Capítulo:50-Stella POV

855 Palavras
Fazia dias que eu não ia à mansão; precisava evitar qualquer encontro com Dylan. Desde a nossa última briga, não nos aproximamos mais. Estava sendo torturante mandá-lo embora e negar sua presença, pois eu sabia que uma simples troca de olhares faria meu coração trair minha mente, perdoando qualquer desentendimento. Foi essa fraqueza que me levou a tomar uma decisão: eu partiria para a casa da minha tia Lúcia, no litoral, para ficar longe dele. ​Acordei com batidas na porta e a voz do meu pai avisando que o café estava pronto. Olhei para o relógio e me sobressaltei. Eu tinha dormido demais, de novo. Já fazia alguns dias que um sono avassalador me dominava. Meu pai, preocupado, insistia para que eu fosse ao hospital da matilha, mas eu sempre inventava desculpas para não correr o risco de esbarrar com Dylan pelo caminho. ​Hoje, porém, não haveria escapatória. Ele garantiu que iria comigo para certificar-se de que eu estava bem. ​Forcei-me a levantar e descer. Ao entrar na cozinha, o cheiro da comida do meu pai — que eu sempre amei — atingiu meu olfato. Meu estômago revirou instantaneamente. Uma onda de náusea horrível me dominou; cobri a boca com as mãos e saí correndo para o banheiro. ​— Stella, você está bem? — a voz do meu pai ecoou, carregada de preocupação, do outro lado da porta. ​— Estou bem, pai... foi só um m*l-estar — respondi, abrindo a torneira para lavar o rosto. Enxuguei-me e encarei meu reflexo no espelho: eu parecia derrotada. ​— Você está pálida. Tem certeza de que não é nada? — ele perguntou assim que saí. ​— Tenho, pai. Devo ter comido algo estragado. ​Sentamos à mesa e ele me serviu um pedaço de bolo, mas eu m*l conseguia olhar para a comida. ​— Você tem estado muito estranha desde o término com o Dylan. Hoje vamos ao hospital e não aceito desculpas. ​— É apenas estresse, pai. ​— Seja lá o que for, vamos do mesmo jeito. E quando você pretende partir para a casa da Lúcia? ​— Amanhã, à tarde. O Dario vai me dar uma carona. ​— E o Dylan sabe disso? — Meu pai me encarou com seriedade. ​— Não. E prefiro que continue assim. Não conte a ele, por favor. ​— Sabe que não adianta. Se eu não contar, o Dario acabará deixando escapar. ​— Vou pedir sigilo ao Dario também — falei, levando a caneca aos lábios e dando um longo gole no café quente. ​Após o desjejum, subi para me preparar. Tomei um banho e vesti uma calça jeans escura que marcava bem minhas curvas, uma regata branca e saltos altos. Deixei meus longos cabelos negros soltos e saí. Antes de irmos ao hospital, meu pai precisava passar na mansão para deixar alguns documentos com os Alfas. ​Ao chegarmos, vi Damian saindo pela porta principal. Coloquei meus óculos escuros para esconder o rosto pálido e permaneci no carro, evitando seu olhar. Meu pai conversou com ele por alguns segundos e depois voltou ao veículo, batendo no vidro. ​— A Sabrina está aí dentro. Quer vê-la? Ela ficaria feliz — ele sugeriu. Sabrina fora minha mentora e era uma grande amiga da minha falecida mãe. ​— O senhor vai demorar? ​— Não. Só vou deixar os papéis no escritório. ​— Está bem. Vou dar um oi rápido para ela. ​Entramos na mansão. Enquanto meu pai seguia para o escritório, ouvi a voz inconfundível de Sabrina ecoando pelo andar de cima, dando ordens sobre postura e foco. Não pude conter um riso amargo; até ontem, era eu quem estava ali, sentindo o peso daqueles livros na cabeça. ​Subi as escadas e encontrei Sabrina com sua eterna pose de madame. Ao me ver, ela veio ao meu encontro e me deu um abraço apertado. ​— Como vai minha aluna preferida? — perguntou, olhando-me com ternura. ​— Estou indo, Sabrina... O que a traz aqui? ​Minha alegria murchou ao ouvir a voz de Anika reclamando da dificuldade do treino. Por um momento, senti uma pontada de empatia. Eu me vi nela: uma menina sobrecarregada, carregando a responsabilidade de ser Luna sem ter tido tempo de processar suas perdas. Quase no automático, acabei a incentivando do meu jeito torto. ​— Eu e o Dylan não estamos juntos — confessei a ela. Não sei por que as palavras saíram, talvez para tranquilizá-la, talvez para reafirmar a realidade para mim mesma. ​Desci as escadas rapidamente, entrei no carro e liguei o ar-condicionado. Soltei a respiração que nem sabia que estava prendendo. ​— É, Stella... acho que você realmente se tornou uma mulher madura — murmurei para mim mesma, sentindo um novo enjoo leve. ​Eu me sentia esgotada emocionalmente. A saudade de Dylan estava me deixando doente, ou ao menos era o que eu queria acreditar. Mas a pergunta me assombrava: seria mesmo apenas o término, ou meu destino era afundar em uma depressão por um amor não correspondido?
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