Lágrimas escorriam dos meus olhos enquanto eu mergulhava no olhar de Dylan. Sua dor parecia ser a minha, mesmo que o nosso laço ainda não estivesse totalmente aberto para compartilharmos emoções. Desci uma das mãos que segurava seu rosto e passei o polegar por seus lábios; eu só queria beijá-lo, fazê-lo se sentir amado e mostrar que ele não estava mais sozinho.
Aproximei-me devagar e tomei seus lábios nos meus em um selinho rápido. Mas, quando tentei me afastar, Dylan segurou minha nuca com firmeza e me puxou para um beijo profundo e inesperado. Seus lábios moviam-se lentamente contra os meus, seus dedos emaranhados em meus cabelos, enquanto a outra mão pressionava meu corpo contra o dele.
Sem interromper o beijo, ele me guiou pelo corredor até o quarto. Com cuidado, deitou-me na cama, posicionando-se sobre mim, apoiado em um dos braços. Com as mãos trêmulas, alcancei sua camisa e comecei a abrir os botões. Dylan, por sua vez, deslizou o vestido pelo meu corpo, tirando-o por cima da minha cabeça e jogando-o no chão. Naquele momento, agradeci mentalmente a Luísa por ter insistido na lingerie branca e rendada.
— Você é linda... — sussurrou Dylan, seus olhos devorando cada curva do meu corpo.
Senti meu rosto queimar de vergonha, o que o fez soltar um riso baixo enquanto terminava de se despir. Observei, sem desviar o olhar, cada peça de roupa que ele deixava cair. Deusa, como ele ficava deslumbrante sorrindo daquele jeito. Ele voltou para cima de mim, distribuindo beijos delicados pelo meu rosto até alcançar minha boca novamente, em um beijo quente e carregado de desejo.
— Dylan, espera... esta será a minha primeira vez — sussurrei contra seus lábios.
Ele parou imediatamente, encarando-me com surpresa.
— Você... não teve relações com meus irmãos?
— Não. Eu estava esperando o momento certo. O sentimento certo.
Dylan suspirou e, para minha surpresa, afastou-se, deitando-se ao meu lado na cama.
— Anika, fico honrado em saber que me escolheu para isso... mas não posso fazer isso sem a aprovação dos meus irmãos. Eles também são seus companheiros.
— Esta é uma decisão minha, Dylan! — rebati, sentindo a frustração crescer. — Seus irmãos têm que entender isso.
— Eu já tirei muito deles no passado, Anika. Não quero que eles me odeiem ainda mais — ele disse, passando a mão no rosto em um gesto de exaustão.
— Está bem, Dylan... — respondi, a voz seca.
— Temos que voltar. Deixei a Stella trancada no meu quarto.
Levantei-me e vesti meu vestido com pressa, a raiva fervendo sob a pele. Eu odiava o fato de ela sempre estar entre nós.
— E o que você vai fazer em relação à Stella? — perguntei, sem olhar para ele.
— Eu não posso simplesmente afastá-la, Anika. Ela é importante para mim. Somos amigos desde a infância.
— Agora é diferente, Dylan! Vocês cresceram, foram namorados. Ela terá que entender que as coisas mudaram — falei, saindo do quarto pisando firme.
Enquanto caminhávamos de volta para o carro, um pensamento sombrio me dominou: com Stella por perto, eu nunca estaria segura em relação ao Dylan. O vínculo que eles tinham era antigo, forjado no luto e na convivência. Por mais forte que fosse o nosso laço de companheiros, o coração dele já tinha uma dona de longa data. Senti que estava entrando em uma batalha que, no fundo, já poderia estar perdida.