Episódio 2

1179 Palavras
Alonso Desde o momento em que ela entrou no restaurante, aquela figura linda e esbelta chamou a minha atenção. Se eu não estivesse numa reunião de negócios extremamente importante, teria me levantado e ido até a mesa dela para me apresentar. Sim, é assim que costumo ser direto quando gosto de uma mulher. É estranho ver uma mulher como ela almoçando sozinha. Chamo um dos meus homens e sussurro no seu ouvido. — Descubra tudo sobre aquela mulher. Sussurro, com a intenção de não ser ouvido. De repente, sinto alguém me encarando. Viro-me e é ela. Os nossos olhares se encontram. Nenhum de nós desvia o olhar. Em vez disso, nos encaramos por alguns segundos até que a garçonete se aproxima dela, presumo que para perguntar o seu pedido. O homem a quem fiz o pedido se aproxima e responde à minha pergunta. — O nome dela é Natasha Rivas. Ela é casada com o magnata Andre Azuero e vice-presidente da Azuero&RivasCorp. Ele sussurra no meu ouvido. O homem sai e eu continuo a minha reunião. Ela é casada, uma pena. Mas nada que não possa ser resolvido. Penso. Saio do restaurante, reprimindo a vontade de me aproximar dela. Interrompo a garçonete que a atende e peço que me cobre o que pediu. Pego um pedaço de papel e deixo um bilhete junto com uma rosa que pego de um dos vasos no balcão e peço à garçonete que a entregue no final. Natasha Termino a minha refeição e peço a conta. A garçonete se aproxima e me informa que o meu pedido foi pago, apontando para a mesa onde o homem enigmático e bonito estava sentado. — Um cavalheiro naquela mesa pagou e também deixou este bilhete e esta flor para você. Ela relata profissionalmente. Pego o bilhete e o coloco na bolsa, segurando a rosa delicadamente para não rasgá-la, e saio do local, mas não sem antes agradecer à moça e dar uma boa gorjeta pelo serviço. Chego ao carro e pego o bilhete. A curiosidade matou o gato, e este gatinho é muito curioso. Eu adoraria ter acompanhado uma moça tão linda para o almoço. Sinto muito não ter podido. P.S. Você é uma mulher deslumbrante. A.F. Alonso Saio do restaurante com o meu tio e me aproximo de Damian, o meu homem de confiança. — Preciso que designe um guarda-costas para Natasha Rivas, claro, um dos nossos melhores homens, leal e discreto. Exijo. — Como quiser, senhor. Responde Damian, e o meu tio e eu entramos no carro que nos espera. — Você sabe quem é aquela mulher, Alonso? Pergunta o meu tio. — Claro, tio, ela é minha futura esposa e mãe dos meus filhos. Respondo, sorrindo. — Aquela mulher é esposa de um dos homens mais influentes da cidade. E caso não tenha ouvido, eu disse 'esposa', casada, amarrada, proibida, Alonso. Lista Augusto em tom de reprovação. — Coisas triviais, tio, nada que não possa ser resolvido. Respondo convincentemente. — Não quero que nenhum problema afete os nossos negócios. Não vou permitir. Responde o meu tio. — Não se preocupe, tio. Garanto que não haverá problemas. Concluo, convencido. Estamos a caminho do hotel no veículo, e os meus pensamentos vagam constantemente por aquela linda mulher. No meu mundo, mulheres bonitas são o denominador comum, mas há algo nela que me chamou a atenção. A voz do meu tio me tira dos meus pensamentos. — Hoje à noite vamos a um baile beneficente. A sua roupa deve ser complementada por uma máscara. Você conhece as excentricidades dos milionários. Informa Augusto. — Sim, entendo. Afirmo. — Eu cuido disso, tio. Saímos do veículo, entramos no elevador e cada um de nós segue para o seu quarto. Ao entrar na minha suíte, tiro o paletó e a gravata. Desabotoo a camisa e a jogo na cama. Pego o telefone do quarto e ligo para a recepção. — Boa tarde, senhorita. Digo quando a minha ligação é atendida. — Aqui é Alonso Ferrara, da suíte presidencial. Preciso que me traga uma máscara masculina que combine com um terno cinza. — Entendido, Sr. Ferrara. Enviarei o que pedi para a equipe da boutique. Responde a jovem. Desligo o telefone e vou até o frigobar do quarto. Sirvo-me de uma dose de uísque e fecho os olhos, sorvendo o delicioso líquido âmbar que desce pela minha garganta. — Natasha Rivas! Penso. — Se eu soubesse que nesta viagem conheceria a mãe dos meus filhos nesse lugar, já teria vindo há muito tempo. Natasha Quando uma mulher como eu é traída repetidamente pelo marido, a sua autoestima sofre muito. Você começa a achar que não é bonita, inteligente ou refinada o suficiente; que não é mulher, amante ou esposa o suficiente. Você começa a procurar defeitos em si mesma, como se fosse a fonte do problema. Você se olha no espelho e não se sente mais tão atraente ou bonita. Às vezes, você até sente pena de si mesma. Mas não é o caso. O problema não é você; o problema é aquele homem que não soube te valorizar, muito menos cumprir a promessa de te amar até que a morte os separe. Isso não é uma lição que se aprende em um dia ou em um mês. É o resultado de um processo no qual você percebe que o casamento não pode ser um castigo. Não porque você não consegue perdoar a infidelidade, mas porque a pessoa que te traiu não foi máscula o suficiente para reconhecer o seu erro e pedir perdão. Se fosse esse o caso, pelo menos você teria a satisfação de dizer: "Eu tentei, mas não deu certo". Mas Andre tem sido o tipo de homem que tenta disfarçar os seus feitos com negócios ou com a desculpa de que a imprensa interpreta tudo m*al. Nunca o peguei com uma mulher, ele nunca admitiu a sua infidelidade, mas, no fundo, uma mulher sabe quando há outra, quando o desejo está diminuindo, quando os encontros noturnos se tornam constantes, quando qualquer desculpa é boa o suficiente para uma viagem que você não precisa fazer, quando o perfume feminino nas roupas do seu marido não é seu, muito menos o batom carmim que ele tem a marca na camisa. Foram anos reforçando a minha autoestima, me reconstruindo emocionalmente, entendendo que a minha vida não depende do Andre, que sou uma pessoa separada e não uma extensão do seu corpo. Conquistei o meu nome no mundo dos negócios. Sou uma mulher influente, não por ser esposa dele, mas por mérito próprio. Na verdade, nunca quis usar o meu nome de casada. Isso teria sido caótico diante do nosso divórcio iminente, porque estou determinada a me divorciar. Toda mulher merece um homem que a ame e respeite, mas se ela não começar a se amar e se respeitar, nunca encontrará esse homem. — Então, me desculpe, Andre Azuero, você me perdeu. Penso. ‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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