Capítulo 18 – Aguentando…
Charlotte Lionett
- Charlie, odeio ver você assim. – Megan tentou me consular, mas eu não conseguia parar de chorar. Deitei minha cabeça nas pernas dela e deixei que mais uma vaga de lágrimas me invadisse. – Amiga… - Ela acariciou meus cabelos e me fitou triste. – Oh my god… Ainda não consigo acreditar que você e Emir terminaram.
- Foi h******l… - Falei entre os fortes soluços e Megan suspirou.
- Não entendo. Se vocês dois se amam tanto porquê essa tortura? Porquê dar um fim num relacionamento que passou por tanta coisa?
Eu levantei minha cabeça do colo dela, enxuguei minhas lágrimas e olhei nos olhos verdes da Megan.
- Era a única solução, pelo menos por agora.
- Sério Charlotte, eu fico mesmo muito triste por você e pelo Emir também que é o meu melhor amigo. Caramba, vocês dois se amam tanto e estão separados mais uma vez. Nossa que situação h******l, sério.
Assenti e limpei uma outra lágrima que queria cair.
- Eu sei.
- Emma me contou sobre uma conversa que ela teve com o Emir essa manhã e ela falou que nunca viu ele tão triste como estava hoje.
Olhei nos olhos claros da minha melhor amiga e um aperto no estômago me invadiu, assim como a consciência pesada.
- Por favor Meg, não faça me sentir pior.
- Desculpe. – Ela me olhou triste. – Mas quero que você tenha a perfeita noção que daqui em diante nada vai ser fácil, vocês dois separados, os rumores vão surgir na internet, nas capas de revista… sei bem o que isso é, pois comigo foi o mesmo no começo do meu relacionamento com o Noah. Não terminámos, mas já haviam rumores disso na net. É a desvantagem de assumir um relacionamento com alguém famoso. – Suspirou. – Mas e em NY como vai ser? E a situação de vocês já que estão morando juntos?
- Não sei, Megan. Eu acho que agora que a gente terminou tudo será diferente e eu falei para ele que ia me mudar assim que chegarmos em LA. Ai, o que eu faço agora? – Deitei de volta no colo dela e mais uma vez deixei me chorar ali.
*****
Emir Rogers
Limpei as lágrimas que escorriam pelo meu rosto e olhei para o relógio de pulso, faltavam apenas 10 minutos para as 20h e a hora do jantar estava quase chegando. Suspirei fundo e fitei um ponto fixo.
- Wow Rogers, o que aconteceu cara? – A voz de Noah foi ouvida atrás de mim e eu limpei o resto das lágrimas que tinha no rosto. – Você esteve chorando?
- Estou sentindo a pior raiva desse mundo, Noah! f**k! f**k! f**k! – Bati com o punho fechado em cima do braço daquela cadeira e ele me olhou confuso.
- O que aconteceu, man?
- O que aconteceu? – Sorri falsamente. – Aquele filho da mãe do James conseguiu o que queria.
- Quê? – Noah arqueou a das sobrancelhas.
- Isso… - Engoli o nó que se formava na minha garganta. – Eu e a Charlotte terminámos.
A expressão do rosto do Noah foi de surpresa. É, nem eu ainda queria acreditar que havia chegado ao fim.
- Ah Emir… - Suspirou. – Sabe, eu acho que você e ela ainda vão voltar.
Sorri fraco.
- Não Noah, dessa vez não. A Charlotte não me aceita tal como eu sou e eu não quero mais andar correndo atrás dela que nem seu cachorro de estimação. Chega, cansei!
- Oh man, você ama demais aquela mulher. Até quando é que você acha que vai suportar isso?
- Tenho que suportar, Noah, custe o que custar. Estou numa de beber algo essa noite, aceita ir comigo?
- Claro, claro que sim, Emir, conte comigo. – Sorriu de leve, se sentando do meu lado em seguida. – Ahm, Jordan ligou.
- Ah é?
- Sim. Não sei se isso vai animá-lo, mas ele já tem as passagens para os dois primeiros destinos da turnê, para Glasgow e para Frankfurt.
- Que bom. Também tenho que ver minha passagem para Istanbul.
- Quando é que está pensando viajar?
