Quando o carro parou em frente ao hotel, Marina desceu primeiro, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas enquanto tentava disfarçar o turbilhão dentro do peito. Erick permaneceu ao volante por alguns segundos, observando-a atravessar a entrada iluminada. Sem dizer nada, apenas fez um breve aceno e arrancou novamente, seguindo para outro destino.
Sozinha, Marina entrou no saguão e subiu direto para o quarto, sentindo o celular vibrar sem parar dentro da bolsa — insistente, quase urgente demais para ser ignorado.
Assim que fechou a porta atrás de si, soltou um suspiro e pegou o aparelho. Como esperado, dezenas de mensagens de Nicole. Marina chegou até a rir pelo nariz: dava para imaginar perfeitamente a ruiva ansiosa, roendo as unhas na sala de estar.
Respirou fundo e ligou de volta.
— Nossa, falar com você está quase impossível — reclamou Nicole assim que atendeu, claramente ofendida. — Acho que vou processar o Erick por roubar toda a sua atenção.
— Você é muito exagerada — Marina respondeu, sorrindo enquanto se largava na poltrona.
— Exagerada nada. Eu só sinto falta da minha melhor amiga, ora!
— Sei bem o motivo de você ter mandado esse bombardeio de mensagens.
— Se sabe, então fala! Anda, pelo amor de Deus! Eu vou entrar em colapso se você não me contar como foi o encontro do Erick com seus pais!
Marina imaginou Nicole de verdade: olhos arregalados, joelho balançando, provavelmente andando em círculos. Riu baixinho e respirou fundo antes de contar cada detalhe — desde o aeroporto até o almoço, o jeito surpreendentemente tranquilo de Erick e a súbita animação de Miranda.
— …e agora ele saiu, pedindo para eu esperar pacientemente por ele — concluiu Marina.
Do outro lado da linha, Nicole suspirou de forma dramática.
— Ainda não consigo acreditar que Erick e o Patrício se deram bem — murmurou. — O Erick tem aquele jeito durão, e o Patrício… bom, o Patrício assusta até as paredes daquela casa.
Marina soltou uma risada alta.
— Você é impossível.
— Eu tento. Mas, pelo visto, o Erick está cuidando muito bem de você — provocou, com um tom absurdamente malicioso. — Você está até… com uma voz diferente. Animadinha.
— O quê? — Marina pigarreou, corada. — Para com isso.
— Ah, por favor. Eu percebo essas coisas de longe.
— Nicole…
— Só continua cuidando dele — interrompeu, mas dessa vez sua voz veio mais suave. — Você o tirou de um lugar muito escuro. Foi como… luz no fim do túnel.
As palavras bateram fundo. Marina sentiu o coração apertar.
Depois de conversarem por longos minutos sobre outras coisas, ela desligou e foi direto para a banheira, afundando a cabeça na água quente. Mas não adiantou: as palavras de Nicole ecoavam como se tivessem sido ditas ali mesmo, dentro da mente dela.
“Você o libertou dos seus demônios.”
Ela pensou na perda da família dele. Pensou na ex-noiva. Pensou nela mesma — nos traumas, no casamento sufocante com Phillipe. Percebeu, de repente, que ela e Erick eram bem mais parecidos do que imaginava. Que tudo entre eles parecia mesmo obra de um destino insistente.
E com isso veio a ansiedade — aquela vontade urgente de vê-lo, sentir seu cheiro, seu abraço, seu corpo.
Quando saiu da banheira, passou hidratante com calma, apreciando a sensação de pele quente. Depois abriu a gaveta de lingeries e espalhou tudo sobre a cama, avaliando peça por peça com uma ansiedade deliciosa.
Queria surpreender Erick. Queria vê-lo perder o fôlego.
Acabou escolhendo um conjunto de renda preta — elegante, provocante, perfeito.
Logo seu celular vibrou. Era ele, avisando para que ela se arrumasse porque iriam sair. O coração dela disparou.
Marina vestiu a lingerie, colocou por cima um vestido vinho justo, de alças finas, e soltou o cabelo. O espelho devolveu uma versão dela confiante, luminosa… apaixonada.
Passava das 19h30 quando Erick bateu na porta.
Ela abriu — e ficou sem ar.
