Eu era uma verdadeira bagunça. Já fazia dias que não conseguia me concentrar em nada, não dormia direito e m*l suportava a ideia de chegar perto de Stella. O beijo que eu e Anika partilhamos me atormentava; nunca desejei tanto ter uma mulher em meus braços como desejo a ela. Harpe estava em silêncio desde o dia em que a rejeitei; ele simplesmente se calou, recusando-se a me responder.
À noite, eu bebia para esquecê-la. Sob o efeito do álcool, acabei transando com Stella, e o arrependimento me corroía. Ela não merecia um homem apaixonado por outra enquanto estava ao seu lado. Eu realmente pensei que não haveria mais nada entre mim e Anika, até sentir aquela dor insuportável. Não demorou para eu entender: ela não aceitara a rejeição, e eu estava agonizando porque ela estava com meus irmãos.
Tentei me distrair com mais álcool, mas a dor era implacável. Em um acesso de fúria, quebrei a garrafa de uísque e o copo que estavam em minha mão. Se eu soubesse que Stella entraria no quarto naquele momento, jamais teria feito aquilo. Odeio vê-la se machucando; cada gota de sangue que ela derrama me traz a lembrança traumática de Olívia. Gritei para que ela saísse, mas ela continuou dedicada a cuidar de mim, ignorando os próprios pés perfurados pelos estilhaços de vidro.
Foram duas horas de uma tortura lenta. Só adormeci quando a dor finalmente cessou. De madrugada, ao me mover, senti o braço dela me envolvendo. Stella estava acordada; eu podia sentir suas lágrimas quentes molhando minha pele. Eu estava sendo c***l ao me afastar, mas decidi que não faria mais isso. Anika já havia seguido em frente com meus irmãos e, pelo tamanho da dor que me fez passar, devia me odiar agora.
Ao acordar, evitei contar a Stella o real motivo do meu sofrimento. Planejava conversar com ela com calma, mas não previ que ela descobriria sobre Anika daquela forma. Ela estava tremendo, desesperada. A última vez que a vi assim foi no dia em que soubemos da tragédia com sua irmã.
Depois de tentar tranquilizá-la, fomos descansar em meu quarto. Eu estava saindo do banho quando ouvi os gritos de Stella no corredor. Corri até o closet, vesti a primeira calça que encontrei e saí. Lá estavam as duas, trocando agressões na primeira vez em que se viam. Stella agarrou os cabelos de Anika e sibilou algo que não consegui ouvir.
Anika a empurrou e ia partir para o revide, mas eu agi rápido. Segurei Stella pela cintura, afastando-a, enquanto ela se batia e tentava avançar novamente. Damian e Dario surgiram logo atrás e seguraram Anika.
"Me larga, Dylan!", gritou Stella, debatendo-se em meus braços.
Damian segurou o rosto de Anika e, ao ver o nariz dela sangrando, sua aura escureceu. Estava nítido que seu lobo exigia sangue por ver sua companheira machucada.
"Sugiro que você controle sua namorada, ou eu mesmo a punirei por encostar na Anika," Damian rosnou, a raiva estampada em cada traço de seu rosto.
Aquilo me deixou furioso. Por mais que Anika fosse nossa companheira, eu jamais permitiria que fizessem nada contra Stella. Ao ver o olhar de decepção dela para meus irmãos, senti a necessidade urgente de protegê-la. Afinal, era isso que Stella estava tentando fazer por mim: me proteger do laço que eu tentava quebrar.
"Não se atrevam a encostar um dedo que seja em um fio de cabelo da Stella, ou não responderei por mim!", rebati. Joguei Stella por cima do ombro e a levei de volta para o meu quarto.
Mesmo evitando olhar para Anika, pude sentir o peso do seu olhar de profunda decepção sobre mim.
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