- Dia 30 desse mês. Jason casa dia 3 de setembro. Quero ficar lá pelo menos até dia 7.
- Legal, Emir.
- Preciso voltar para meu quarto. Fiquei de me conectar no Skype dentro de 10 minutos para conversar com a minha mãe. Nos vemos mais tarde?
- Não vai jantar?
- Talvez mais tarde, estou sem fome.
- Ok. A gente se vê, Emir.
- See ya. – Levantei de onde estava sentado e caminhei até no quarto.
A vontade de querer desaparecer me invadiu de novo ao me lembrar dos bons momentos que passei com a Charlie nesse quarto, mas eu não ia fazer isso. Eu ia ser forte e esperar que no final fosse dar tudo certo.
Liguei meu notebook, assim como o Skype e esperei que minha mãe desse início à ligação. Conversei com ela sobre várias coisas, minha mãe me contou que foi promovida no emprego e que seu novo cargo agora seria médica de clínica geral. Fiquei muito feliz por ela.
De resto partilhei as novidades com ela sobre o que tem acontecido aqui na Austrália e minha mãe adorou saber que estava tudo bem, porém eu não tive a coragem suficiente para admitir que eu havia terminado com a Charlotte e foram as várias ocasiões em que eu decidi mudar o assunto da conversa quando ela decidia falar nela.
- Emir, pare de tentar me enrolar mais, eu já percebi que algo está acontecendo. – Minha mãe disse através da webcam e a expressão dela era de preocupação.
- Mãe, não quero falar sobre isso, ok? Mas e aí, já está quase tudo pronto para o casamento de Jason? – Perguntei mudando de assunto mais uma vez e ela me olhou com reprovação.
- Não mude de conversa, Emir e me conte já o que está acontecendo. Desde que você surgiu na webcam que eu estou achando você triste.
- Isso vai passar, mãe. – Porque nem eu conseguia me convencer daquilo?
- Passa sei... – Ela ajeitou os óculos de grau. – Mas seria mais fácil você conversar comigo, acho que ainda sou sua mãe, esqueceu?
- Não esqueci, Samia. – Sorri de leve, mas meu sorriso não durou nos meus lábios. – Porquê conversar sobre isso?
- Porque sei que você está prestes a explodir a qualquer momento.
- Ok, se você insiste… - Suspirei. – Eu e a Charlie terminámos, mãe.
- Oh my… - Ela levou a mão ao peito e me olhou triste. – Tem a certeza?
- Sim. É definitivo.
- Oh my god.
- O que foi, mãe? – Perguntei ao ver a expressão de tristeza no rosto dela.
- O que você acha? Para mim também é complicado ouvir isso. Ainda para mais eu já estava habituada à ideia de que essa menina fosse entrar na nossa família.
- Eu entendo…
- Você estava tão empolgado em fazer sua vida do lado dela. Emir, a Charlotte fez despertar uma felicidade em você que eu jamais achei que fosse despertar, foi graças a ela que você deixou para trás os fantasmas que assombravam a sua vida e foi graças a ela que você conseguiu ultrapassar a perda do seu pai. É uma pena querido, o vosso amor era tão lindo e eu estou certa que se o vosso namoro terminou foi por causa de um motivo forte, não é mesmo?
Fitei a câmara durante alguns segundos, até agitar a cabeça em sentido de reprovação.
- Mãe, mesmo depois de tudo o que passámos juntos, a Charlotte continua sem me aceitar.
- Aceitar? – Me olhou confusa.
- É, como eu sou, a minha personalidade, entende?
- Oh meu amor, mas desde o começo vocês sabiam que eram diferentes…
Mais uma vez fitei minha mãe sem conseguir falar nada.
*****
Charlotte Lionett
- É mãe, eu sei, mas você lembra que nessas alturas todas essas diferenças que haviam entre mim e Emir chegaram a nos aproximar, mas dessa vez foram o suficiente para nos afastar. – Falei através da câmara do IPad enquanto conversava com minha mãe pelo Skype.
- Ah Charlie, eu realmente fiquei abalada com tudo o que você me contou, mas talvez você tem razão, o melhor é darem um espaço.
- É… - Suspirei.
