Toda a minha vida foi pautada pelo amor que sentia por Gabriela. Juntos, tivemos nossa primogênita, Olívia. Éramos felizes, vivendo o sonho de construir uma família grande e unida, até que Gabriela descobriu sua segunda gravidez. No início, a notícia nos trouxe uma alegria transbordante; estávamos ansiosos pela chegada de mais um bebê.
Contudo, com o passar dos meses, Gabriela começou a sentir dores constantes e m*l-estar. Pensamos que fosse apenas o peso da gestação, até que, em uma noite fatídica, perto de completar oito meses, ela sofreu um descolamento de placenta devido a uma pré-eclâmpsia. Infelizmente, ela não resistiu, mas me deixou Stella, recém-nascida, como seu último suspiro.
Nunca quis procurar uma segunda companheira. Após Gabriela, o silêncio preencheu meu coração, e criei minhas filhas sozinho. Mudei-me para a matilha Sombra da Noite quando elas ainda eram crianças. Lá, conheci Augusto; desenvolvemos uma amizade sólida e acabei me tornando o Beta da matilha.
As meninas cresceram correndo ao lado dos três filhos de Augusto. No começo, eram apenas crianças brincando, até que Olívia completou quinze anos e despertou o interesse dos rapazes. Proibi que qualquer um tocasse nela até que atingisse os dezoito. Na noite em que Olívia despertou sua loba, transbordei de orgulho: ela herdara a linhagem de loba branca da mãe. Olívia ficou radiante por ter esse elo com Gabriela, já que fisicamente ela era a minha cópia: cabelos loiros, olhos azuis e pele alva.
Stella, por outro lado, tornou-se a imagem esculpida de Gabriela. Cabelos negros e lisos que descem até a cintura, olhos castanhos amendoados, baixa e delicada. Ela carrega a mesma linhagem de lobo da mãe e, a cada dia, torna-se sua cópia exata.
Na noite em que Olívia sentiu o laço de companheirismo com Dylan, Stella sorriu e celebrou pela irmã. Mas, naquela mesma madrugada, ela chorou em meu quarto. Foi o momento amargo em que descobri que minhas duas filhas estavam apaixonadas pelo mesmo homem. Vi o sofrimento de Stella ao ver a irmã com Dylan, mas, com o tempo, ela se aproximou de Dario e Damian, distraindo-se e voltando a sorrir.
Tudo parecia caminhar para a normalidade, até a noite da invasão dos vampiros. Lutamos com tudo o que tínhamos para proteger a matilha, e foi ali que perdi minha primogênita. Tive que carregar o corpo sem vida de Olívia nos braços. Stella viu a irmã morta, com o peito violado de onde arrancaram seu coração. Mesmo tão jovem, ela mostrou uma força que eu mesmo não possuía.
Agora, anos depois, vejo minha filha chorar novamente por causa de Dylan. Desta vez, eu a afastarei. Não permitirei que ela definhe vendo-o viver com outra o sonho que um dia ele planejou com ela.
Preparei o café da manhã e chamei Stella, mas ela não parecia bem. Quando a vi vomitando, a preocupação me atingiu como um soco. Arrumei-me e saímos para o hospital da matilha. No caminho, Damian me parou na mansão; achei estranho seu interesse repentino, mas apenas informei que levaria Stella ao médico.
Enquanto resolvia pendências rápidas com Damian, voltei ao carro e vi que Stella havia adormecido novamente. Dirigi em silêncio até o hospital. Ao estacionar, ela despertou, meio perdida no tempo.
— Chegamos. Vamos? — perguntei, abrindo a porta para ela.
Fomos até a recepção e seguimos os protocolos de atendimento. Ficamos sentados esperando o chamado; eu estava mais nervoso que ela, que parecia consumida por uma sonolência profunda. Após alguns minutos, a doutora chamou Stella.
Fiquei do lado de fora, com o coração na mão e o pressentimento pesando em meu peito. Mas o que realmente me alarmou foi ver a expressão de Dylan ao cruzar as portas do hospital, entrando desesperado à procura de Stella