Passei o fim de semana todo com Pete, tão imersa na sua companhia que acabei me distraindo dos últimos acontecimentos. Não vi mais os gêmeos desde a última vez que estiveram em casa, então aproveitei esses dois dias sem aulas como uma adolescente comum. Fomos ao cinema, depois à lanchonete e, por fim, ao parquinho próximo à minha casa.
Sentamos no banco para descansar um pouco, e fiquei perdida em pensamentos, olhando para o horizonte. Pete, de repente, aproximou-se de mim e me abraçou com ternura.
— O que está te incomodando, Nana? Quer conversar? — Ele perguntou, com um biquinho fofo. Não consegui resistir e dei um sorriso.
— Eu não sei explicar... sinto que algo está faltando... — Antes que eu pudesse terminar a frase, Pete me deu um beijo rápido, quase um selinho. Meu coração quase saltou do peito.
— O que... foi isso? — Corei de imediato.
— Ãããhn... nada. Só queria trazer você de volta à realidade. — Percebi que ele também ficou constrangido. Decidi então mudar de assunto.
— O que achou do filme? Foi legal, né?
— Sim, com certeza. Só não curti muito o final. Acredito que terá uma continuação.
— Concordo. Bem, está ficando tarde, precisamos voltar agora. Meus pais vão chegar em breve.
Levantamos e caminhamos lentamente. Eu não sabia qual era o meu problema. Estava confusa com os sentimentos que afloravam em mim. Pete era apenas meu amigo. E era assim que deveria ser.
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Jantamos quase às 10 horas da noite, mergulhados na sombria atmosfera da casa. Após o jantar, cada um de nós se recolheu aos seus respectivos quartos. Pete estava no quarto de hóspedes, ao lado do meu. Decidi pegar o porta-joias e examiná-lo com mais atenção, pois era hora de retomar a investigação. Ao tocar o objeto, uma sensação arrepiante percorreu todo o meu corpo. Uma vertigem se apoderou de mim, quase me cegando. Soltei o porta-joias e a tontura começou a diminuir. Quando finalmente consegui abrir os olhos, me deparei com ela. Sarah Steele. Ela estava parada, me observando fixamente, como se quisesse transmitir uma mensagem.
Naquele momento, meu corpo inteiro paralisou. Não era apenas medo, era um terror indescritível que me dominava. Eu queria gritar, mas minha voz estava presa na garganta. Sarah se aproximou lentamente e apertou meu braço, justo na área em que ainda estava enfaixado. Uma dor aguda e insuportável se espalhou por meu corpo, me fazendo fechar os olhos. E, de repente, a dor se dissipou.
Quando abri os olhos novamente, percebi que o ambiente havia mudado. Era o meu quarto, mas não era o meu quarto. Móveis antigos ocupavam o espaço, com destaque para uma grande cama de casal e uma imponente penteadeira, idêntica à que eu possuía. Não havia luz vinda da janela, apenas um abajur imenso ao lado da cama, mesmo que ainda fosse dia.
O ambiente carregava uma atmosfera sombria e enigmática. As sombras dançavam pelas paredes, como se escondessem segredos obscuros. Cada ruído parecia ecoar por corredores esquecidos do passado, aumentando a sensação de que algo sinistro habitava aquele lugar.
Enquanto meus olhos vasculhavam o quarto transformado, uma inquietação tomou conta de mim. O que estava acontecendo? Como eu havia sido transportada para esse estranho momento do passado? A presença de Sarah, os móveis antigos... tudo parecia uma peça macabra do destino, entrelaçando meu presente com um passado sombrio.
Um calafrio percorreu minha espinha, fazendo-me questionar se conseguiria encontrar a saída desse enigma temporal. Envolvida na aura de mistério e terror, eu sabia que deveria continuar investigando, desvendando os segredos ocultos dessa casa maldita. A escuridão e o desconhecido estavam à espreita, prontos para testar minha coragem e sanidade.
Respirei fundo, reunindo forças para enfrentar os desafios que estavam por vir. Não importava o quão sombria a jornada se tornasse, eu estava determinada a descobrir a verdade e desvendar os segredos que assombravam aquele lugar, mesmo que isso significasse adentrar o profundo abismo da escuridão.
Fui tomada por uma mistura de perplexidade e temor diante do que acabara de presenciar. Ruídos estridentes ecoavam pela escada, acompanhados por risadas sádicas. De repente, invadiram meu quarto três garotas e dois garotos. Naquele instante, fiquei completamente confusa, sem compreender o que estava acontecendo.
— Quem são vocês? O que estão fazendo no meu quarto?! — gritei para eles, mas não obtive resposta. Era como se eu fosse uma sombra insignificante, invisível para eles.
