que atravessavam a sala. Ele sabia que me provocava, e eu sabia que ele adorava ver meu desespero controlado, mesmo que eu tentasse manter a postura. — Não é o seu tipo de festa, não é? — perguntou ele, a mão tocando levemente a minha cintura quando passou por trás de mim. — Não. Mas, diferente de você, eu não tento controlar tudo ao meu redor. — Minha resposta saiu mais dura do que eu esperava, e senti o prazer que ele provocou em mim há algumas noites se misturar à raiva. Ele sorriu de canto, um sorriso que não era gentileza. — Eu gosto de mulheres que falam demais… mas você fala demais para alguém tão pequena. — A forma como disse “pequena” foi carregada de provocação, mas também de desejo. A tensão se tornou quase insuportável quando ele encostou o queixo no meu ombro por um instante, apenas para me mostrar que podia estar perto de mim, sem me tocar de verdade. O efeito foi devastador. Eu queria arrancar aquele sorriso arrogante de sua cara, mas também queria que ele continuasse ali, me provocando, me dominando apenas com presença. — Vai me dizer que não quer isso? — ele sussurrou, e minha respiração acelerou. — Quero que você vá para o inferno. — Foi tudo que consegui dizer, enquanto o sangue queimava nas minhas bochechas. Ele se afastou, rindo baixo, e seguiu sua ronda pelo evento, mas sabia que havia vencido aquela pequena batalha. Cada provocação era uma aposta, e eu sabia que estávamos apenas no primeiro round de uma guerra que só começava. No caminho de volta para casa, não consegui evitar pensar naquilo tudo. No calor do corpo dele, no toque firme, no controle absoluto que ele exercia sobre mim sem esforço. Eu me odiava por sentir saudade, por desejar o homem que me humilhara com um contrato. Mas, por mais que eu quisesse negar, sabia que aquela batalha de prazer e ódio estava apenas começando. E uma coisa era certa: eu não deixaria que ele me tivesse novamente sem lutar com todas as minhas forças. Ela m*l havia dado dois passos em direção ao elevador quando sentiu uma mão forte prender-lhe o braço. O perfume dele, amadeirado e intenso, misturava-se ao calor que ainda queimava sua pele. — Você acha que pode simplesmente me desprezar? — a voz dele saiu baixa, mas carregada de raiva contida. Ela ergueu o rosto, desafiadora, mesmo com o coração acelerado. — Eu não te devo nada. E se pensa que pode me comprar, está enganado. Ele a puxou de volta para dentro da suíte, fechando a porta com força. O som ecoou pelo quarto como um aviso: ali dentro, só existiam os dois. — Ontem à noite, você implorava pelo meu toque. — o tom dele era c***l, carregado de veneno. — Hoje finge que não sente nada? Ela mordeu os lábios, tentando manter o controle, mas o corpo a traía. O desejo não desaparecera com a manhã — só se transformara em raiva. — Ontem você foi um homem. Hoje é apenas um covarde escondido atrás de contratos. Ele avançou, prendendo-a contra a parede. Os olhos ardiam em uma mistura de ódio e desejo. As mãos dele desceram pela cintura dela com força, quase como se quisessem marcar território. — Não me provoque. Eu não sou um homem que sabe perder. Ela riu, amarga, mesmo sentindo a pele se arrepiar com cada toque. — Então é isso? Quer transformar tudo em uma guerra? Pois saiba que eu não sou mais a i****a que acredita em promessas de uma noite. Os lábios dele colaram-se aos dela em um beijo brutal, carregado de posse e rancor. Não havia carinho, não havia doçura. Apenas a chama incontrolável que os consumia, entre beijos e mordidas, como se o ódio fosse a única forma de continuar ligados. Ela tentou empurrá-lo, mas as pernas fraquejaram. O corpo se lembrava da noite anterior, respondendo ao toque mesmo contra sua vontade. Ele percebeu e sorriu, um sorriso arrogante que a fez odiá-lo ainda mais. — Viu? Você pode me odiar o quanto quiser, mas não consegue me negar. — Vá para o inferno — ela sussurrou, antes de puxá-lo de volta pelo colarinho, mergulhando no próprio desespero. O quarto se encheu de gemidos contidos, da luta entre orgulho e desejo, da guerra entre dois corpos que se repeliam e se atraíam ao mesmo tempo. Cada carícia era uma provocação, cada investida, um lembrete de que nenhum dos dois sairia ileso daquela relação. Quando finalmente se afastaram, ofegantes, ela sentiu lágrimas queimando nos olhos, mas não permitiria que ele visse sua fraqueza. — Isso nunca mais vai acontecer — repetiu, com a voz rouca. — Você pode ter tudo o que o dinheiro compra… mas nunca vai ter a mim. Ele se aproximou de novo, colando os lábios ao ouvido dela. — Engano seu, pequena. Você já é minha. Não pelo contrato… mas porque o seu corpo me trai cada vez que eu toco em você. Ela fechou os olhos, sufocada pelo peso das palavras, sentindo a armadilha se fechar ao redor. Entre prazer e desprezo, amor e ódio, sabia que estava presa em um jogo perigoso — e que, talvez, fosse tarde demais para escapar.
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