capítulo:32-Anika POV

579 Palavras
​Dario freou o carro bruscamente quando me viu entrar em um colapso total. Abri a porta da BMW e saí tropeçando; minha respiração estava irregular, o oxigênio parecia não chegar aos pulmões. Lágrimas quentes molhavam minhas bochechas enquanto meu coração disparava. As lembranças da Matilha Lua Crescente vinham como flashes cruéis em minha mente. ​— Anika, o que houve? — perguntou Damian, parando na minha frente. ​Eu não conseguia responder, apenas chorar. Era como se estivesse revivendo cada segundo daquele passado doloroso, uma ferida que nunca cicatrizou. Agachei-me, abraçando os próprios joelhos e tapando os ouvidos na tentativa inútil de fazer os gritos da memória sumirem. ​Foi então que senti algo despertar. Uma chama acendendo após anos adormecida nas profundezas do meu ser. Quando senti alguém tocar meu braço, agi por instinto — algo que apenas uma bruxa seria capaz de fazer. ​"Anika, o que você está fazendo?!", ouvi o grito de Damian e despertei do transe. ​Olhei ao redor e o pânico aumentou: eu estava cercada por um círculo de fogo intenso que brotava das minhas próprias mãos. Eu não sabia como aquilo surgiu. Do outro lado da barreira de chamas, vi Dylan sair do carro seguido por uma Stella incrédula. ​"Que c*****o é esse? Como ela conseguiu fazer isso?", Stella perguntou, aproximando-se de Dario e Damian, que me olhavam com terror e preocupação. ​"Ainda não sabemos. O importante agora é tirá-la dali!", Damian exclamou. ​"É impossível! O fogo está radiando dela!", Dylan disse, aproximando-se do círculo e me encarando fixamente. ​Quanto mais nervosa eu ficava, mais as chamas subiam, ameaçando tudo ao redor. Eu tinha pavor de machucá-los. ​"Anika, olha para mim! Você tem que tentar se acalmar!", gritou Dario. ​"Eu não sei como parar, Dario!" ​Por um instante, vi Stella bufar e soltar a mão de Dylan, fazendo um sinal com a cabeça. Eu estava tão atordoada que não entendi o que aquilo significava, até ver Dylan pular contra a barreira de fogo, atravessando as chamas para entrar no círculo. ​"Anika, olhe para mim. Feche os olhos e respire fundo," Dylan disse, ofegante. Olhei para os braços dele; as queimaduras estavam em carne viva, a pele avermelhada e soltando fumaça. Respirei fundo, tentando focar apenas na voz dele. ​"Agora, pense em coisas boas. Tente acalmar essa energia que você sente dentro de si," ele instruiu, segurando o peito com dificuldade. ​Fechei os olhos e busquei as lembranças felizes com meu pai, de quando corríamos pela floresta colhendo as flores favoritas da minha mãe. No mesmo instante, o calor sufocante começou a diminuir. Senti os braços de Dylan me envolvendo. O cheiro dele me invadiu, trazendo o conforto que meu coração precisava para se aquietar. ​Abri os olhos quando não senti mais o toque dele. O fogo havia sumido, deixando apenas o rastro de grama queimada. Dylan recuou um passo, respirando com dificuldade, e desmaiou diante de mim. ​O medo de perdê-lo me atingiu como um raio. Caí de joelhos ao seu lado, segurando sua mão e chorando desesperadamente. ​"Dylan, por favor, acorde! Meu amor, não me deixa... Dylan, por favor!", implorei, sentindo a alma se despedaçar. ​Damian e Dario pareciam estranhamente despreocupados, observando a cena à distância. Stella, por outro lado, estava estática, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto nos olhava. ​"Dario, faz alguma coisa, por favor!", gritei por ajuda, mas eles não se moviam.
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