Ele estava com o cabelo ainda úmido, dividido ao meio de forma naturalmente bagunçada, usando uma calça jeans escura e uma camisa preta simples que, de algum jeito, deixava tudo nele ainda mais atraente. Erick sempre parecia perigoso… mas daquela vez parecia perigoso para o coração dela.
— Oi — disse Marina, sorrindo pequeno.
Erick percorreu seu corpo inteiro com os olhos. O meio sorriso lento apareceu nos lábios dele, daquele jeito que sempre prometia problemas — dos bons.
Aproximou-se, puxou-a pela cintura e colou seus corpos.
Marina prendeu a respiração.
— Você está linda demais para o seu próprio bem — murmurou, antes de tomar sua boca em um beijo lento.
— Eu também senti saudade — brincou ela, dando vários selinhos nele.
Erick riu baixinho, completamente entregue.
— Tenho uma surpresa pra você — disse, acariciando o rosto dela com carinho. — Vamos?
Ela assentiu, e seus dedos se entrelaçaram como se sempre tivessem pertencido um ao outro.
Descendo juntos até o térreo, entraram no Porsche preto. Erick parecia confortável, confiante, misterioso — exatamente do jeito que deixava Marina ainda mais curiosa. Ela se ajeitou no banco, mordeu o lábio para segurar as perguntas.
Ele queria surpreender… e essa noite, por acaso, ela também tinha uma surpresa para ele.
E m*l podia esperar para ver a reação dele.
Trinta minutos depois, chegaram a um bairro elegante — ruas limpas, prédios modernos, tudo com aquele brilho silencioso de lugar caro. Erick dirigiu por mais alguns quarteirões até parar diante de um edifício de vinte andares, com fachada de vidro e iluminação suave.
Eles atravessaram o saguão e pegaram o elevador. No décimo quarto andar, antes de entrar no apartamento, Erick se virou para ela.
— Fecha os olhos pra mim. — pediu, com um sorriso discreto.
Marina, mesmo cheia de curiosidade, obedeceu. Ele abriu a porta com cuidado, segurou sua mão e a guiou alguns passos para dentro.
— Pode abrir.
Ela abriu os olhos — e o ar sumiu do peito.
A sala era linda, ampla, aconchegante. Mas o que realmente fez sua boca se abrir em choque foi a mesa de jantar. Estava posta com um capricho quase cinematográfico: pratos fumegantes, taças reluzentes, velas aromáticas, flores. O perfume das especiarias se misturava ao cheiro doce da cera quente, criando um ambiente tão romântico que quase dava para tocar no ar.
Aquela noite… seria inesquecível.
— Você… alugou esse apartamento pra gente? — perguntou, virando-se para ele, ainda sem acreditar.
— Não. — Erick respondeu, divertido com a expressão confusa dela.
Ele deu um passo à frente, o sorriso puxando um canto da boca.
— Na verdade, esse apartamento agora é meu. Nosso.
Os olhos dela se arregalaram. Marina girou o rosto devagar, observando cada detalhe — os móveis elegantes, as cores suaves, o cuidado nos detalhes.
— Erick… isso é incrível. — disse enfim, a voz misturada entre alegria e espanto.
Ele segurou sua mão.
— Quero que a gente viva juntos. Aqui. — afirmou, sem pressa. — Mas calma… não vou apressar nada. Você vem quando estiver pronta, ok?
A suavidade rouca do tom dele fez as pernas dela fraquejarem. O gesto, a entrega, a generosidade… tudo a acertou de uma vez. Marina o abraçou forte, beijos rápidos e agradecidos roçando os lábios dele.
Ela lançou um olhar para a mesa.
— É muita comida! — riu, ainda atônita.
— Tem um pouco de tudo que você gosta. — Erick disse, puxando a cadeira para ela.
Os aromas a envolveram assim que ela se aproximou: o pernil suculento, o bife ao molho, o arroz temperado, salada fresca, suco de laranja… e o vinho que brilhava rubi sob a luz das velas.
— Você é realmente incrível. — murmurou, completamente encantada.
— Você que me faz ser assim. — ele devolveu, sentando-se à sua frente com aquele sorriso torto que sempre a desarmava.
Eles jantaram conversando, rindo, trocando olhares que diziam mais do que qualquer palavra.
Quando terminaram, Erick entrelaçou seus dedos aos dela e a levou até o quarto principal.