- Também houve tantas coisas que aconteceram entre vocês dois e vocês nem tiveram o tempo certo para pensarem nelas.
- Sim mãe, mas foram essas coisas que tornaram meu relacionamento com o Emir mais forte e firme, mas agora…
- Agora… - Ela me interrompeu. – Quer dizer, por agora é melhor vocês ficarem longe um do outro.
A vontade de chorar me invadiu de novo.
- Ah mãe, eu nem sequer consigo pensar nisso, parece que não é real. – Limpei meus olhos marejados e soltei o ar de impaciência.
- Charlie, essas coisas servem para a gente crescer.
- Eu não quero nada mãe, eu só quero o Emir de volta. – Deitei minha cabeça no travesseiro, esperando que as novas lágrimas caíssem pelo meu rosto abaixo.
Minha conversa com ela não durou muito mais que isso. Desliguei o IPad e levantei da cama para ir lavar meu rosto. De volta para o quarto, vi a cortina branca da janela se mover com a leve brisa de inícios da noite e eu tive uma vontade súbita de ir até na varanda. Caminhei em passos lentos pelo quarto, abri a porta da sacada e me debrucei sobre a grade, fitando um grupo de garotos ingleses que caminhavam em rumo do restaurante. Continuei fitando as pessoas que ali estavam, mas minha mente não estava bem nelas, ela estava numa outra coisa, numa coisa que eu pensei que jamais iria esquecer.
Flashback on*
Abri finalmente a porta da sacada e avancei com cuidado pela porta que tinha aceso à sala. Olhei e vi que as cortinas estavam fechadas, o que era bom, pois assim não corria o risco de me pegarem. Fui até no canto da varanda e olhei para baixo e para o lado. Analisei tudo com cuidado e descobri a melhor forma para pular. Em baixo havia um tubo de pedra por onde caía a água e de lado havia a grade que separava o condomínio do lado de fora. A distância entre os dois não era muita e eu acho que meu plano daria certo se fosse como eu estava planejando. A gente morava no primeiro andar e a distância entre a varanda e o chão não era assim tanta.
Coloquei um pé de fora de modo que tocasse no tubo de pedra e com cuidado passei a outra perna enquanto me segurava na grade da sacada.
Me agachei sem soltar as mãos da grade da sacada e com o máximo cuidado passei os pés para a grade e rapidamente fiquei em cima dela. Olhei para o chão e meu estômago revirou ao ver a distância entre a grade e o mesmo. Era mais alto do que eu imaginava.
Meu corpo começou estremecendo de pânico e minha cabeça começou rodando com a vertigem, mas eu tentei ignorar aquelas sensações e decidi fazer o que tinha que fazer. Joguei a mochila pesada que estava me incomodando para o chão, segurei a grade com uma mão, me agachei e com a outra mão segurei o tubo. Estava pronta para pular, mesmo que eu fosse me machucar, mas no momento eu não me importei com aquilo, pois eu tinha mesmo que sair daqui.
Tentei me acomodar melhor para pular e que minha queda não fosse tão dolorosa, mas num movimento brusco eu acabei escorregando porque a grade estava molhada com água da chuva e comecei a cair de costas, deixando que um grito de pânico escapasse da minha boca.
Fechei meus olhos esperando o duro embate contra o chão, mas na vez de sentir o frio do chão eu senti algo cómodo e quente, que impedira que minha queda se tornasse numa tragédia.
Abri meus olhos e vi que o dono daquele par de olhos castanhos me segurava. Seu olhar se cruzou com o meu de uma forma tão intensa que eu não tinha palavras para descrever o que eu estava sentindo naquele momento. Nossos rostos estavam próximos, a respiração dele era pesada e meu coração parecia que ia pular do meu peito a qualquer momento. O olhar profundo e misterioso de Emir era algo tão intenso que eu não conseguia prever o que ele estava pensando. Seu olhar se desviou dos meus olhos e foi direito para meus lábios, mas rapidamente ele voltou seu olhar para me olhar de novo nos olhos.
Flashback off*
Acordei de meus pensamentos e senti uma tristeza ao ter me lembrado daquelas memórias. Meu mundo havia desmoronado e eu não sabia como ia suportar essa dor daqui em diante.
*****