Capítulo:71-Damian POV

848 Palavras
Já se passaram três dias desde que Tessa levou Anika. Procuramos em cada centímetro das matilhas vizinhas. Alguns Alfas aliados estão hospedados na mansão, trazendo seus melhores rastreadores, mas não encontramos sequer um vestígio. É como se Anika tivesse sido apagada do mapa. ​O pior de tudo é o vínculo. Eu e Dario sentimos cada golpe, cada corte que infligem a ela. A marca arde; a dor dela flui para nós, constante e insuportável. Sinto que vou enlouquecer ao imaginar que ela está sozinha, sofrendo um martírio muito pior do que o nosso. Não descansarei até destruí-lo o mundo para encontrá-la. ​— E a Stella? O que ela resolveu? Vai nos ajudar? — perguntei a Gael, que estava sentado à minha frente. ​— Deixem ela fora disso — Dylan interveio, a voz carregada de uma culpa densa. ​— Deixar ela fora disso? — Gritei, perdendo o pouco autocontrole que me restava. — Você já esqueceu que a culpa de a Anika ter sumido é sua? Mais uma vez, Dylan, você falhou em proteger a mulher que eu amo! Que porcaria de Alfa é você? ​Avancei contra ele, empurrando-o, mas parei bruscamente quando uma pontada de dor lancinante atravessou meu peito. Os malditos estavam machucando-a de novo. Dylan me olhou com lágrimas nos olhos, a mandíbula tremendo, e saiu do escritório batendo a porta com força. O filho da mãe nem consegue sentir a dor dela; se sentisse, me entenderia. ​— Chega, Damian! — Dario rosnou, embora eu visse seu esforço para não se curvar pela dor. — Não culpe o Dylan. Ele quase morreu tentando salvá-la. Temos sorte de tê-lo vivo. ​Fechei os punhos, sentindo o sangue pulsar nas têmporas. ​Uma batida seca na porta interrompeu o silêncio tenso. — Entre — Dario autorizou. ​A porta abriu-se com violência. Stella entrou com passos firmes, o rosto vermelho de fúria. Antes que eu pudesse reagir, senti um tapa estalar com força no meu rosto. Minha pele queimou. ​— Olha aqui, Damian! Nunca mais culpe o Dylan pelos seus problemas! — ela gritou na minha cara. — Vê se cresce e encara a realidade como um homem! Pare de jogar suas frustrações nos seus irmãos. O Dylan quase morreu e você estava onde? Por que não ficou você mesmo para protegê-la? i****a! ​Meu lobo, já furioso, arranhou as paredes da minha consciência, pronto para o revide. ​— Tire a Stella daqui, Gael — Dario pediu, com a voz calma mas autoritária. Meus irmãos sabem que estou no meu limite. ​— Eu vim dizer que vou ajudar — Stella declarou, alisando o vestido e me lançando um olhar de puro desdém. — Depois de tudo o que fiz para ela, isso é o mínimo. ​— Calma aí, irmão — Dario colocou a mão no meu ombro. — Você não pode matá-la. Ela carrega o herdeiro Alfa. Nosso sobrinho. ​— Devem ser os hormônios da gravidez, ignore — Gael tentou amenizar, puxando Stella gentilmente. ​— Precisamos de um plano para o território das outras raças. Ela não pode ser reconhecida como alguém da nossa matilha — Dario começou a massagear a nuca, focado. ​— Bom, eu vou para casa. Damian, você está fedendo; precisa de um banho — Stella finalizou, saindo do escritório com a mão na boca, lutando contra um enjoo repentino. ​— Eu juro que, quando essa criança nascer, serei o primeiro a dar uma palmada na Stella — resmunguei, sentando-me no sofá e ignorando a risada abafada de Gael. ​Passamos a tarde traçando estratégias. Como um bom Alfa, percebi que Gael estava excessivamente preocupado com Stella, mas desviei o pensamento. Nada importava mais que Anika. Ao cair da noite, Dario chamou Dylan e Stella pelo elo mental para os detalhes finais. ​Quando entraram, Dylan sentou-se ao lado de Stella, e notei Gael fechar os punhos e desviar o olhar imediatamente. Tem algo acontecendo entre esses dois, e quando essa guerra acabar, eu vou descobrir o que é. ​— Stella, é o seguinte — Dario começou. — Você vai precisar mudar o visual. Outras roupas, outro cabelo. Terá uma identidade falsa. Se apresentar como uma desgarrada que matou o próprio companheiro e foi banida. Se perguntarem sua origem, você é da matilha Lua Crescente. ​— Eu ainda acho que alguém deveria ir com ela — Dylan insistiu, a proteção aflorando. ​— Eu posso segui-la de longe — sugeriu Gael. ​— Risco demais — cortei. — Se reconhecerem o Gael, todos estarão em perigo. Sem dramas. ​— Eu sei me cuidar — Stella disse, decidida. — Por onde começamos? ​O escritório mergulhou em silêncio. Todos pensavam na primeira rota. Mas algo dentro de mim, uma voz profunda e instintiva, sussurrava um destino específico. Foi como se o vínculo com Anika estivesse me puxando para uma direção proibida. ​— Pelo território humano — dissemos eu, Dario e Dylan, em uníssono. ​O destino estava selado. Se nossos corações estivessem certos, era lá que a encontraríamos.
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