Mateo estava estranho,mais calado, mais tenso, menos paciente, ele continuava me amando com a mesma fome todas as noites , talvez até mais, mas agora parecia que me olhava o tempo todo com medo de que eu evaporasse, ou pior: de que alguém viesse me levar.
— “Tem uma visita chegando.” — ele disse seco, uma noite antes.
— “Quem?”
— “Minha avó. Não... minha avó-avó. Ela não é doce. Nem simpática. Você não precisa agradá-la.”
— “Tudo bem.” — menti, mas por dentro, sentia que algo estava se mexendo, e se o problema não fosse a visita…mas o que ela poderia ver em mim? Dona Márcia chegou com perfume forte e um olhar afiado, andava de salto como se marchasse em campo de guerra, e me olhou da cabeça aos pés como se estivesse vendo um corpo que não devia estar vivo.
— “Então… você é a Julieta.”
— “Sim, senhora. Seja bem-vinda.”
— “Você lembra alguém. Alguém que eu nunca suportei.”
Mateo apertou minha mão sob a mesa.
— “Não começa, vó.”
— “Tô só dizendo. Essa garota me dá calafrios. A mesma cara. O mesmo olhar pidão. A mesma desgraça.”
Sorri, por fora, mas dentro… algo doía, como se minha alma tivesse sido chamada por um nome que eu não lembrava, naquela noite, Mateo me possuíu com raiva, com fúria, com desespero, me arrastou para o chão da sala, me despiu ali mesmo, e me tomou com força, sem piedade, como se quisesse apagar qualquer coisa que aquela mulher pudesse ter visto em mim.
— “Você é minha. Só minha. Ninguém te conhece como eu.”
— “Sim...” — eu disse, arfando, entregue, mas por dentro, a dúvida começava a nascer, dois dias depois, um rapas apareceu no restaurante ,Rodrigo o nome dele, um turista Brasileiro, pediu um prato típico, sorriu com doçura e me encarou… como se tivesse visto um fantasma.
— “Desculpa… é que você parece muito com alguém”
— “Ja me falaram isso, mas não lembro quem era.” — brinquei.
Ele ficou me olhando em silêncio, os olhos marejados, e sussurrou:
— “Milena.”
Mateo estava no balcão, e ouviu, no mesmo instante, ele surgiu atrás de mim, me abraçando pela cintura, como sempre fazia quando se sentia ameaçado, mas agora… ele tremia.
— “Você já conhecia esse cara?”
— “Nunca vi.”
— “Ele te olhou como se te amasse.”
— “Você tá exagerando.”
Ele me encarou com olhos negros, sem piscar.
— “Se ele souber quem você é… a gente perde tudo.”
Eu ri, desconversando, mas… quem eu sou? e por que Mateo se esconde tanto? nos dias que seguiram, Rodrigo voltou ao restaurante, sempre gentil, sempre contido, mas com os olhos… gritando saudade, certa noite, me deu um envelope:
— “Você pode não lembrar… mas se um dia quiser saber quem foi, começa por isso.”
Mateo viu, e o ciúmes dele explodiu como dinamite, naquela noite, me puxou pelos cabelos, me jogou contra a parede, me beijou como se estivesse punindo, me despiu como se me possuísse com raiva, e quando me penetrou, não era amor, era guerra, e eu deixei, gemi, chorei.
— “Você é minha. Eu te fiz renascer. Você só existe por minha causa.”
— “Eu sei...” — sussurrei, com a respiração falha, e mais uma vez, fui dele, não sei mais onde começa o amor, e onde começa o medo, mas eu ainda o amo, com tudo, com dor, com calor, mesmo que ele me destrua um pouco a cada noite, agora, guardo o envelope de Rodrigo escondido, ainda não abri, ainda não ousei, mas…e se a resposta estiver ali? e se o que me assombra for mais real do que Mateo quer que eu saiba? Mateo trancou a porta com mais força do que o normalm eu estava sentada na cama, ainda com o avental do restaurante, as mãos sujas de molho.
— “O que foi agora?”
Ele jogou o celular no meu colo, aberto na conversa de Rodrigo com Beatriz.
Mensagens antigas, fotos, uma imagem minha, uma cicatriz que nem eu lembrava que tinha.
— “Você vai me dizer quem ele é… ou eu vou tirar à força.”
Fiquei em silêncio, meu corpo inteiro gelou, ele avançou,me empurrou contra a parede, e pela primeira vez, Mateo bateu com força, um t**a estalado c***l, a boca ardeu, ogosto de ferro preencheu minha língua.
— “VOCÊ TÁ BRINCANDO COMIGO, JULIETA?!”
— “Mateo… eu não sei… quem eu sou! Você sabe! Eu só…”
— “Mentira. Você tem lembranças. E tá escondendo de mim.”
Ele me segurou pelo pescoço, me jogou na cama, subiu em cima.
— “Diz que vai ficar. Que é minha. Que nunca vai embora.”
— “Eu sou sua…”
— “Prova.”
E foi aí que ele me rasgou, literalmente, minha roupa, minha calcinha, meu controle, me penetrou com brutalidade, sem carinho, sem medo, só fúria, eu chorava, mas ele gemia, e entre lágrimas… o prazer veio, vergonhoso, desesperado, vicioso, quando ele gozou dentro de mim, gritou meu nome, ou talvez… um nome que eu não conheço.
Depois, me abraçou, como se nada tivesse acontecido.
— “Me perdoa. Eu só… te amo demais. Eu enlouqueço com a ideia de te perder.”
— “Tá tudo bem…”
Eu menti, enquanto o sangue escorria pela minha coxa, no dia seguinte, Rodrigo voltou, Mateo o viu entrando no restaurante, e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele o seguiu até o banheiro dos fundos, cinco minutos depois, Rodrigo saiu com o nariz sangrando e um olho inchado, Mateo entrou de volta sorrindo.
— “Agora ele entendeu que você tem dono.”
A noite, Mateo chegou com flores e uma pulseira nova, de ouro.
— “Presente pra minha rainha.”
— “Obrigada.”
— “Você tá linda. Mesmo com a boca machucada.”
Não consigo sair, não consigo pensar, não consigo… deixar de amar, meu corpo o deseja como d***a, mesmo quando minha alma grita pra fugir, e agora, dormindo ao lado dele, ouço-o murmurar:
— “Se você tentar ir embora, Julieta… eu juro que te arrasto de volta, nem que seja em pedaços.”
E ainda assim…eu o abraço, porque nessa cama, nesse inferno feito de veludo e pele,eu sou dele, mesmo que isso me custe a vida.