E então veio outra surpresa.
A iluminação baixa criava um ambiente acolhedor, íntimo. A cama enorme estava coberta por pétalas de rosas vermelhas. Ao lado, algumas bebidas e aperitivos. De frente para a cama, uma televisão grande iluminava suavemente o cômodo.
— Uau… — Marina sussurrou, sem conseguir controlar a reação.
Ele sempre demonstrava amor sem discursos longos, sem exageros — apenas com gestos firmes, concretos. E era exatamente isso que a desmontava.
Erick pegou uma taça, serviu vinho e a entregou a ela.
— O que a senhorita deseja assistir? — perguntou, com uma elegância informal que a deixava louca.
Marina corou, desviando os olhos.
— Cinquenta Tons de Cinza…
Erick umedeceu os próprios lábios com a língua, encarando-a de um jeito perigoso. Ela engoliu em seco.
— Uma ótima escolha. — disse, o sorrisinho dele provocando um arrepio que subiu pela nuca até a espinha.
Marina bebeu quase toda a taça de uma vez, sentindo o calor espalhar-se pelo corpo. Talvez fosse o vinho… talvez fosse ele. Talvez os dois.
Ele deu play no filme e sentou-se ao lado dela na cama. Marina se recostou nos travesseiros, cobertores macios sobre as pernas, enquanto o clima entre eles ia mudando devagar… como o prelúdio de algo que nenhum dos dois pretendia evitar.
O filme m*l havia começado quando Marina se ajeitou entre os travesseiros, afastando um pouco o cobertor até encontrar uma posição confortável. Erick se aproximou devagar, como quem se permite aproveitar cada centímetro do caminho até ela, e sentou-se ao lado, sentindo o colchão ceder sob o peso dos dois.
A luz suave da televisão iluminava o quarto e criava sombras delicadas nas paredes. Mas a única coisa que realmente chamava atenção era a presença deles. Um tipo de silêncio cheio de expectativa, de algo que se movia entre os dois desde o momento em que se olharam naquela noite.
Por alguns minutos, tentaram prestar atenção na tela. Mas bastou Marina relaxar o corpo, apoiando a cabeça no peito dele, para que o ar mudasse completamente.
O calor do corpo de Erick envolveu-a de imediato, e Marina deixou escapar um suspiro discreto — mas profundo o bastante para que ele percebesse.
A mão dele deslizou pelas costas dela, inicialmente num carinho distraído… e depois, num toque mais concentrado, mais intencional. O tipo de toque que faz o corpo inteiro responder mesmo sem que a mente dê permissão.
Marina fechou os olhos.
Não porque estava com sono, mas porque queria sentir.
O cheiro dele era quente, familiar, viciante. O ritmo da respiração dele começou a mudar junto com o dela, e o simples movimento da mão percorrendo suas costas parecia transformar tudo à volta.
Erick, sem planejamento algum, a puxou de leve, trazendo-a mais contra si. A outra mão tocou sua cintura, convertendo o carinho em posse suave.
Ela já respirava diferente.
Ele também.
Marina ergueu os olhos por um instante, e Erick nem tentou desviar. Um olhar preso no outro, cheio de algo que os dois conheciam bem — mas que sempre parecia novo.
Então, num gesto quase inevitável, Erick a segurou pela cintura e a puxou para o colo dele.
Ela se encaixou como se aquele fosse o lugar exato onde deveria estar, joelhos de cada lado do quadril dele, o corpo tão próximo que sentir a respiração se tornou impossível de evitar.
Os olhos se encontraram outra vez.
Havia desejo.
E havia também um silêncio denso, elétrico, como se algo estivesse prestes a acontecer — e os dois sabiam que não havia mais volta.
Erick inclinou o rosto até o ouvido dela, a voz baixa como um segredo:
— Você está muito quente…
A pele de Marina se arrepiou inteira. Ela se afastou apenas o suficiente para olhar para ele novamente, e a cor em suas bochechas denunciava o quanto estava entregue.
O sorriso que surgiu nos lábios dele era lento, provocador, calculado. Um sorriso que dizia tudo o que ele imaginava fazer com ela naquela noite — e talvez o que ela nem imaginava ainda.
Ele apertou sua cintura, firme, arrancando um arfar involuntário dela.