Aos poucos, comecei a reconhecer uma das garotas. Diante de mim, estava Sarah, cuja semelhança com Samya era assustadora: cabelos tão negros quanto a noite e olhos azuis vazios, desprovidos de brilho. Por algum motivo obscuro, ela me havia transportado para o passado. As outras garotas deviam ser Susy e Katie, suas amigas. Quanto aos dois rapazes, eu não fazia ideia de quem poderiam ser.
"Espera... Se eu estiver entendendo corretamente, este foi o dia em que Sarah..." Engoli em seco, a verdade se formando em minha mente. Era bom demais para ser verdade. "Mas isso não faz sentido", pensei, lutando contra o turbilhão de informações. "Na história que Samya me contou, não havia menção a dois garotos."
Decidi observar atentamente tudo o que ocorria ao meu redor. Havia tanto para compreender e assimilar. Sarah conduzia as garotas pelo quarto, enquanto os rapazes dirigiam seu olhar curioso para o sótão trancado. Era visível o interesse em descobrir o que se ocultava lá em cima.
— Olha só, Collins... o que será que ela esconde ali? — um deles apontou para o teto. "Collins... esse sobrenome me soa familiar, mas não consigo lembrar de onde", pensei, enquanto um arrepio percorria minha espinha.
Um sentimento de apreensão tomou conta de mim, pois estava mergulhada em um tempo passado sombrio, um labirinto de mistérios que ameaçavam minha sanidade. Cada passo que dava em meio a essa encruzilhada temporal me aproximava de verdades aterradoras e segredos enterrados, cujas consequências reverberavam até o presente.
Mesmo nesse ambiente assombroso, estava determinada a desvendar os segredos que Sarah, Susy, Katie e os enigmáticos rapazes guardavam. Havia uma teia de escuridão que se estendia além do tempo e do espaço, e eu me encontrava em seu centro, envolvida em um jogo de sombras e pesadelos que desafiaria minha coragem até o limite.
Fiquei imersa em um estado de perplexidade e curiosidade ao testemunhar os acontecimentos perturbadores do passado de Sarah. Era como se observasse, em transe, cada detalhe sombrio daquela cena macabra. O tal Collins, movido pela sua insaciável curiosidade, decidiu escalar a estante próxima e puxou um canivete de seu bolso, iniciando uma tentativa de destrancar a porta trancada.
— Ei, o que você está fazendo? — Sarah não havia percebido a ação antes, envolvida como estava com as outras garotas. — Minha mãe manteve isso trancado por algum motivo. Não abra!
Mas o garoto m*****o, indiferente às advertências de Sarah, respondeu com desdém:
— Calma, garota! O que de tão r**m pode acontecer? — Engoli em seco ao ouvir aquelas palavras, pronunciadas também por Pete anteriormente. Embora fizesse sentido, uma sensação arrepiante percorreu meu corpo.
No mesmo instante, reconheci-o imediatamente. Sarah apertava o porta-joias contra seu peito, ainda em perfeito estado. E pude perceber o medo estampado em seu rosto, como se ela própria não compreendesse o motivo. Finalmente, o cadeado cedeu e a porta se abriu. Naquele momento, tudo começou a girar ao meu redor, e quando recuperei a consciência, estava sozinha novamente em meu quarto. Minha cama, minha lâmpada fluorescente. Era o meu quarto. Pete entrou nesse exato momento.
— Pete, você não faz ideia da experiência bizarra que acabei de vivenciar. — Nem dei tempo para ele falar e comecei a relatar tudo o que havia presenciado.
— Uau, você fez uma viagem no tempo? Isso é realmente fascinante! — Ele sempre encontrava fascínio em todas as situações.
— Não, Pete. Não foi uma viagem no tempo. Eu estava lá, mas eles não me viam. Era como se eu estivesse olhando através dos olhos de outra pessoa, mas ainda assim eram meus próprios olhos. Entende o que estou dizendo? — Até eu me confundi com a explicação. — E posso garantir: há algo muito obscuro e m*l explicado nessa história.
— E o que você planeja fazer agora? — Pete perguntou, com ansiedade evidente em seu olhar.
— Eu preciso encontrar uma maneira de voltar para aquele exato momento, no dia em que Sarah morreu. Sinto que aquilo não foi um simples acidente. — Minhas palavras saíam carregadas de determinação e mistério.
— Você acredita que a garota foi... assassinada? Mas por que alguém faria isso? — A perplexidade e preocupação tomavam conta de Pete.
— Não tenho certeza, mas é exatamente isso que pretendo descobrir. Preciso conversar com Samya. Ela pode ter informações valiosas que nos levarão à verdade oculta por trás desses acontecimentos sombrios.