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1729 Palavras

Aurora ouviu os passos no cascalho e não levantou os olhos. Três semanas de jardim ensinaram-lhe a distinguir passos. A criada andava rápido, o jardineiro arrastava os pés, os guardas faziam ronda em pares, sempre no mesmo ritmo. Aquele passo não era nenhum deles. Era devagar, pesado, sem pressa. Passo de homem que atravessa um lugar que conhece, mas que não costuma atravessar. Ela levantou os olhos. Matteo estava parado a três metros do banco, de terno escuro, sem gravata, as mãos nos bolsos, o olhar fixo nela. Não era o olhar de avaliação do casamento. Não era o olhar de conferência do escritório. Era outra coisa — mais funda, mais quieta, uma coisa que ela não soube nomear e que a fez fechar o livro no colo, devagar. — Don — disse. Ele não respondeu. Atravessou os três metros, par

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