E então voltou ao ouvido, dessa vez mais perto, mais rouco:
— Esse filme te deixa quente, Ma-ri-na? — pronunciou seu nome por sílabas, como se estivesse saboreando cada uma.
Ela mordeu o lábio, tentando manter o controle que já estava perdido.
— Só você me deixa assim — sussurrou, movendo o quadril num gesto lento e provocante.
O gemido baixo que escapou da garganta de Erick foi quase inaudível — mas profundo o bastante para incendiar o ambiente inteiro.
Ele a puxou com mais força, e o beijo que veio não foi apenas um beijo. Foi entrega. Foi urgência. Foi o tipo de beijo que faz o tempo parar, que faz o coração bater rápido demais, que faz a respiração perder qualquer ritmo normal.
As mãos dele percorriam o corpo dela com firmeza, marcando cada curva, cada linha, cada parte que ele queria sentir mais de uma vez. Marina afundou os dedos nos cabelos dele, puxando levemente enquanto o corpo deles se encontrava em movimentos lentos, atentos ao ritmo um do outro.
Aos poucos, o desejo cresceu tanto que o ar entre eles pareceu ficar mais quente.
Quando ela conseguiu se afastar por um instante, murmurou sobre os lábios dele, a voz baixa e decidida:
— Hoje… quem vai fazer o que quiser, sou eu.
Erick sorriu de um jeito perigoso, como alguém que acabou de receber exatamente o desafio que queria.
— Como a senhorita quiser — respondeu com uma calma provocadora.
Marina se levantou da cama, deixando o corpo dele esfriar por apenas alguns segundos. E esses segundos foram suficientes para que Erick percebesse que estava completamente à mercê dela.
Ela começou a tirar o vestido devagar, como se desfiasse cada camada de expectativa que ele tinha sobre ela. O tecido desceu por sua pele de maneira quase hipnotizante. A luz suave realçava cada movimento, cada curva revelada.
Erick não conseguia desviar o olhar. O desejo apertava seu peito, seus músculos, tudo nele. Ela sabia. E gostava.
Quando voltou para a cama, caminhou lentamente, como quem tem todo o tempo do mundo — mas cuja intenção não deixava espaço para dúvidas.
Ela se ajoelhou à frente dele, aproximando-se com delicadeza e decisão. Erick tocou o rosto dela, mas ela segurou sua mão, desviando-a para o colchão.
— Hoje não — disse baixinho, com um sorriso que o fez gemer apenas de antecipação. — Hoje você não manda em nada.
O resto da noite se desenrolou como uma dança. Uma dança de provocações, de inversão de papéis, de entregas lentas e profundas. Marina surpreendia; Erick retomava o controle; Marina retomava de volta. Cada um conhecia o corpo do outro bem demais — e naquela noite, exploraram cada reação com atenção, como se estivessem descobrindo tudo de novo.
Eles se perderam em toques intensos, beijos longos, movimentos profundos que faziam o quarto inteiro parecer pequeno demais para tanto calor. A respiração deles preenchia o ambiente, misturada aos gemidos baixos, às palavras sussurradas, às provocações que só aumentavam o desejo.
A cama rangia. O ar esquentava. As sombras dançavam nas paredes.
E quando os corpos finalmente cederam, exaustos e satisfeitos, Erick puxou Marina para o peito, ainda respirando pesado, o rosto escondido no pescoço dela.
— Eu… — ele murmurou entre as respirações — …sempre vou querer mais de você.
Marina sorriu fraco, com o corpo ainda trêmulo.
— Hoje eu realmente não aguento mais nada… — admitiu, rindo baixinho.
Ele riu também, beijando o ombro dela.
Mais tarde, já na banheira, a água morna envolveu os dois como se o mundo tivesse ficado distante. Marina fechou os olhos quando sentiu Erick se aproximar por trás, segurando-a pela cintura e puxando-a contra si com um carinho preguiçoso.
— Você ainda quer mais? — ela perguntou, divertida.
— Eu quero sempre — sussurrou, encostando o rosto no pescoço dela — mas hoje… só vou cuidar de você.
E ali ficaram. Por minutos longos. Por carícias lentas. Por toques que diziam mais que qualquer palavra.
Quando voltaram para a cama, adormeceram entrelaçados, completamente entregues ao cansaço… e um ao outro.