O silêncio no carro era sufocante. O motorista mantinha os olhos na estrada, mas eu conseguia sentir o olhar dele em mim, pesado, intenso, como se estivesse estudando cada gesto, cada suspiro meu. Depois do confronto no escritório, eu deveria estar correndo dele. Deveria odiá-lo com todas as minhas forças. Mas havia algo em mim que permanecia preso naquele olhar, naquela mistura de dor e prazer que só ele parecia saber provocar. — Você está quieta demais. — disse ele, quebrando o silêncio, a voz grave preenchendo o espaço como se fosse impossível ignorá-la. — Não é de você aceitar a derrota tão fácil. Virei o rosto em direção à janela, fingindo desinteresse. — Derrota? Você acha que me venceu? — Eu não acho. — respondeu, inclinando-se um pouco para mais perto, os olhos escuros fixos em

